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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Se você quisesse saber

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Eu tenho vontade de te contar tantas coisas. Mas você não sabe como dói e como é solitário ser gente. Gente tem mais é que guardar esses absurdos. Ontem, por exemplo, eu estava no avião, indo pra tal da palestra que eu te contei que tinha em Porto Alegre, e o medo voltou. Sabe o que eu fiz? Peguei um caderninho que sempre levo comigo e anotei tudo o que o medo queria me dizer. Fiquei besta de ver que se ele queria me dizer alguma coisa, ele não era exatamente eu. Era só o medo. Olhei o Rivotril que minha mãe colocou na minha bolsa e aquilo não me pareceu nenhuma solução. Eram apenas duas coisinhas brancas e pequenas num recortinho de embalagem. Duas coisinhas que jamais terão o tamanho de tudo isso que tem aqui dentro. Eu senti meus pés tão fortes e meu rosto tão corado. Eu gostei de mim e da vida como não gostava há muito tempo. A vida soprou no meu ouvido para eu parar com essa coisa de não me dar comida e não me dar confiança. E isso é idiota mas quis muito que você fosse o único a saber.Queria te contar, também, que na hora da palestra me deu tanto medo de desmaiar no meio da fala que tomei dois copos inteiros de guaraná. Mas na hora mesmo, de falar, eu lembrei de você me dizendo que ansiar ou sentir assim a vida pode fazer as palavras assumirem um poder mais mágico e, acho que porque gostei do que você falou ou simplesmente porque gosto de você, consegui não tremer o microfone e até fiz algumas pessoas rirem de alguma piada. Foi bom. Gostei da vida de novo. E de mim. E nossa. Só Deus, aquele que você não acredita que existe, sabe o quanto eu quis te contar tudo isso.Você não imagina como dói e como é solitário ser gente. Você nem sonha. Gente não pode ligar pro moço que conhece há dias e perguntar que raio ele ta fazendo que não liga, não pergunta, não continua apertando o play. Gente não pode fazer isso. Mas então que merda eu sou se gente não pode fazer isso? Sou menos ou mais que gente? Eu só queria que você soubesse que hoje ouvi a tal da música da Nina Simone que diz que o baby Just cares for me e fiquei rindo que nem besta. Uma senhora achou graça. Um homem bocejou. Uma criança cabeçuda além da conta se escondeu. O mundo sabe do que é essa minha cara, mas nem por isso está preocupado em me dar os pêsames ou os parabéns. Gostar de alguém, de novo, deveria ser algo como um enterro ou um nascimento. Mas gente acha só que é mais uma perda de tempo.Queria te contar que descobri porque te tratei mal da última vez. É que o raio da blusa cinza furada te deixa tão bonito e eu tenho mania de chorar quando acho alguma coisa muito bonita. E pra não chorar eu trato mal. A vida me emociona o tempo todo mas se eu ficasse chorando, quem ia pagar minhas contas e quem ia me querer cheia de olheiras? Então eu corro. Me dá de novo a vontade de ir embora. Eu to sempre indo embora mas aí vai um super clichê...: é de tanto que eu só queria ficar. E queria que você não achasse que sou sempre louca, ainda que eu seja. Queria te dizer que foi mesmo ridículo quando você disse que gostava da sua aula de francês porque era mais divertida do que qualquer outra coisa e eu comparei isso com minha aula de personal de musculação. Agora me diz como eu posso falar tanta besteira só por causa de uma blusa cinza? Isso não é engraçado? Seria engraçado, se ser gente não fosse tão trágico e dizer essas coisas tão absurdo. Ser gente é um saco, um porre, uma coisa entravada no peito. Mas o que eu queria mesmo te dizer é que, só porque talvez você queira saber, nem gente mais eu ando conseguindo ser.

O outro lado

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“Permita-se olhar pro outro lado da rua, mesmo que de óculos escuros, pra que eu não veja”, era o que minha melhor amiga, consciência, ia me dizendo durante todo o dia. Engraçado como o tempo desgasta o que chegara a ser nosso maior motivo de respirar, e até mesmo as nossas idéias.Não que a emoção acabe, mas sim que as circunstâncias mudem. Injusto seria não querer que alguém mude, quando nós, cheias “disso e daquilo” somos um completo turbilhão de mudanças. Se em meio à pressão vinda do nosso instinto alarmante de resolver questões em aberto com tempestades em copo d’água der um nó em sua cabeça, e hora de mudar de foco, para que esse nó não siga para sua garganta.Embora o amor incondicional nos faça bater na mesma tecla, é preciso ao menos tentar sair do ciclo vicioso de precisar estar em contato sempre. É preciso adotar medidas como ‘hesitar e esperar’ para que, naturalmente, o coração volte a sorrir: é pensar como se o lado A da fita riscasse porque o B tem a música que vai te surpreender. Tempo, tempo… atrasa uma hora no relógio uma vez por ano, mas insiste em não voltar nos momentos que nem os melhores sonhos acordados trazem de volta.Vai ver, assim como a moeda, o relógio tenha um outro lado, o lado da virtude: ensinar a ser forte com paciência e desvincular excessos, para não se frustrar com os episódios da novela que é nosso cotidiano. Vai ver, assim como o relógio, o tempo tenha concerto, e traga a tona, hoje ou décadas à frente, tudo o que incansavelmente mais ansiamos um dia..Quem sabe, sem mapas e instruções, o outro lado da estrada tenha um atalho mais seguro pra onde o coração quer chegar?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Eu te disse meu bem,temos sorte

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Hoje me sinto sortuda, eu que sempre piso em sujeira de cachorro, sempre saio correndo atrás do ônibus, não ganho sorteio e chego no fim da distribuição de brindes, sempre faço chapinha quando vai chover, sempre descubro tarde demais, percebo na hora errada, sou quem diria, uma menina de sorte . E percebi, que era um peixe que já nadavas pra distante do meu rio, e assustada, resolvi te por nas minhas redes, puxar com força a linha, te deixar aqui, nos braços meus . Estragar mais um milímetro do teu sentimento por mim iria me causar dor intensa . Porque é verdade que fui eu e meu medo que sempre fujimos de ti, mas agora, criei coragem, deixei enfim, o sentimento falar . E hoje essa sorte que você me trouxe, me rodeia, me irradia . Não que eu não tenha coisas maravilhosas ao meu lado, eu tenho sorte sim . No entanto, ela ficou perceptível quando tive você pra mim . E sortudos somos, pois nesse mundo, ter alguém que te ama e amar esse alguém, é afrodisiáco, mas não é algo de que todos desfrutem, embora possam . Pequena me sinto nos teus braços, que eu por muito recusei . E quero ficar grande, imensa, e ganhar-te mais a cada dia . Ser quem você não só ama, como admira . Porque o amor, ele não segura tudo, ele apenas une, o resto dá o auxílio . E você cumpre com excelência as assistências . Nem precisa desse papo de ser perfeito pra mim, suportar-me com toda essa minha casca e teimosia só me faz ver o quanto você é especial . Cai de amores por um anjo . Você que seca minha cozinha alagada e me olha com a carinha de que vai ficar tudo bem, mesmo que precisemos de um bote salva vidas, e depois me abraça . O menino do sorriso doce e alegre, como a Tati disse : desarmado, limitado e impotente, para todas as minhas dúvidas, inconstâncias e chatices, eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisava . E eu precisei, eu queria demais . Me arrumei pra você e passei o perfume que você mais gosta, abri meus olhos e dei adeus para muitas neuroses, te abracei e beijei pela primeira vez, embora não fosse . E eu vi você, como você queria, com sentimentos, com carinho, com vontade . Meu coração foi por ti descongelado, e hoje eu digo, é terra onde você pode plantar, cultive mais, cada vez mais . Eu deixo crescer, e você me ajuda a regar . Eu olhei para aquele brotinho de amor, cheio de esperança e só consegui sorrir, emocionada e surpresa : feliz . Naquele brotinho eu vi um amor singelo, eu vi algo simples que não lesa, calmo e maravilhoso . Deixo pra você bagunçar os meus cabelos, esse amor não precisa ser vendaval . Passei penosamente pelo arco íris e lá estava você, meu tesouro . Porque você aceitou cuidar do meu coração quebrado, lesado, na dúvida de que talvez ele nada lhe pudesse oferecer ; e cuidou de mim, gelada, me esquentando com carinho e preocupação . Sortuda eu, não ? E alegre eu fico mais em saber que te correspondo, em ouvir teu coração batendo e ver em mim nascer sorrisos . E guarde todas aquelas músicas que eu te dedico, não esqueça de nenhuma . Quero que quando eu porventura não estiver por perto e elas tocarem, você se lembre de mim, e nesse teu peito, tão amável, a saudade venha pulsar, e nesse teu rosto, tão juvenil, brote aquele teu sorriso doce, por lembrar de mim . Saiba sempre, que tudo que te falo é sincero, e não vamos falar de amores passados, esses ficaram eternizados no tempo do que já foi, viva você comigo agora e iremos abraçados ao tempo do será . Também não se importe se eu escrevo pra você ou não, pois eu já disse que quero viver contigo além das palavras, demonstrar tudo . Fale com meu coração, ele que me manda escrever, e hoje ele sente sua falta, fica aqui, fica ai, mas fica comigo . Quero errar menos dessa vez, desculpa ter feito você esperar mas acho que agora é o nosso tempo . Sortuda eu sei que sou, e do meu lado, o menino/homem que me carrega no colo, que me mima como se eu fosse criança, que me xinga usando o meu nome, que quer o meu bem, que briga comigo a toa e até foge de mim, mas que volta porque o coração manda e porque eu nunca consigo realmente me zangar . Quando me zango, é porque te gosto, porque me importo com você mais e mais . E você me dá tanto carinho, que sorrio despercebida, quando estou deitada, quando penso em você . Andas dominando a cabeça meu bem, fazendo falta ao corpo, crescendo no coração . Isso é sorte, ou dom teu . Te disse para não desistir fácil das coisas e você levou seu projeto adiante, é um vencedor, te empresto meu coração como prêmio, borde teu nome e se acomode, é o novo hospedeiro, fique o tempo que for, da forma mais terna . Brigue comigo, seja sincero e continue tentando me olhar nos olhos, por mais que eu morra de vergonha . Use sempre o seu perfume, que deixa o cheiro da saudade nas minhas roupas . Prometa que toda vez que brigar comigo, vai deixar eu me desculpar das minhas mancadas, porque eu sempre vou ouvir o que você tem pra dizer . E quando eu cair, porque tenho tendência a visitar o chão, ria do meu tombo e sente-se comigo, me de um beijo na testa e assopre meu machucado . Quando precisar de algo, me liga, pois você é uma das únicas - e raras - pessoas com quem eu gosto de falar no telefone . Continue me surpreendo aparecendo na minha casa sem avisar, me deixando sem atitudes, sem saber o que fazer, querendo apenas ficar com você . E não esquece : eu confio em você, tenho sorte de te ter ao meu lado, quero te dar o sentimento em dobro até você ter overdoses e crises de abstinência e eu amo você, do meu jeito louco, defeituoso e potente . Além de tudo, eu aprendo muito com você, a ser menos neurótica, ainda mais divertida e quero que você aprenda comigo . E vou apenas lhe informar que ficarei em seus braços, onde me sinto quentinha, segura, amada e é o melhor lugar para se estar . Então, nem pense em fugir, porque eu corro rápido, sou violenta e não desistirei. Da sua menina, louca, complicada e teimosa, o coração dela mandou dizer que te ama .

As maravilhas do mundo

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Tava eu lá, caminhando pela Lagoa, sabadão de sol, super bem acompanhada (to falando das três sacolas cheias de roupas incríveis) e pensei: eu sou mesmo muuuuuito foda. Vejam só como eu sou realmente muito foda: cá estou eu, passeando pela Lagoa, sabadão de sol, cheia de compras, meio morando no Rio por causa de um trabalho que era meu sonho, meio morando em São Paulo pra tocar outras coisas que também sempre foram meu sonho. E vejam só: agora eu parei e me sentei num banquinho incrível e estou de frente para o Cristo Redentor. Ai como eu sou foda. Fechei os olhos, o sol dourando a ponta do meu nariz, uma água de côco geladinha, daqui 10 minutos vou encontrar uma super amiga pra almoçar num lugar muito charmoso. É, Tati, que foda que você é. Muito foda. E de repente, num ato de alegria profunda que só quem é muito foda pode ter, eu me levantei alegremente e continuei a caminhada, agora com os olhos meio turvos porque eu ainda guardava uns restos de sol na minha retina.E olhos turvos vindo daqui, homem babaca vindo dali, a super foda Tati esbarrou de leve (tá bom, não foi exatamente de leve) no homem. Homem babaca olhou para um lado, olhou para o outro, e não teve dúvida, pensou: “vou aproveitar que minha vida é uma merda, meu pau não sobe e eu não recebi nem um pouco de carinho na vida, e vou ser grosseiro com essa garotinha feliz.Ei, sua vaca, tá achando que é quem pra atrapalhar minha corrida? Pára tudo. Flashback na cabeça. Me lembrei de quando eu só tinha 14 anos e dei meu segundo beijo de língua da vida no Alexandre, o menino mais playboy e mais gato da minha rua. Ele disse que viria me ver e eu me achei muuuuito foda, mas muito mesmo. E fiquei uma tarde inteira no portão da casa dos meus avós, esperando por ele, na companhia do meu ego muuuito foda. Até que minha falta de óculos (claro que eu esperava pelo Alexandre sem meus fundos de garrafas) me fez confundir meu paquera com um cara qualquer na rua. Percebendo o erro me pus a rir como só uma garota muito novinha e pura riria. O desconhecido não entendeu nada e berrou sem dó “ei, sua vaca, tá achando que é quem pra rir de mim?” Minha mente seletiva (o que não significa uma mente que esquece o que é ruim, mas que arruma coisas piores para substituir) me fez esquecer o acontecido. Até que eu tava muito feliz, na Lagoa, no sabadão de sol, com minhas comprinhas, e mais uma vez a pergunta “tá achando que é quem”? Aproveitei que estava de frente para o Cristo e perguntei, se não me engano em voz alta (para o delírio dos cariocas passantes que adoram falar que paulista é uma raça maluca): por que raios toda vez que eu to me achando muuuuito foda, muuuito feliz e muuuito amando algo, algum merda vem e me lembra que eu não sou porra nenhuma? Heim, Deus? Deeee-us, to falando com voceÊ! E ele, eu juro, me respondeu (em forma de superego camarada): ei, ce ta achando que é quem pra me encher justo no dia em que eu sou eleito uma das maravilhas do mundo? Bom, pelo menos ele não me chamou de vaca.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Serralheria

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Eu sabia que isso mais cedo ou mais tarde viria. Vem sempre depois do tô ótima, melhor que nunca. Vem sempre depois do tô aliviada, melhor assim. E então, quando abafa o grito alegre, abaixa o tudo de bom que sou, recolhe a corrida pelo nem é comigo, chega essa notícia insuportável me lembrando que ficamos pra trás. Deixar a dor vir é como receber o jornal de amanhã com notícias velhas. Essa vontade de ir até uma serralheria de bairro, com cortantes apodrecidos, e pedir: serra eu até eu ficar como ele quer? Serra eu? Tem como me fazer do tamanho que não afasta? Tem como me fazer na medida do que encaixa eternamente? Tem como me fazer sem isso dentro, essa coisa que é a única mas que eu, hoje, por causa dessa atração repentina pela anulação, ou sei lá o quê, não quero mais. Posso abrir mão disso que me mantém viva ou pelo menos me trouxe até aqui? Essa coisa mais forte que tudo e que me diz “se eu não obedecer, nem sobra força de amor pra amar, então que acabe”. Tem como tirar essa minha força motriz, ego desgraçado, sopro de mim mesma me empurrando, o que me fez não sucumbir, o que me nina ainda que seja uma babá malvada, o que me acolhe ainda que seja a bruxa mais terrível. Eu quero embarcar no trem fantasma, então me serra até meus medos e certezas virarem pó de construção. As minhas rebarbas que arranham, tem como refilar? Me faz uma bolinha pequena e lisinha, chuta a bolinha, queria ir parar debaixo da sua cama. Submissa eternamente a sua existência sem furos e passagens e bordas pra carregar. Tem como? Tem como eu me cortar inteira pra montar de um jeito que eu jamais me incomode com esse muito desenfreado que você sente pra de repente não sentir mais nada, nem dúvida? Tem como assoviar e andar feliz mesmo sabendo que você corre antes de esgotar, porque tem pouco aí dentro? Ué, mas não era muito mais que tudo? É infinito ou tão pouquinho que você usa tudo de uma vez pra parecer alguém especial? Tem como sobreviver vendo um espelho tão escancarado e que ao mesmo tempo me deforma? Tem como me fazer nascer de novo, de um jeito que eu só queira você e não o que eu sonho com você? Porque agora, de longe, parece tão fácil. Agora, de longe, se desse, pra te ter por minutos, nossa, eu seria tão feliz. Mas semana passada, gritava dentro de mim, se não fosse pra sempre, se não fossem mil minutos, se não fossem os meus minutos, que eu focasse então em tudo de ruim pra me livrar logo do pouco que ofende ou do egoísmo que bate de frente. Compartilho com você, e nem sei como amadureci tão rápido, da certeza da impossibilidade. Mas sinto sozinha o quanto isso me faz amar você ainda mais. Porque se desse, se eu pudesse, se desse mesmo pra te amar, seria amor e ponto final. Não seria essa coisa que a gente, mais uma e pela última vez compartilhando algo, achamos que é amor. Se existisse no mundo, com suas regras terríveis, uma brecha pra roubar no jogo, se existisse um único vão por onde se escapa do óbvio, se desse mesmo pra passar correndo atrás de Deus e pular no abismo do que queremos porque queremos. Eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você. Se a vida acabasse hoje ou daqui mil anos, eu escolheria você. Eu só não consigo, vejam como essa vida é mesmo uma coisa de deixar qualquer um louco, eu só não consigo escolher você da maneira mais fácil e particular, que é tendo você. Que é sendo você. Mas se eu virar, se eu virasse, esse pó de serra, se eu virasse argila, se eu pudesse ser esculpida por você, o que você faria de mim? Eu queria, eu queria triturar o que sou pra ficar quieta e olhar você. Eu queria calar ou matar essa coisa toda que sou e diz disso sem parar, pra só te ver ou ser pra você. Mas se você soubesse, como foi duro, resgatar tudo e colar ao meu modo, nesses mil anos, pra agora, assim, sem eu nem saber, me assoprar por você. Entende? Porque eu te juro, de todas as coisas do mundo, eu só queria olhar pra você. Ainda que andar cega me deixe daquele jeito e ainda que você jamais vá guiar alguém na escuridão. Seu medo de andar no escuro ou ser necessário. E então vem a merda toda. Eu preciso correr pra ficar em pé, e então corro, e corro, e de pé estou. E de pé, agora, olhando tudo. Também não era isso.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A bela e o burro

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Ontem depois que você foi embora confesso que fiquei triste como sempre.Mas, pela primeira vez, triste por você. Fico me perguntando que outra mulher ouviria os maiores absurdos como você, um homem de 32 anos, planejar ir a uma matinê brega com gente sem assunto no próximo domingo e, ainda assim, não deixar de olhar pra você e ver um homem maravilhoso.Que outra mulher te veria além da sua casca? Você não entende que eu baixei a música do "Midnight Cowboy" e umas boas do Talking Heads, Vinícius de Morais e do Smiths porque achei divertido te fazer uma massa ouvindo algumas músicas que dão vontade de viver. Uma massa que você não vai comer porque está perdendo o paladar para o que a vida tem de verdadeiro e bom. É tanta comida estragada, plastificada e sem sal, que você está perdendo o paladar para mulheres como eu. E você não sabe como vale a pena gostar de alguém e acordar na casa dessa pessoa e tomar suco de manga lendo notícias malucas no jornal como o cara que acha que é vampiro. Tudo sem vírgula mesmo e, nem por isso, desequilibrado ou antes da hora Você não sabe como isso é infinitamente melhor do que acordar com essa ressaca de coisas erradas e vazias. Ou sozinho e desesperado pra que algum amigo reafirme que o seu dia valerá a pena. Ou com alguma garotinha boba que vai namorar sua casca. A casca que você também odeia e usa justamente para testar as pessoas "quem gostar de mim não serve pra mim".E eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. E entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. A gente dá muitas risadas juntos. A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. A gente acha que o mundo está maluco e sonha com a praia do Espelho e com sonos jamais despertados antes do meio-dia. A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.E você me olha com essa carinha banal de "me espera só mais um pouquinho". Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta.Volta porque pode até ter uma coxa mais dura. Pode até ter uma conta bancária mais recheada. Pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. Mas não tem nenhuma melhor do que eu. Não tem. Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo. E eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo. Mas chega disso.Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. E do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. Sabe o quê? Eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. Ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. Porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso. E eu malho todo dia igual a essas suas amiguinhas de quem você tanto gosta, mas tenho algo que certamente você não encontra nelas: assunto. Bastante assunto. Eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba.Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. Pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.Também sou convidada para essas festinhas com gente "wanna be" que você adora. Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Carta para o homem que morreu e um pouco de verdade viva

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Você pensa que eu não sei? Eu sei que tenho soluçado risos nervosos por aí. Sempre um por aí perto dos seus ouvidos.Tudo para você ver o quanto eu me divirto, o quanto sou charmosa. Para você lembrar de como a gente se diverte, com a minha risada, com a sua.E eu grito um pouco rindo, eu sei disso também. Que é para você lembrar de quando eu sintoprazer. De quando você me dá prazer.Eu passo quieta por você, você passa quieto por mim, e eu ainda escuto o barulho que a gente faz.Vocês pensam que eu não sei?
Escova no cabelo todos os dias, lápis nos olhos, perfume de morango. Eu sei, eu sei, a paixão é ridícula.Sei que não cumpro o que prometo com olhares de mulher. Pois é, eu sou uma menina. Surpreso? Eu não.Você está surpreso mesmo? Achou que era uma mulher te instigando para fugir da lógica? Isso é coisa de criança.Lógica? Que se foda a lógica.Eu não tenho tesão nenhum em separar o certo do errado. Espero não aguentar mais a dor do caminho errado para mudar de vida, é só isso que acontece.E o caminho certo também não me dá muito tesão não.Menos aquele que a gente fez para fugir, menos aquele que a gente fez para se pegar, se entrar, parar de pensar em sentir e sentir de uma vez.E a inspiração para escrever Meu Deus! Foi para onde?Foi para o mesmo lugar da minha outra paixão esquecida. O homem para o qual dedico este texto.Aquele que tirei do pedestal e nunca mais coloquei em lugar nenhum.Foi para depois. Depois que eu resolver o que é verdade, o que é de verdade.Você pensa que eu não sei que você sabe que eu estou mentindo? Eu sei.Quer um pouco de verdade? Leia o começo deste texto, não é sobre você que eu escrevo não.Essa é a verdade, mas você me ensinou que ela não é necessária.Eu sei bem. E sei que você mente também. E sei que a gente se atura porque perder pessoas é muito triste.Por mais que você não venha me encoxar no meio da noite, não me agarre no corredor, não jogue a porra do controle remoto para longe, não fale no meu ouvido o quanto você está precisando me comer naquele momento. Por mais que você não seja esse homem, você respira quietinho ao meu lado enquanto
dorme, lindo.
E quando você dorme quietinho assim, eu sei que, apesar de eu não abalar sua vida em nada, você precisa de mim.E você já abalou tanto a minha vida. Que pena, agora você morreu.Mas eu continuo vendo você respirar, quietinho, ao meu lado.A verdade é que eu ainda acredito em reencarnação.E eu te olhei tantas vezes implorando. Não morre, por favor. Seja ele, seja o homem que perde um segundo de ar quando me vê.Mas você nunca mais me olhou quase chorando, você nunca mais se emocionou, nem a mim.Você nunca mais pegou na minha mão e me fez sentir segura. Nunca mais falou a coisa mais errada do mundo e fez o mundo valer a pena.Eu treinei viver sem você, eu treinei porque você sempre achou um absurdo o tanto que eu precisava de você para estar feliz.De tanto treinar acostumei.E cadê a inspiração? Foi embora junto com a minha pureza, a minha crença, a minha fidelidade.Eu sou comum, igualzinho a você, a vocês. Eu cometo erros mesquinhos e sou capaz de grandes momentos.Para cada grande momento, milhares de erros mesquinhos no ar, no lençol, no ralo de um banho cheiroso.Para cada fundo do poço, milhares de motivos de perdão boiando, bóias de coração para eu me agarrar.E eu nunca me agarro em mim, sempre espero alguém chegar.Eu não queria ter ido tão longe.Nem seguido um que não posso, nem aturando outro que nunca pude.Eu só queria que ele aparecesse, o homem que vai me olhar de um jeito que vai limpar toda a sujeira, o rabisco, o nó.O homem que vai ser o pai dos meus filhos e não dos meus medos.O homem com o maior colo do mundo, para dar tempo de eu ser mulher, transar para sempre.Para dar tempo de seu ser criança, chorar para sempre.Cansei de morrer na vida das pessoas. Por isso matei você.Antes que eu morresse de amor. Matei você.Eu sei que sou covarde. Surpreso? Eu não.Desculpa, eu tinha prometido nunca mais escrever tão subjetivamente.Te amo, viu?Você renasceu de novo.Eu sei que sou louca. Louca e covarde.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

É essa ai?

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Em menos de dez minutos você se lembra de tudo. Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se perder. E você se lembra que não é culpado e que, talvez, os outros também não sejam. Assim é a vida.Você se lembra que o grande amor da sua vida. O maior. Aquele que você nunca superou. É o tipo da pessoa que faz questão de ficar a noite inteira longe de você só porque acha charmoso ficar longe de você e não porque queira ficar longe de você. Ele prefere ser descolado do que humano.E você lembra daquela sensação que sentia ao lado dele. De solidão profunda. E você descobre que ele acha que saudade ou vontade de fazer carinho se resume a uma passada de mão na sua bunda ou uma apertada no seu peito. E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou até mesmo triste. Com carros que correm para esbanjar uma grana gasta com coisas sem amor, bilhetes de reclamação de barulho, filmes onde cunhadas se comem e amigos que ligam na madrugada achando que puteiro pode ser uma opção legal. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe dele.Me senti visitando meu próprio cemitério. Com amigos e amores mortos e enterrados. Pessoas que a gente desenterra de vez em quando pra ter certeza que fizemos a melhor escolha enterrando elas. Pessoas que a gente lamenta a distância, afinal, já foram tão importantes e...será que não dá para começar tudo de novo e tentar acertar dessa vez?Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir que a vida caminha para frente e isso significa, ainda que muito filosoficamente, que um dia vamos morrer. Nossos amigos vão ficando para trás, nossos amores, nossos empregos, casas...um dia seremos nós a desaparecer. Mas a lição que eu aprendi no sábado é que não vale a pena consertar um carro pela décima vez. É mais fácil comprar um novo e fim de papo. Afinal, eu bem que tentei consertar meu relacionamento com todas essas pessoas e só ganhei mais e mais poses e menos e menos verdades. Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é viver mal assombrado.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Eu já estive por lá

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Outro dia fui ao cinema com um grande amigo. Sentamos um ao ladinho do outro, dividimos uma pipoca gigante, confidenciamos comentários bobos a respeito do filme. Essas coisas que amigos fazem. Tudo corria bem não fosse um incômodo generalizado que eu sentia na alma: “Peraí, mas eu já dormi com esse cara!”. Não adianta, não consigo ser natural. Homens têm razão quando não gostam de ver suas namoradas muito próximas de “amigos” que já experimentaram do doce. Sempre vai rolar uma piadinha do tipo “ah, mas EU sei que você não é realmente loira” ou ainda “pára de ajeitar essa blusa, EU já vi tudo que tem aí embaixo mesmo”. Quem já “esteve por lá” sempre vai se sentir, ainda que inconscientemente, um eterno possuidor de território, mesmo que o outro case ou mude de sexo.São como vacas ou bois carimbados. E aí o meu amigo pergunta se eu quero ficar com o saco na mão, referindo-se à pipoca, claro. E eu não consigo disfarçar uma risada eminente. Depois ele pergunta se eu quero uma carona pra voltar pra casa ou prefiro “me virar”. E eu quase me vejo explicando pra ele, de novo, que não curto esse papo de me virar. Mas apenas sorrio e fujo dali o mais rápido possível. Uma vez pelada para uma pessoa, parece que você nunca mais se sentirá de roupa na frente dela. Pior é quando seu ex-parceiro sexual começa a namorar uma amiga. E todo mundo dá uma de civilizado e sai junto, afinal, “faz aí uns bons cinco anos que você saiu com o cara e nem rolou nada muito forte entre vocês”.E você tenta desfocar o máximo que pode das lembranças, mas é só ele abrir a boca com aquela língua presa e a voz na salada, que você lembra que ele parece o Pato Donald tendo prazer. E não consegue disfarçar um pouco de pena que sente da sua amiga. Ela, mais cedo ou mais tarde, vai se encher daqueles gemidos de gás hélio que ele dá.

Outros Caras

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É só um cara. E quer mesmo saber? É um cara como todos os outros caras. Esse que te perguntou as horas no meio da rua – podia ter sido ele e você nem ligou. O mendigo, o ginecologista, o padre, o padeiro, o seu vizinho. Ele estava ali o tempo todo, e não estava. Ele é só um deles. Vários, uma legião, e ninguém mais. É só um cara e não a sua vida. E não todos os dias da sua história, e não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário. Ele não é o destino. É um cara. Existem muitos destinos. Ele é só um cara que mal sabe escolher os próprios perfumes, que mal se importa com a sua existência, é só um cara que não te liga quando você esta mal. É um cara que não tem noção de como você gostaria de estar ao lado dele num final de semana qualquer. Ele não sabe sangrar, não sabe que nome daria a um filho, não pode ficar mais tempo. E como diz a música: "Eu não queria te-lo por um programa e apenas ser mais uma em sua cama..." Ele é só um cara perdido como muitos outros caras que você encontrou, e perdeu. Ele é só um cara. E você já esqueceu outros caras antes... Mas, sempre vem alguém com aquela velha história que diz que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta. A gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto... Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonada por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Dói mesmo, eu me apaixono mesmo

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Outro dia escutei de uma amiga uma coisa que já me disseram outras pessoas: você é diferente.Algumas dizem isso com a cara assustada, me olham como se eu fosse perigosa, louca, estranha. Outras me olham como se tirassem sarro de mim, algumas acham engraçado.Tem também um ou outro mais limitado que não entende absolutamente nada sobre mim e pergunta "Mas e aí? Quando você vai casar, ter filhos, um emprego fixo de oito horas por dia” ... achando que a busca ou angústia por sentimentos, sensações, por algo que mova, por algo inexplicável, por vida, acabam com alguma decisão como assinar um papel.Minha mãe sempre teve muito medo que eu sofresse com minha personalidade, que eu enchesse de armas os inimigos e achava que eu queria viver sozinha no mundo.Meu pai sempre disse que sou “teimosa”.Até meu irmão mais novo acha que tudo seria mais fácil se eu fizesse as coisas dentro do padrão. (como se ele fizesse).No fundo, essas pessoas, eu sempre soube, morrem de medo de ver alguém tão parecido com elas exposto ao mundo da maneira mais humana possível. Com celulites, manias, medo de não ser amada, fracassos, vitórias cuidadosamente alarmadas sem medo do egocentrismo e desejos estranhos.Mas também existe o outro tipo de pessoas. O tipo que te ama, te ajuda, te admira, que queria ter sua coragem, que está ali pra você, que te acompanha, que te acolhe sem pedir nada em troca, que divide os mesmos sonhos e as mesmas loucuras, que te impulsiona, que te olha e te vê...Uma das pessoas mais importantes da minha vida sempre me disse “Não tenha medo de ousar”E acho que cresci acreditando nisso.Não que eu seja diferente. Eu quero e preciso das mesmas coisas que as outras pessoas. Trabalho, dinheiro, casa, amigos, amor. A diferença é que eu quero mais que isso. Mais que o trivial, que o comum. Muito mais.As necessidades básicas são poucas, e é fácil mantê-las. Para o resto é que se precisa mais. Para o resto é que se precisa ir além.Eu sempre estive muito bem resolvida em relação a esse assunto e não tenho dúvida quanto ao caminho escolhido. Eu, do fundo do meu coração, tenho um orgulho absurdo de ser quem eu sou.Não vou dizer que é fácil, e que nunca deu vontade de desistir, mas vale muito mais a pena continuar.Tenho orgulho de conseguir transformar tudo o que dói em mim em aprendizado, fortalecimento, ao invés de sair transando com o primeiro babaca (não que eu já não tenha feito isso), encher a cara, me drogar ou simplesmente fazer de conta que nada está acontecendo, que nada me atinge e eu sou superior a dor.Dói mesmo, eu me apaixono mesmo, eu sou intensa mesmo, eu me ferro mesmo, às vezes eu ferro as pessoas mesmo. Tudo é bom, tudo é vazio, tudo é bom de novo. Viver é um absurdo e não dá pra passar por isso tão ileso.Eu prefiro ter histórias pra contar e como não dá pra fazer rascunho mesmo...Tenho orgulho de ter construído um mundo onde qualquer pessoa, da mais incrível à mais idiota, possa virar personagem.E de ter construído um mundo onde todos os sentimentos viram enredos com trilhas e a direção de arte certa. Dos sentimentos mais banais àqueles que nos fazem querer se rasgar inteira ou abraçar o mundo. Um mundo onde o por acaso, o cotidiano, o qualquer, o cinza, tudo pode ser motivo para gostar mais ou sentir mais a vida.E nesse mundo, onde algumas pessoas acham que eu vivo nua para quem quiser me ver de todos os ângulos e me explorar e me sentir e me provar e me sacanear. Nesse mundo, eu vivo bem escondida e protegida.Ou vocês acham mesmo que eu sou inconseqüente e construiria um castelo tão escancarado sem ter pensando na fortaleza perfeita para mantê-lo intacto?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Eu quero ter certeza

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E, depois que ouvi essa frase, todas as únicas certezas que eu tinha na vida foram pro ralo. Escorreram pelo meu rosto lavando o resto de alma que eu ainda tinha nele. Logo eu, que nunca tive sequer uma certeza na vida, preciso dar garantias pra alguém de algo que eu não faço a mínima idéia. Eu digo que amo, mas talvez eu não saiba o que é amor. Eu ouço juras de amor de gente que confunde os sentimentos. E me confunde. Dizem que, quando a gente ama alguém, deve deixar livre. Então, realmente não sei amar. Não consigo dizer que amo e ficar longe. Não consigo gostar e não ter notícia. Não me dou bem com a distância. Não entendo relacionamentos abertos. Não admito traição. Não entendo quem gosta e não quer ficar junto. Não entendo quem diz que ama e não sabe se quer. Não entendo alguém que quer certezas sem apostar no relacionamento. O dia que eu coloquei meu passarinho no dedo, levei ele pra rua e ele não quis ir embora, mesmo podendo voar, eu entendi o que é liberdade. É querer estar junto mesmo com milhares de outras possibilidades lá fora. É poder ir e querer ficar. É ter a chance de escolher. Liberdade é ter milhões de caras na sua cidade pelos quais você poderia se interessar mas você se enfia num aeroporto lotado pra atravessar o estado e ficar com quem você quer. Liberdade é poder falar que ama. Liberdade é poder falar do que não gosta. É saber conviver com a diferença e respeitar isso. É entender que ninguém é exatamente do jeito que você imaginou que fosse. É estar junto e fazer planos. É estar junto sem saber o que vai acontecer amanhã. É querer continuar mesmo que os planos dêem todos errados. Mesmo que você não tenha nenhuma certeza. Vou seguir o que dizem e deixar livre. Vou seguir. Livre. Fazendo planos pra minha própria vida. Ou não. Vou simplesmente deixar que as coisas sigam seu curso natural. Livre. Que a vida continue. Que as incertezas passem. Que a paz reine. Que o amor renasça. Que possamos fazer escolhas certas e escolhas erradas. Que a tal liberdade sirva pra isso. Pra nos permitir viver errando, acertando, amando, descobrindo. Eu nunca quero ter certeza de tudo na vida. Acho que amar é isso. Saber dar sem garantias. Sem exigir nada em troca. Arriscar, acreditando que vai dar certo. Sem olhar pra trás e se arrepender porque deu errado ou porque não era bem assim que você planejou. Acho que amar é a incondicionalidade. Não impor condições. Não ter prazo de validade. Não sei nada sobre amar, mas desconfio que não tem nada a ver com certezas.