
sábado, 28 de agosto de 2010
Incompleta

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
20:15


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Esse Texto é de
Fernanda Lima
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Sorriso encatador

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
11:27


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Esse Texto é de
Luan Santana
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Você nunca soube me amar

Até o que era doce se transformar em amargo,mas você não me avisou.Seu amor deveria ter vindo com prazo de validade.
Assim eu não iria me apegar e criar planos com você, que a propósito você nunca vai saber.
Você nunca vai saber o quanto eu te amava, que eu enlouquecia com a sua nuca, com seu perfume e encostava em você só pra sentir seu cheiro,seu calor e me nutri de você.
Em todo esse tempo eu nunca te pedi nada,nunca te exigir nada, só queria o seu amor e foi a única coisa que não soube me dar.
Você não precisa saber, agora não faz diferença.A gente se acostuma com tudo, vou me acostumar sem a sua presença e tentar enganar o meu corpo quando ele chamar pelo seu. E quem sabe eu encontre alguém mais idiota do que você, que possa aceitar o que eu ainda sinto e só assim por alguns minutos, quem sabe eu pense em outro e bloquei seu rosto da minha mente.
Você não precisa saber, agora não faz diferença.A gente se acostuma com tudo, vou me acostumar sem a sua presença e tentar enganar o meu corpo quando ele chamar pelo seu. E quem sabe eu encontre alguém mais idiota do que você, que possa aceitar o que eu ainda sinto e só assim por alguns minutos, quem sabe eu pense em outro e bloquei seu rosto da minha mente.
Porque meu amor por você nao morreu, eu ainda te amo sim. Amo muito,não nego.Mas amo a pessoa que você era e não a que se tornou. E isso também você nunca vai saber, afinal, você nem sequer sabe o que é amor e nunca soube me amar.
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
12:46


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Esse Texto é de
Fernanda Lima
Eu não sei voar

A barata preta, enorme e voadora posou no canto da minha boca. E eu pude chorar todos os meus medos no seu sofá e eu pude ficar curvada do jeito que a minha sombra, que só eu vejo, é. E eu pude borrar todos os meus disfarces e ficar feia sem culpa, porque a dor consegue ser sempre maior do que qualquer culpa, por isso o meu vício em sofrer.
Eu chorei a nossa imperfeição, eu chorei a saudade enganada da nossa perfeição, eu chorei a nossa necessidade de não se largar, eu chorei a nossa necessidade de se largar, a nossa necessidade de fugir do mundo em nós e a nossa necessidade de fugir de nós encontrando amigos.
Eu chorei o nosso ego que sempre tem respostas para tudo e não pode perder, chorei o nosso silêncio cansado de perguntas e desprovido de interesses, a pobreza do mundo que nos impossibilita de sermos felizes sem culpa, a falta de simplicidade que eu tenho para ser feliz e eu chorei o espaço da nossa alma que ainda falta evoluir.
Eu chorei o nosso medo de não sermos o que sonhamos. Eu chorei o medo que eu tenho de não ser quem você quer e o medo que eu tenho de ser exatamente o que você quer.
Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar a minha fragilidade escondida no meu mau-humor. Eu chorei de birra do meu lado homem.
Eu chorei porque vez ou outra ele ainda bate na minha porta e eu o deixo entrar, e eu sei que isso é medo do tanto que você habita todos os lugares.
Eu chorei porque eu te amo mas eu não sei amar. Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins.
Eu chorei meu medo de submissão, o meu medo de vomitar, o meu medo de me mostrar pra você tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito.
E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei depois cinco anos escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga.
Aliás, eu quero sim. Eu quero que você me diga quando for a hora de parar, de continuar e de não pensar em nada disso.
Eu quero que você me acorde com uma lista de horas e outras lista de anos e outra lista de encarnações. Eu quero que você me dê a mão e me ensine o que é um relacionamento porque eu só sei andar de quatro, cheirando xixis nas ruas e rabos alheios.
Eu quero que você me ensine a ser uma mulher para você.
Ao mesmo tempo eu quero que vocë suma porque eu só quero ser uma mulher para mim. Eu me quero só para mim.
Era minha a dor de ser solitariamente para mim. E você a substituiu pela dor de não querer mais ser solitariamente só para mim. Mas tudo é dor afinal, e eu não sei ser leve, eu não sei voar, mas a barata que vôou para o canto da minha boca, sabe.
Eu carrego o esgoto no meu ventre negro, mas não sei voar como ela. Por isso ela ainda consegue ser melhor do que eu.
E com todos os meus poderes para estragar a vida de alguém, eu ainda tenho medo da barata.
Porque ela sabe ser misteriosa, ela sabe incomodar sem abrir a boca, ela sabe enojar o mundo com sua meleca branca sem ter que mostrá-la a ninguém.
Ela é muito mais misteriosa do que eu.
Em comum temos as chineladas do mundo e todos os seres amedrontados que querem acabar com a nossa raça. Mas o poder dela ainda é muito maior do que o meu, porque ela não ama, ela não se sente traída pelas chineladas do mundo.
Ela não sabe o que é não entender nada desse mundo e ter medo do tempo. Ela não sabe o que é ter nas mãos o poder de construir e destruir e ter tanto medo desse poder.
Ela vive no esgoto e não sabe o que é ter tanto medo dele.
Ela aparece sem ser desejada e não sabe o medo que não ser desejada causa.
Ela é uma barata e nunca vai saber o medo que a gente sente de se sentir uma.
E eu chorei tanto que finalmente transformei meu meio canto de boca num bico inteiro. E chorei porque tenho tanto medo de tudo o que é inteiro, que prefiro viver tudo na cabeça, enquanto o corpo relaxa na minha cama, longe de tudo.
Eu deito na minha cama e imagino tudo o que pode acontecer, enquanto não toco de verdade na vida para não cansar demais e depois não ter forças para viver de verdade. Mas acabo dormindo e deixo pra depois.
Mas eu chorei justamente porque descobri que viver na cabeça também é um tipo de coragem, porque eu não protejo a alma de feridas e nem de descanso.
Mas aí ela, preta, imunda, nojenta, indesejada, um pedaço do esgoto, vôa em minha direção e me coloca em movimento. E eu corro pra bem longe e não penso, só corro.
E isso é tão diferente para mim, estar em movimento de fora para dentro, que eu choro de emoção.
Eu não pensei, eu vivi. Eu corri dela, eu vivi o medo. Eu vivi o nojo. E eu chorei de dor de sair da minha bolha interna.
Ela me fez ter vontade de gritar para o mundo nojento para que ele deixe meu coração em paz. Meu coração que quer amar em paz e esquecer que a vida pode ser nojenta.
E eu corri de tudo o que é nojento, e eu chorei porque com tantas coisas lindas me acontecendo, eu precisei de uma barata para me lembrar de sentir a vida fora da minha bolha.
Ela perfurou minha proteção e saiu da minha rotina. Ela invadiu tudo e me lembrou que as coisas podem dar erradas sim, quando se menos espera, e não adianta nada estar com o chinelo preparado na mão para se defender da vida.
A vida voa na sua cara, esbarra no seu rosto, suja sua vaidade, corrompe suas certezas, e você não pode fazer nada. A não ser lavar o rosto e começar tudo de novo
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
12:39


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Esse Texto é de
Tati Bernardi
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
A dor que doi mais

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
23:22


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Esse Texto é de
Martha Medeiros
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Coração Perdido

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
11:28


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Esse Texto é de
Fernanda Lima
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
O mundo é paixão

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
12:18


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Esse Texto é de
Juliana Perraro
sábado, 14 de agosto de 2010
Talvez se torne amor

Ao te encontrar na porta de um bar qualquer, você me convidaria para tomar aquela minha bebida favorita , meu coração pulsaria mais forte por você e a vontade de te beijar e cair nos teus braços fosse maior que eu.Talvez isso aconteça, nunca se sabe, mas hoje o mínimo que posso te ofereçer é meu carinho sem amor. Seria mas fácil eu curar minha carência com você ou esquecer dele no teu colo. Mas não consigo, e nem quero se o preço de tudo isso é criar em você a ilusão de um sentimento que eu não sinto. E olhe que eu tentei, tentei muito, mas meu coração é teimoso e construiu um muro entre minha amizade e seu amor. Ele não suporta o teu jeito, não suporta o seu cabelo estilo bagunçado, seus ciúmes, manias, não suporta a maneira irritante que insiste em encostar seus lábios nos meus, enquanto o que eu quero é distância ,e seu olhar profundo que me encara quando eu tento desviar o meu olhar, me fazendo sentir tão frágil diante de você. Prefiro continuar não suportando, do que me ver totalmente dependente de você .
E eu acho que você é como um doce, que me chamou a atenção pela cobertura mais enjoei do recheio.E talvez meu coração seja só puro demais, intocavél e imaturo. Quem sabe um dia ele amadureça e pare de gostar de quem não me quer.Só assim poderei aceitar o que você pode me dar,só assim te encontrarei naquele bar,mesmo que seja tarde,você tenha cansado de esperar e eu já tenha te perdido.
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
10:46


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Esse Texto é de
Fernanda Lima
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Uma vida sem saudade

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
20:59


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Esse Texto é de
Hateen
E a minha felicidade so pertence a mim

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
14:48


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Esse Texto é de
Denyse Barrêto
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Surpresa Boa

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
23:45


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Esse Texto é de
Jammil
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Idas e vindas

sábado, 7 de agosto de 2010
Olhos de ressaca

sexta-feira, 6 de agosto de 2010
E quem pode?!
E quem pode comigo quando eu falo tudo o que eu penso?
As pessoas não são acostumadas com a sinceridade... Muitas vezes quando nos perguntam algo, uma opinião sobre alguma coisa, elas intimamente já tem a resposta que gostariam de ouvir e quando acontece de ouvir o que não queriam..? Ah, é porque eu sou rude, insensível...
No fundo não estamos preparados para sermos contrariados...
Não sou dona da verdade, a senhorita sabe tudo, a solucionadora de problemas, não... Não sou! Nem tenho pretensão de ser. Mas tenho opinião sobre tudo nesta vida e não tenho medo nenhum de dizer o que penso... Sou áspera as vezes com as palavras, realmente sou! No fundo estou demonstrando minha franqueza e o quanto eu me importo com as atitudes dos meus entes queridos!Enfim, eu estou dizendo que gosto de você! Gosto mas não estou aqui pra dizer o que você quer ouvir! E se minhas opiniões parecem "duras", desculpe mas não sei ser diferente!
Sentir-se amado

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
12:11


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Esse Texto é de
Martha Medeiros
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Perdão amor

Te amar tanto, mais do que a mim mesma.
Sonhar, idealizar e exigir o que você não pode dar.
Amor não se pede,ainda não aprendi.
Perdoa por eu ser tão necessitada.
Ter ciúmes demais.
Carências demais.
Cobranças demais.
Enquanto o que você queria
era menos.
Menos Eu.
Menos Você...
Ô Amor,perdoa esse coraçao cansado de amar errado. Sem saber que o único erro é ter amado demais.
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
19:11


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Esse Texto é de
Fernanda Lima
Se eu não te amasse tanto assim

É o medo e o desejo;
É desconfiança e a esperança;
É o grito e o silencio;
É o gelo derretendo a mão no fogo...
Eu e você frente a frente
É ter sempre q me confrontar;
Encarar meus erros e as minhas razões...
As minhas verdades e as minhas ilusões;
Meu poder e a minha impotência;
A minha liberdade e os meus limites...
Quando eu to na sua frente,
Eu sinto toda a minha dor,
Mas só na sua frente eu posso sentir todo o meu amor
"Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração"
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração"
Estrela

Seja minha Estrela Me guie para onde há luz Me aqueça com o teu amor E me carregue para perto de você Ilumine meu caminho Ilumine minha vida com o seu brilho. Mas quando você se vai Eu não me encontro A luz se apaga Eu me perco. E caio na escuridão outra vez Seja minha Estrela Traz de volta o teu calor Para aquecer o frio que sinto por dentro Seja minha Estrela Seja minha amiga Seja meu anjo E me salve essa a noite.
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
10:16


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Esse Texto é de
Fernanda Lima
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Discrepância do destino

E esse silêncio seu confesso que me incomoda demasiadamente. Não sei se não fala por não saber ou prefere mantê-lo a resultar decepções, ou ainda se não mais me quer. Não mais me quer. Não mais. Será?! Não tenho dúvida. Pois desde do que dia em que me conheço pela ausência sua nada mais me espanta. É. Nem minha morte.
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
23:18


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Esse Texto é de
Kathiele Santos
Ele não é so um cara..

Ele não faz planos ou promessas, só surpresas. Me ensinou a esperar, ele me deixa esperando, não deixa nada muito claro, voltei a roer unhas, eu nunca sei de nada, mas a verdade é que ele está sempre ali, ou logo adiante... Ele é diferente. Ele não é só um cara. Ele me ouve como se me entendesse, fala como quem soubesse o que dizer e não diz nada muitas vezes, porque ele entende os silêncios. Ele existe... Eu sei que seriamos bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas eu prefiro ser a garota dele... Sei que seremos muito importantes na historia um do outro para sempre... Porque ele não é só um cara... Eu não quero só mais um cara... Ele é tudo o que sempre quis e tudo o que quero para sempre...
Saber amar
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Profundamente
Exceções

YOU ARE..THE ONLY EXCEPTION.. ♥
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
12:08


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Esse Texto é de
Paramore
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Acasos

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
23:23


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Esse Texto é de
Kathiele Santos
Te amar é um vicio

Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
19:49


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Esse Texto é de
Fernanda Lima
Zelador

Na terça tava um silêncio danado na rua, a maior paz. E eu sei que acordei o senhor. O senhor tava lá dormindo escondidinho na guarita, não tava? E eu no interfone desesperada pra subir logo. Mas o senhor logo entendeu meu desespero, não foi? Não vou enganar o senhor não, pra esse eu dei mais do que um beijo safado no elevador e uma mordiscana irmã no braço. Pra esse eu dei banho e fiz até torrada no café da manhã. O senhor viu como ele era bonito? Nossa. Ah, o senhor reparou também que ele é bem mais novo do que eu? Caramba, seu Zé, mas tá tão na cara assim? Só porque ele usa o moletom da faculdade? Aliás, que moletom mais cheiroso, seu Zé. Que será que tá acontecendo comigo, heim? Ando muito a fim desses garotinhos que ligam pra avisar a mãe que não vão voltar. Será que é a crise dos 30, Zé? Ou será que já que o cérebro de um de 20 é o mesmo que o de um de 50, então pelo menos vamos ficar com o melhor desempenho na corrida dos 100 metros rasos? Essa vida viu, Zé. Pode ser b
oa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Uma tora. Um macho.
Na quarta eu não vi o senhor, mas será que o senhor me viu chegando cedinho, com o dia amanhecendo? Balada, Zé. E da boa. Sabe quem tava lá? Esse mesmo. Ele que veio me trazer, o senhor não viu? Ah, o senhor viu? Que vergonha. Eu tava meio caindo pelas beiradas não era? Era sono. Tá, um pouco disso e um pouco daquilo também, mas basicamente sono. O senhor não viu ele indo embora? Então somos dois. Mas vou confessar pro senhor: adoro quando eles vão embora sem me dar nenhum trabalho.
Se eu cobro? Que é isso, seu Zé! Tá louco? Sou menina de família! Escritora, publicitária e a espera de um grande amor. Mas to me divertindo, ué. Não é isso que mandam a gente fazer? Quando a gente chora e escreve aquele monte de poesia profunda. Quando a gente se apaixona e tudo mais e enche o saco dos amigos com aquela melação toda. Não fica todo mundo dizendo pra gente parar de tanto drama e se divertir? Poxa, to só obedecendo todo mundo.
Não é isso que todo mundo acha super divertido? Beber e fumar, e beber, e fazer sexo sem amor, e beber e fumar e dançar e chegar tarde e envelhecer e não sentir nada? Sabe Zé, no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Uns vem, uns vão. As garrafas tão lá, ao lado do lixo. As cinzas saem dançando por aí. As minhas vão junto. No dia seguinte eu acordo, tomo um banho, passo protetor solar, sento na minha varanda com o meu jornalzinho e ó: nada. Nadinha. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa.
Mas hoje é quinta, hoje tem visita. Hoje tem risada alta, tem festinha, tem maquiagem e música. O senhor promete que não me julga, Zé? Eu sei que você se atrapalha, liga aqui pra cima e fica até mudo. São tantos nomes, não é? Mas é só fazer que nem eu: chama todo mundo de “o outro”. Todos são outros. Porque o de verdade, Zé, o de verdade não existe. A gente chora, escreve lá umas poesias profundas, chora, mas um dia a gente acorda e descobre que esse aí não existe não.
Amanhã é sexta, um novo dia. Um novo outro qualquer. Eu queria te dizer que eu sinto muito, Zé. Mas eu não posso te dizer isso porque a verdade é que eu não sinto mais nada. Nadinha, Zé.
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
11:04


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Esse Texto é de
Tati Bernardi
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