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domingo, 31 de outubro de 2010

Eu percebi que eu estava na merda

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E quando ele riu, eu percebi. Eu percebi que eu estava na merda. Porque adoro esses caras que dão risada com a cara inteira mas continuam com os olhos um pouco tristes e parados. E adoro que a ressaca dele não permitia muita emoção e por isso ele fechava um pouco os olhos e ficava quietinho. É impressionante como eu não gosto de ninguém mas, de vez em quando, escapa um momento, um gesto, uma pessoa perdida e linda e única. E eu fico nessa felicidade de ser uma pessoa boa e capaz dessas coisas boas.

Do meu querer

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Até quando agente vai viver a ilusão? Até quando o nosso amor vai morar numa canção? O meu coração pequeno já parou de esperar,quando é que agente vai parar de se machucar?Quando é que você vai começar a me enxergar até onde o meu amor vai poder te alimentar.Você é a minha ausência a razão do meu querer,você é tudo que sinto e não sei explicar...Eu quero o teu amor sem direção,sem regras e rancor sem condição,eu quero flutuar sobre você,eu quero teu amor,vem pra mim.Ah e quantos sonhos sem realizar,quantos desejos presos no olhar,quantas vezes te chamei na mais fria solidão,quantas promessas ditas sem pensar,quantos momentos perdidos no ar,quantas vezes eu pensei não ouvir meu coração.

Tradicional

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Mas eu sou tradicional. Sou convencional, apesar de não ser normal. Se eu me corto, eu sangro. Se bato o dedo no pé da mesa, dói. Sou uma pessoa comum. Acredito no até que a morte nos separe e também no eterno enquanto dure. Acredito que, se eu sou capaz de ser fiel, alguém mais pode ser. Acredito que eu não sou uma laranja, mas preciso da minha outra metade pra me sentir inteira. Valorizo as pequenas atitudes, assim como condeno pequenas mancadas. Sou rancorosa, guardo por anos uma coisa que me magoou de verdade. Sei perdoar. Passo por cima dos erros pra ficar junto das pessoas que eu gosto. Tenho meus limites. O primeiro deles é meu amor-próprio. Perdoo uma vez, porque errar é humano. Perdoo duas porque o ser humano é estúpido às vezes. Mas não posso viver perdoando porque isso seria incompetência minha.

A dor, sem dor

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Eu sei que é difícil . Eu sei que dói e que vai doer mais a cada dia que se passar . Eu sei que respirar sabendo que ele não é mais seu, vai doer . Sei que ouvir o nome dele, e saber que o nós virou passado vai doer . Eu sei que a vontade de ler tudo de novo, a vontade de ver fotos, conversas, momentos, vai ser maior . Eu sei que a vontade de cortar os pulsos vai ser tentadora, porque suportar uma dor externa vai parecer mais fácil que suportar a dor interna . Sei que deixar tudo de lado para se focar apenas na sua dor, vai ser uma das suas escolhas mais prazerosas, e sensatas . Mas não vale a pena . Chore tudo que você tiver que chorar . Lembre de tudo que você tiver que lembrar . Tire um dia só para falar dele . Embriague-se dele . Tenha uma overdose dele . Repita o nome dele dentro da sua cabeça mil e uma vezes . Pense nele antes de dormir, e refaça os seus diálogos . E então, no dia seguinta, acorde para uma vida nova . Deixe ele, e tudo do dia passado, ali, no passado . Não cometa o mesmo erro que eu . Não faça isso pouco a pouco . Não deixe essa dor se arrastar, não deixe isso se transformar em uma semana, em um mês, em um ano . Não prolongue o que não existe . Não faça com que o tempo da sua dor seja maior que o amor de vocês . Entende ? Não é fácil . É insuportável . É como carregar um peso de cem quilos nas costas . Mas por favor, não cometa o mesmo erro que eu . Não diga que tudo está bem quando tudo está uma grande merda . Não diga que não sofre, quando sofrimento é a única coisa que preenche o vazio que ele deixou . Não sorria fingindo uma alegria que não exista . Sofra . Sofra até que esse sofrimento te faça cair, até que esse sofrimento te corroa por completo, e pronto, chega . Não deixe que isso se torne seu ar, não deixe que seu coração bata em função disso, e nem que seus pensamentos vaguem em função disso . Passou . Daqui um ano você vai olhar pra trás e vai pensar : Caralho, como eu sofri . Como eu chorei até meus pulmões implorarem por ar . Como eu me machuquei até sentir todo meu corpo adormecido . Até não sentir nada, e ainda assim, sentir você . Como eu gritei, e em resposta só obtive o silêncio . Mas então, foda-se . Foda-se mesmo . Não vire uma masoquista, por favor . Não se engane, não negue, não esconda .. Mas quando a dor sumir, e você tiver que levantar, não escolha continuar no chão apenas para continuar com a sensação de ainda tê-lo . Porque não .. A dor não te deixa mais próximo dele . A dor não é capaz de fazer seu coração saltitar, como ele fazia . A dor não te acolhe em seus braços em noites de tormenta . A dor não te ama, como um dia ele jurou te amar . A única coisa que a dor faz, é te acompanhar durantes todos os dias . Para sempre .. Coisa que ele não foi capaz de fazer. E você, mesmo sem querer, ta aprendendo a viver sem ele . Agora, você precisa acima de tudo aprender a viver sem ela . A dor . Você precisa fazer apenas uma coisa : Reerguer-se . Sem ele . Sem dor .

Amor de verdade não acaba,é o que dizem,mas eu tenho medo

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Você não pode ir embora, não pode me deixar agora .
— Por quê ?
Porque eu não posso ficar sem você .
— Isso não é o suficiente .
— Deveria ser .

— Mas não é . Não é, porque a cada dia que passa esse sentimento cresce um pouco mais em mim . Mas eu preciso de tanta coisa que você não pode me dar .

— E do que você precisa ?
Preciso de alguém que acorde no meio da noite só pra me ver dormir, alguém que saiba me olhar nos olhos e dizer o que sente, alguém que saiba quando eu preciso de um abraço, mas que também saiba quando eu preciso ficar sozinha . Preciso de alguém que me dê um beijo na testa quando eu estiver deprimida e diga que me ama nas horas em que eu menos mereça ouvir isso . E você não é essa pessoa, e eu sinto muito, porque eu realmente queria que fosse .

Talvez eu não seja nada disso, talvez eu realmente não seja o cara que você sempre quis ao seu lado, mas eu te amo . E eu sei que agora você deve estar muito magoada, e se eu deixar você vai sair por aquela porta sem pensar duas vezes, e eu não quero que isso aconteça . Por isso eu vou te beijar, vou te beijar e ficar abraçado contigo a noite inteira . E não, eu não vou acordar no meio da noite pra te observar enquanto dorme, eu não preciso fazer isso . Eu já decorei cada milímetro do seu rosto, eu já sei com que intensidade seu coração bate e quantas vezes por minuto seu peito sobe e desce ao respirar . Por isso eu vou dormir com você nos meus braços e só vou acordar se eu tiver certeza de que ao abrir os olhos você não terá indo embora .

Você nem ligou

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Você nem ligou para dizer que me queria e que seu coração batia diferente de todos os dias . Nem ligou para saber, se eu estava viva ou morta, se minha vida estava reta ou torta . Nem ligou para me alertar que eu poderia cansar de esperar, porque você não ia voltar . Nem ligou para dizer que eu deveria soltar o celular, porque sua chamada não ia tocar . Nem ligou para dizer que não seria necessário eu por mais uma prato na mesa, porque você não ia chegar para jantar . Nem ligou para me avisar que eu deveria dormir do lado da lareira, porque você não ia mais me esquentar . Nem ligou para dizer, que eu era a mulher da sua vida . Já que você não ligou, estou aqui, mais viva do que nunca, na minha vida torta sem você, dia e noite esperando sua declaração, eu estou te aguardando aqui na porta, com o celular na mão . E seu lugar tá lá, reservado na mesa da minha cozinha, ainda não tive coragem de ir na lareira me esquentar, na esperança de você voltar, e estou aqui, congelando de tanto frio e me perguntando ' E agora? Eu sou a vida quem ? ' Você nem ligou para dizer ADEUS !

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A falta

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Sinto falta de como era abrir a porta de casa e encontrar sua blusa jogada desastrosamente em cima do sofá. Eu surtava de mil maneiras possíveis, porque eu sempre te pedia pra não fazer aquilo que tanto me irritava. Então hoje, e estes dias todos, o que eu mais queria ver era essa bendita blusa com o seu cheiro esparramada na sala. Sempre que eu abria a porta, fazia uma oração na cabeça e pedia para ter os vestigios da sua presença na entrada de casa. E tudo o que tanto me irritava em você, eu pedia cinco mil vezes em pensamento de dorzinha sufocada para ter comigo.
Se eu entrasse pela porta e visse sua blusa - aquela que quase tinha virado segunda-pele, de tanto que você usava - escancarada em qualquer lugar da sala, juro que eu não ia ter nenhum piripaque nervoso. Nem se eu encontrasse seus sapatos jogados de qualquer jeito no chão, se eu visse terra no tapete, as janelas que você deixava escancaradas mesmo após anoitecer, se eu ouvisse do outro lado da casa sua voz me provocando para brigar por coisas banais, ou a pia cheia de louça e a mesa com farelos de pão. Coisas em você que me irritavam tanto, e que eu amaria receber mesmo que em migalhas, agora.
Fecho os olhos bem forte - como quando a gente quer fazer um pedido muito especial e bonito - e peço a Deus, com fé, que quando eu girar a chave e abrir a porta a sua blusa esteja ali, perfumando a sala com o cheirinho da paz que eu tenho em você. Peço com força, e boto fé com a inocência de uma criança que acredita que pode ter tudo o que deseja se persistir e acreditar firme naquilo. Abro a porta bem devagarzinho para dar o gostinho de magia que faz morder os lábios quando de surpresa achar você e sua blusa no sofá. Não foi dessa vez. Todos os dias, o mesmo ritual. E, apesar de todos aqueles móveis, enfeites, porta-retratos, a casa parece mais vazia do que nunca. Será que o vazio, quando é grande demais, pula pra fora e se espalha por tudo?

Homem burro é como churro

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Homem burro é como churro: pode até dar água na boca quando se olha, mas mal se acaba de comer e já causa indigestão. Sem falar na culpa que bate por não termos gasto as calorias em algo mais refinado.Nunca fui fã de moços que pedem sanduíche de “mortandela”, muito menos daqueles que discutem a obra de Mohsen Makhmalbaf em oposição à de Jafar Panahi e a sua importância no cinema iraniano atual. Os dois tipos, apesar de separados por um oceano de bibliografia, sofrem de uma completa falta de noção do mundo e de quando calar a boca. Ambos, apesar das diferenças, são igualmente burros. E esse, pra mim, é o maior defeito que um homem pode ter.Pança se perde diminuindo a ingestão do barril semanal de chope. Pêlo na orelha se resolve com uma tesourinha. Mas, burrice, só nascendo de novo. Adquirir cultura até dá pra conseguir na mesma encarnação, mas não adianta nada saber tudo sobre a obra de Rachmaninoff e não perceber que boteco com os amigos não é ambiente, nem hora, de exibir os conhecimentos artísticos. Eis aqui meu ponto: a inteligência vai muito além de enfileirar conhecimentos. Um homem inteligente é aquele que sabe quando ser bocó e contar a piada dos pontinhos e a hora de virar um gentleman e usar sua cultura e panca de bom.Inteligência, nesse sentido, é um tesão. É uma delícia ser surpreendida por comentários sarcásticos, respostas inusitadas. Não saber de cor e salteado o discurso do outro, as reações. Não existe nada mais agradável do que uma pessoa cuja companhia é, mesmo depois de muito tempo, surpreendente.Um homem inteligente sabe muito bem que dois vestidinhos pretos (por mais parecidos que sejam) não têm a mesma alma. Um homem inteligente discorda sem brigar e, se for preciso, briga, mas sem transformar a noite em uma longa disputa pela razão — ele sabe que, nessas horas, ninguém tem razão.Peitão delineado e coxonas grossas são realmente apetitosos. Mas eu troco fácil um bíceps bem definido por uma conversa envolvente regada a álcool. Porque, no final, o que me excita é aquilo que está escondido não nas calças, mas por detrás daquele sorriso

Não adianta reza,promessa,nem pedido.

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Não consigo te esquecer . Já saí na sexta e voltei no domingo, procurando esconderijos, saídas que não me levassem até você . Mas não adiantou, eu via miragem sua em qualquer lugar . É como se um radar existisse dentro de mim e em qualquer lugar eu tentasse te achar . Já bebi de não lembrar nada, ou quase nada no outro dia, mas você eu sempre lembrei . Já beijei outras bocas pra ver se encontrava um beijo melhor que o seu, mas foi em vão . Procurei enlouquecidamente outro alguém que pudesse me fazer o bem que você me faz, mas não encontrei . Senti outros abraços, mas nenhum me passou a segurança que seus braços me passam . Ganhei carinho, mas nenhum era tão gostoso quanto o seu . Tentei de tudo . Mas o tudo não adiantou . O que eu faço agora ? Te procuro ou me perco no mundo ? Acho melhor arrumar um jeito de te encontrar e te fazer acreditar que você me reencontrou . Assim eu consigo dá uma ajudinha a esse destino, que nos separou

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Não me imagino vivendo sem a gente

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Você sabia exatamente quando eu estava precisando de um colo, de um ombro. Ao escutar a minha voz sabia se eu estava bem ou não, sabia à hora de falar e de calar. Conheci todos os teus tipos de olhares e sorrisos. Lembro de cada um deles. Conheci teus defeitos, tua mania de me provocar só para me deixar irritada porque você adorava me ver brava. Falávamos sobre filmes, livros e lugares do mundo que gostaríamos de conhecer. Planejávamos nosso futuro juntos, imaginávamos como seria nossa filhinha e nosso apartamento. Gostávamos de ficar jogando joguinhos bestas e ir ao cinema, comer ouro branco e ferrero rocher, era o teu preferido. Contigo aprendi a não ter medo do futuro, a não me prender ao passado, a perdoar os erros dos outros. Aprendi a perdoar os teus erros, os meus erros. Aprendi que não é coisa de criança ter medo do escuro e de trovões, aprendi que não se deve viver numa redoma de vidro, temos que sair da toca. Aprendi que não adianta, não sei desenhar mesmo! Aprendi que precisamos valorizar, todos os dias quem amamos. Falar, dizer, verbalizar, expor, escancarar... dar a cara para bater. Descobri que ser doce não significa ser grudenta, ser gentil não significa ser um capacho, ser sincera não significa ser cara-de-pau. A coisa mais importante que aprendi contigo foi o significado do sentimento mais puro e nobre que uma pessoa pode possuir por outra: o amor. Eu preciso muito te agradecer mas não tenho como, mesmo assim obrigada. Jamais vou te esquecer, parte de mim vai te amar para sempre. Sei que o nosso para sempre nunca acabará. Lembra? Eu lembro de tudo, desde o momento em que eu acordo até a hora em que vou dormir. Sinto saudades, saudades do que fomos um dia. Fomos muito, fomos muitos. Parte de mim, aquela que vai te amar para sempre, é meu todo hoje. Não me imagino vivendo sem a gente.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vai, mas fique

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Ultimamente uma coisa tem me doído muito: não penso em você mais com a mesma intensidade de antes. Bem, você deve tá se questionando, se perguntando porque isso doí se o meu maior desejo era tirar você do meu coração já que eu não podia tê-lo. Acontece que você virou minha rotina, meu hábito. Pensar em você era um vício, e confesso que isso tudo me fazia bem. As vezes pensava tanto que podia até sentir seu cheiro e sua presença. Era algo que me confortava, aquela esperança toda de que um dia você ia voltar. Você passou tanto tempo em minha vida e logo depois resolveu ir embora, simplismente partir. Não era daqueles caras que voltava atrás, se arrependia e eu amava esse jeito firme de ser apesar de que eu queria tanto que você se arrepende-se. Foi pra longe dos meus olhos, pensando que tudo ia acabar, achando que quando diziam que 'aquilo que os olhos não veêm o coração não sente' era verdade, mais esquecendo que mesmo longe dos olhos eu te tinha cada vez mais dentro do meu coração. Eu não te pedi pra voltar, em momento algum eu pedi isso. Não que eu não te amasse, mas eu amava tanto que o deixava livre. Como dizia Caio Fernando Abreu, 'amo tanto que te deixo em paz'. E agora, depois de meses e meses de pura dor, você tá querendo ir embora até do meu pensamento? Fala sério, não te basta ir só para longe dos meus olhos você também quer ir pra longe do meu coração? Pode até ir com seu cheiro, seu cabelo, sua pele, seus olhos, sua boca, seu jeito, mas por favor, não leve sua lembrança de mim. Me faça ter em quem pensar, em ter em quem amar antes que eu possa me sentir a mulher mais fria do mundo. Vá mas fique, deixa eu eternizar nossos momentos, deixa eu imaginar nós dois juntos de novo, deixa eu sofrer de amor e um segundo depois amar novamente. Vai, mas por favor, fique.

Longe de você eu enlouqueço muito mais

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Se a cada cinco minutos com você a única coisa que eu mais quero são mais cinco minutos, me explica como você pode ir embora e me deixar assim. Se a cada vez que passa a mão de leve nos pelinhos do meu braço só para vê-los arrepiados eu sinto Deus sorrir, me explica como deixar o tempo te levar de mim. São só coisas duras espalhadas por aí, coisas pontudas e sem cor que machucam, mas me deixa te cuidar. Tudo é tão extremo - mata ou salva - que ainda não aprendemos a lidar com algo que pode sangrar ferozmente como também encher de graças e aleluias ao mesmo tempo. Machuca sim, mas não mata. Ainda não deu tempo de o sol nascer, da luz nos aconchegar, e é preciso calma depois da noite escura para nos enxergarmos como realmente somos. Só preciso te mostrar o melhor que eu posso ser, então fique.
Quero mais tua boca macia na minha pele, quero mais dedos entrelaçados e conversas na varanda enquanto o fim da tarde deixa aquela brisa geladinha invadir a casa. Quero esquecer de propósito minha blusa em casa só para passear por aí com a sua e me agarrar no cheirinho do seu perfume, te encontrar a cada vez como a última chance de me arrancar uma réstia de sorriso nesse tempo tão monótono e triste. Não, não tenha medo de mergulhar na profundidade que somos nós e que eu também não conheço por enquanto, mas me deixe te levar. Não sei nadar ainda, assim como você, mas com você eu não tenho medo de afundar. Porque você é capaz de me salvar só com um olhar compreensivo quando as coisas vão mal, e segura forte a minha mão como se eu deixasse de despencar de um abismo só porque sua mão grande estivesse agarrada firme à minha. E aí eu já não tenho mais medo de cair. E se eu te ligo várias vezes no dia, e se a cada vez que ligo não consigo suportar a demora para atender, é porque preciso escutar a sua voz totalmente segura pra me dar um chão quando tudo parece desabar. Eu sei que é meio individualista isso, mas eu preciso que você me segure ou me dê um chacoalhão pra despirar um pouco a cabeça, e é por pura necessidade de quem precisa e só pode dar amor em troca. Preciso tanto te cuidar para garantir à mim mesma que estou no caminho certo e que o seu carinho não passa batido, preciso passar a mão no seu cabelo como se você ainda fosse um menino. Preciso me sentir viva e isso é coisa que só você conseguiu até hoje, então por favor, don't go away. Parece até que você é o meu ar, que controla meu coração de alguma maneira bizarra ou sei lá, só sei que longe de você eu enlouqueço um pouco mais e preciso me agarrar aos seus dedos para não cair.
Eu sei que essa necessidade toda é assustadora, mas a mais assustada da história sou eu por sentir que não consigo mais ser independente em nada. Não sei agir dessa maneira, não sei não ter controle e só sinto que tenho um pouco de paz quando visto a sua blusa ou sinto a ponta dos seus dedos nos meus braços. Ou quando você chega silencioso e me abraça forte como se entendesse a necessidade do silêncio naquele momento e conseguisse resumir tudo naquele abraço. Como se você tivesse o poder de puxar para si todas as coisas pontudas que doem de dentro de mim me envolvendo nos seus braços. E aí o mundo inteiro pode acabar, a Terceira Guerra Mundial pode começar, um vendaval pode levar nossa varanda que eu não ligo. E me sinto segura, me sinto bem, como se seus braços pudessem me proteger de tudo o que existe - dentro e fora da minha cabeça. Não vá embora. Estou aqui como criança indefesa que pede humilde um carinho um colo ou qualquer coisa que ofereça calor - então fique só mais cinco minutos. E daqui a cinco minutos, te pedirei só mais cinco.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A risada

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A risada. O que me pegou foi a risada. Ela é única, e sincera. Acho que em todas as vezes, eu a ouvi com o coração aberto, e talvez por isso seja tão bonita. É assim: ele começa a rir alto, e vai fechando os olhos devagarinho enquanto joga a cabeça para trás. E mal desconfiava enquanto eu ria junto, nem que eu não achasse graça. Eu ria só porque achava tão lindo alguém rir dessa forma tão espontânea, tão singular como era a dele. E a voz das gargalhadas só me deixava pensar "meu Deus, que delícia saber que eu tenho ele na minha vida. Não me deixe nunca perder essa risada de vista". Então ele ia voltando a cabeça para frente e olhava bem dentro dos meus olhos, com o rosto ainda todo vermelho e achando a maior alegria em coisas idiotas que não tinham a menor graça. "O que tinha graça era a risada", eu queria explicar. "O que me fazia rir era ver você sorrindo daquela maneira tão honesta", era o que eu sempre quis lhe dizer. Mas aí ele ia perder o riso e ficar com vergonha de alguém louca como eu amar tanto aquela risada. Eu nunca disse, mas o que me pegou foi a risada.
Eu queria tirar uma foto naquela hora, e emoldurar pra colocar na parede do meu quarto. Ou melhor: queria poder filmar escondido o barulho alto, que vai ficando mudo no final, só sobrando os dentes se exibindo para o mundo todo e para mim, os olhos apertados e as bochechas vermelhas. Deixar isso gravado no meu celular, no meu computador. Mas não deu tempo, não. Ficou só no coração, mesmo. E aí, depois do som da risada simpática, ele me olhava como se eu não entendesse qual era a graça, porque eu somente sorria perante aquelas gargalhadas. Não deu tempo de explicar que o sorriso leve era porque eu estava mais compenetrada em lhe filmar com meus olhos jogando devagar a cabeça para trás. E quando voltava, eu sabia de cor o próximo passo de mergulhar nos meus olhos ainda rindo. Observava enquanto contava quanto tempo demorava até eu me apaixonar mais uma vez por ele. Pelo dono da risada mais bonita do mundo. Por aquele que exibia seus dentes em um sorriso vantajoso por todas as paredes do quarto, pelas da minha alma. O barulho do riso que escancarava as portas do meu coração.
O que matou por dentro foi a risada. Na verdade, foi a falta dela. Agora escuto só em pensamento, distante, intocável. E me lembro de cada segundo daquela risada que fazia do mundo um lugar melhor de se viver. Não tem mais a jogadinha de cabeça para trás, as bochechas vermelhas, o olhar, o sorriso escancarado e sem medo. Isso sim, me dá medo. E eu nem tive tempo de explicar que o que me pegou foi o riso. Nem deu pra falar para ele que eu queria aquela risada todos os dias da minha vida. E que sempre que eu estivesse ruim, ainda quero ligar para ele e falar qualquer coisa que fizesse ele rir daquela maneira linda, só pra me dar um pouco de fé. Só pra saber que ainda existem coisas pelas quais vale a pena se reerguer. Não consegui dizer que preciso daquela risada na hora de ir dormir pra saber que o dia valeu à pena porque ele estava dentro dele. Não consegui falar que ainda espero ele voltar a cabeça para mim e ainda queria que seus olhos me procurassem. Não deu tempo de dizer que o que me pegou foi a risada.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Eu só queria que você soubesse

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Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer,a gente não devia ter vergonhado que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro,que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugide você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas,mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amore ternura que eu tinha e tenho pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém,como você existe em mim.

Do outro lado da tarde

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Não consigo ver mais que isso: essa é a lembrança. Além dela, nós conversamos durante muito tempo na chuva, até que ela parasse, e quando ela parou, você foi embora. Além disso, não consigo lembrar mais nada, embora tente desesperadamente acrescentar mais um detalhe, mas sei perfeitamente quando uma lembrança começa a deixar de ser uma lembrança para se tornar uma imaginação. Talvez se eu contasse a alguém acrescentasse ou valorizasse algum detalhe, assim como quem escreve uma história e procura ser interessante - seria bonito dizer, por exemplo, que eu sequei lentamente seus cabelos. Ou que as ruas e as árvores ficaram novas, lavadas depois da chuva. Mas não direi nada a ninguém. E quando penso, não consigo pensar construidamente, acho que ninguém consegue. Mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante. E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha, e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento. Qualquer coisa assim: depois daquela nossa conversa - depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou.

Incompreensão

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Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.

Para um menino com uma flor

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Acabo de chegar em casa e ver tudo diferente. Ainda estou fechando os olhos e tentando encontrar a parte mais quente das suas costas. Ainda estou com este riso bobo na cara, matando a saudade de ter quinze anos e uma vida linda pela frente. Pode ser mesmo que isso passe, pode ser que amanhã eu acorde e você tenha ido embora. Ainda assim, ainda que amanhã chegue para estragar tudo, poder chegar em casa e ver tudo diferente já são milhões de quilômetros rodados. Zilhões. Você não sabe, nem sonha, mas você acaba de zerar minha vida. Minha vida era acordar todos os dias e sentir aquele gosto de merda na boca. Minha vida era vestir a armadura e relembrar com dor pela milésima vez todos os últimos podres de todas as pessoas podres que passaram ultimamente pela minha vida. Você acaba de zerar tudo. Com a parte mais quente das suas costas, com o seu medo de beijo na orelha e com o seu jeito de se desculpar por falar demais e balançar os pés, você acaba de me salvar. Este texto é pra te falar uma coisa boba. É pra te pedir que não tenha medo de mim. Sabe esses textos que eu publico aqui falando putaria? Sabe esses textos falando que eu sei disso e sei daquilo? Eu não sei de nada. Eu só queria ser salva das pedras, eu só queria aprender a pegar carona nas ondas. Eu só queria que isso que eu tô sentindo agora durasse mais de uma semana. Eu só queria poder chegar em casa e ver tudo diferente. Ver tudo bonito. Ver tudo como de fato é. E você salvou minha vida. O mundo está lindo. Não tenha medo de mim. Eu só queria que esta minha vontade de perdoar o mundo durasse. Hoje eu não odiei o Bradesco, a Vivo, meus pais, o IPTU, a mulher que divide a vaga do prédio comigo, o motoqueiro que me manda ir mais para o lado, a garota que fala caipira, aquele cara que você sabe quem é. Hoje eu não odiei nada nem ninguém. Eu apenas fiquei lembrando, a cada segundo, que você se desesperou pra encontrar meu brinco de coração. Você quis encontrar meu coração pequenininho no escuro. E você encontrou. E você salvou meu dia, minha semana. E salvar meu dia já são zilhões de quilômetros. Você é meu herói. Não tenha medo deste texto. Não tenha medo da quantidade absurda de carinho que eu quero te fazer. Nem de eu ser assim e falar tudo na lata. Nem de eu não fazer charme quando simplesmente não tem como fazer. Nem de eu te beijar como se a gente tivesse acabado de descobrir o beijo. Nem de eu ter ido dormir com dor na alma o fim de semana inteiro por não saber o quanto posso te tocar. Não tenha medo de eu ser assim tão agora. Nem desse meu agora ser do tamanho do mundo. Eu estou tão cansada de assustar as pessoas. E de ser o máximo por tão pouco tempo. E de entregar tanta alma de bandeja pra tanta gente que não quer ou não sabe querer. Mas hoje eu não odeio nenhuma dessas pessoas. E hoje eu não me odeio. Hoje eu só fecho os olhos e lembro de você me pedindo sem graça para eu não deixar ninguém ocupar o lugar da minha canga. Tudo o que eu mais queria, por trás de todos esses meus textos tão modernos, sarcásticos e malandros, era de alguém que me pedisse para guardar o lugar. Tá guardado. O da canga e de todo o resto. Talvez você pense que não merece este texto. Há quanto tempo mesmo você me conhece? Algumas horas? Mas você merece sim. Hoje, depois de muito tempo, eu acordei e não me olhei no espelho. Eu não precisei confirmar se eu era bonita. Eu acordei tendo certeza. Não tenha medo. Eu sou só uma menina boba com medo da vida. Mas hoje eu não tenho medo de nada, eu apenas fecho os olhos e lembro de você me dando aquela flor velha, fazendo piada ruim às sete da manhã, me lendo no escuro mesmo com dor de cabeça. Eu posso sentir isso de novo. Que bom. Achei que eu ia ser esperta pra sempre, mas para a minha grande alegria estou me sentindo uma idiota. Sabe o que eu fiz hoje? As pazes com o Bob Marley, com o Bob Dylan e até com o ovomaltine do Bob's. As pazes com os casais que se balançam abraçados enquanto não esperam nada, as pazes com as pessoas que não sabem ver o que eu vejo. E eu só vejo você me ensinando a dar estrela. Eu só vejo você enchendo minha vida de estrelas. Se você puder, não tenha medo. Eu sou só uma menina que voltou a ver estrelas. E que repete, sem medo e sem fim, a palavra estrela no mesmo parágrafo. Estrela, estrela, estrela. Zilhões de vezes.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A primeira vez sem camisinha

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Tenho mais de trinta anos e nunca comprei camisinha na vida. Morro de vergonha. Não sei nem por onde começar. Se falo baixinho, se vou de óculos escuros, quantas peço, de qual marca. Tem mesmo esse lance de pedir pelo tamanho? Não que eu ache que camisinha seja coisa de homem. Até é, se você estiver na casa dele. Mas se você estiver na sua casa, é coisa sua. E é bom que ela esteja por perto, assim, no calor das coisas, você só dá aquela esticada no braço e pronto. Não precisa falar, perguntar, filosofar. Só os interessados em casamento e pagamento combinam o sexo. O resto simplesmente faz. Nunca comprei mas sempre tive um bom estoque em casa. Herança de alguns ex namorados e casos que me enjoaram ou se enjoaram antes delas acabarem. Até os mais pessimistas, céticos e pão duros exageram quando estão apaixonados. E até os mais otimistas, esperançosos e desapegados sabem que poucos amores duram cinco pacotes de doze unidades (até porque se durar, provavelmente, a coisa ficou séria e eu já estarei tomando pílula). Mas numa bela manhã me vi sem elas e sabia que o dia tinha chegado. Eu precisava comprar. Uma amiga minha deu a dica “compra no supermercado, no meio das coisas, que é mais fácil”. E foi o que tentei fazer. Peguei pão, peguei sucrilhos, peguei pilha palito, peguei tomate, peguei banana e fui pegando geral até chegar na seção de perfumaria e descobrir que não tinha camisinha. Como assim? Ligo pra minha amiga “vou ter que encarar uma farmácia mesmo” e ela séria, no meio de uma reunião “você tá no Pão de Açúcar da Apinagés? É que justo nesse tem que pedir num balcão separado que fica bem na entrada, vai logo que você não é criança, aliás...”. Agora era uma questão de honra. Chego no caixa. Cartão +, senhora? Não. CPF na nota, senhora? Não. Alguma coisa que a senhora não tenha encontrado? Sim. O quê? Caiiinha. Como? Ca-i-i-nha! Não entendi, senhora. Claro que não, eu estou murmurando fanha e com a voz mais baixa do universo. Me aproximo do ouvido de Rosemeire e digo “camisinha”. Ela fecha a cara e aponta o tal do balcão separado na entrada do supermercado. Antes de me arrastar até a forca e repetir o meu pedido (só que agora, para o garoto do açougue que por alguma razão da desgraça humana está cuidando do balcão de apetrechos de farmácia...ou seja: era melhor ter ido logo a uma farmácia que pelo menos era algum senhorzinho acostumado a vender de pomada pra corrimento a cauterizador de frieira e não um jovem açougueiro com o sorriso indecente que só os carnívoros passionais têm no lábio inferior), fico imóvel tentando entender a cara fechada de Rosemeire. Qual é? Posso transar não, bigoduda? Tá com inveja? Sua religião não permite? Qual é a sua, Rô? Virou minha mãe agora? Você devia era estar feliz que eu me cuido. Qual é seu problema? Mas como nada disso tem muito cabimento, desencano de entender e percebo que Rosemeire não está com a cara feia, ela só é feia mesmo. Eu é que estou inventando história complicada pra algo tão simples quanto: comprar um troço que serve pra botar em um pau que vai ficar furunfando em mim até gozar. Veja bem: tem que ser muito cara de pau pra comprar um troço desses sozinha, a luz do dia e ainda no supermercado que mamy freqüenta há anos. Gerson, o açougueiro, pergunta qual o fator do protetor solar. Eu digo 15. Não. 30. Não. 60. Tem bloqueador? Tem protetor labial? Que mais que eu preciso...que mais que eu preciso...deixa eu ver...Ah... Tem...ah...tem amiinha? Oi? A-mi-i-nha. Como? Ca-mi-si-nha! Falo alto. Gerson, o açougueiro, fecha a cara e aponta para pacotinhos de várias marcas e quantidades. Qual pacote? Quero entender a cara feia dele mas lalalalalalalalalala. Eu digo. “Eu quero esse pretinho aqui de quatro”. E aí começa o festival de atos falhos. Digo, apontando o caixa no qual Rosemeire pesa as bananas “me dá tudo que eu quero levar”. Paro alguns segundos pra resolver o que me parecem ser a únicas perguntas que realmente importam na vida de uma mulher: compro um monte pra nunca mais passar essa vergonha ou vão achar que sou uma vadia? O que Gerson e Rosemeire pensam realmente me importa? Quantas camisinhas são o suficiente pra eu não ter que voltar aqui até o próximo namoradinho mais sério que vai fazer todos os exames e merecer as pílulas? Volto para o caixa e uma fila gigante se formou. Pela cara das pessoas, tenho certeza que Rosemeire falou “galera, segura aí que aquela piranha foi pegar cinco pacotes de doze camisinhas e já volta, se é que ela ainda anda”. Estou obcecada pela cara feia das pessoas apesar de ninguém estar realmente de cara feia. Para a minha felicidade, Rô ainda não acabou de passar todas as compras e, num passe de agilidade e mágica, enfio os pacotinhos misturados com a comida e os cremes e as pilhas palitos. Acabou. Agora acabou. Eu mesma só vou ter que olhar pra essas desgraças de pacote a hora que estiver em casa, arrumando tudo. Em alguns segundos, elas sumirão pra dentro de algum saquinho vagabundo e eu poderei voltar a ser só uma simples garota que compra pilhas palito para o controle remoto do Ipod e não uma devassa loira que, acompanhada por sua vagina, faz compras descaradas enquanto senhorinhas comparam o preço do desnatado. Seria, enfim, o fim do alarme barulhento e muito vermelho que não parava de disparar no meio das minhas pernas. Olhem! Todos! Eu tenho vagina and faço uso da mesma. Olhem todos! Eu tenho uma árvore de natal em minha vagina! Mas não, não, não. Rosemeire deixa, por último, e agora sim tenho certeza que algumas pessoas riem, os pacotes de camisinha ao lado do meu cacho avantajado de bananas nanicas que (quem entende de banana sabe) quase nunca fazem jus ao nome. Num ato de desespero e exaustão, decido acabar logo com isso. É, minha gente, eu trepo mesmo. Tenho trinta anos e gosto de alguém. E sacola de fruta é sacola de fruta e sacola de perfumaria é sacola de perfumaria e vamo acabar logo com isso que ninguém aqui é criança. Eu mesma embalo, separadamente, as bananas. Tudo me parece ridículo, impróprio e sensual. Já que acho que sou agora o ser mais sexual do mundo, empino um pouco os peitos. Mas está acabando. Ufa! Estou em casa. Para meu desespero vejo que esqueci as pilhas palitos em algum lugar. Freud explica.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Primeiro amor a gente nunca esquece

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A gente sempre sonha com a possibilidade de um "felizes por enquanto", já que "felizes para sempre" anda difícil de achar. Aliás, desculpa a sinceridade e quebra de ilusões, mas não existe esse negócio de para sempre. Melhor avisar agora do que continuar com isso na cabeça. Engraçado é o primeiro amor, aonde tudo é lindo. Queremos amar todo mundo, andar pulando nas ruas, abraçar o planeta inteiro, fazer o bem, passar o dia todo abraçadinho no inverno. Usamos o "eu te amo pra sempre" diversas vezes, pensando que é verdade, inclusive. Mas não se aflinja: quem ainda não passou por isso, passará, e é natural. Eu também já disse "para sempre" muitas vezes, até virar enjoativa de tão doce o que eu sentia. Primeiro amor dá mesmo essa idéia falsa de eternidade e pisar em chão de flores, de ter o maior amor do mundo e sentir que nada mais importa. Quase sempre acaba em tragédia, típica novela mexicana de quinta. Porque o amor é tão grande, tão inocente e inofensivo, que alimentamos com as próprias mãos, ele cresce e morde a mão que o alimenta. A gente acha tudo tão puro que não esperamos um fim, e é aí que se planta a sementinha da desconfiança. Choramos, esperneamos, fazemos de tudo, nos humilhamos totalmente por uma migalhinha sequer, imploramos por um retorno ao mundo de passarinhos e borboletas coloridas que é o primeiro amor. Mas não adianta, já acabou, menina. Aí é que chega o ponto que eu queria demonstrar: você nunca mais sentirá a mesma coisa. Não é nenhuma grande tragédia, nem um alerta egoísta, mas a inocência do primeiro amor já se desfez no ar, saiu por aí feito fumaça. Quando conhecer algum carinha legal por aí, você irá analisar cada característica ínfima do pobre sujeito, e descartará com pensamentos do tipo: você é ciumento demais, careta demais, possessivo, seco demais, e isso já me fez sofrer muito anteriormente. Qualquer defeito que se assemelhe ao do primeiro amor deixa trauma, e pulamos fora sem deixar chance de algo bonito acontecer. Viramos um tanto quanto egoístas. Não tem o lance da entrega total, de pisar no escuro sem medo. A desconfiança também atormenta, gritando na cabeça que se ele chegou quinze minutos atrasado, é porque estava com outra; se anda meio abatido, é porque não gosta de você; se não está em um dia legal, é porque alguma coisa esconde; se presenteia sem motivo, tem outra na parada. A gente planta essas caraminholas na cabeça por medo de sofrer, e porque prometemos não deixar nenhum outro nos magoar como foi o primeiro amor. Damos o fora, corremos pra longe, sumimos sem dar notícia, viramos a página e fim. Não acreditamos mais em "para sempre", mas continuamos procurando um "eterno enquanto dure". Mulheres são naturalmente eternas perseguidoras, caçadoras de supostas mentiras e de um beijo na testa. Queremos um ombro largo para recostar a cabeça e uma mão para segurar ao andar na rua. Coisas pequenas que demonstram um sentimento enorme. Príncipe, castelo, felizes para sempre, nada disso existe, esqueça! Se você ainda tem seu primeiro amor em mãos, cuide dele e proteja-o, porque ele é e sempre será único na sua vida. Mas se a insegurança já adentrou, se a desconfiança já faz moradia, pise em cima delas com força. Sente em cima, e tente chegar perto de um segundo primeiro amor. É claro que igual não será, jamais, mas ainda dá tempo de ser feliz. Cuide do seu coração e do seu amor, porque no final tentar ser feliz é o que conta.

Gostar de quem gosta de mim

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Eu conheci um garoto. E ele foi o único que me fez esquecer... Aquele que segurou a minha mão e me fez sentir, pelo menos um pouco sequer, amada. Que me cobriu no frio com seu casaco e me ligou para me dar boa noite, saber se eu estava bem. Não aquele tipo de garoto pegajoso. Mas aquele garoto que te faz sentir-se bem sem ter que ficar grudado em você 24 horas por dia. E eu decidi que deveria dar uma chance ao meu coração. Seguir o teu conselho tão bem dado: gostar de quem gosta de mim.

Quando me amei de verdade

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Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável; pessoas, "amigos" que se dizem serem amigos, relacionamentos de merda com pessoas fúteis que só trazem tristezas e preocupações, tarefas, crenças, tudo e qualquer coisa que me deixasse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Mas hoje sei que se chama Amor Próprio!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Meu amor, nosso amor, sou sua, você é meu.

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Cansei de fugir e de fechar todas as portas do meu coração. Resolvi abrir as asas do sentimento e deixar todos ve-lo. Deixei que esse sentimento estenda a faixa escrita: Eu sou feliz com Você! Eu amo Você! Eu quero Você pra mim! Eu aceito! Eu não só escrevi como eu disse, disse essas palavras. Não só disse como gritei. Gritei para os quatros ventos ouvirem que Eu Te amo como eu nunca deixei de te amar. Eu te quero como minhas letras em meus valiosos textos, quero como meus pontos, parágrafos. Quero ainda mais como meu sorriso, minhas lágrimas, meu beijo, meu sexo! Não quero mais esperar nem um segundo, não quero deixar nada pra amanhã, não quero desperdiçar nenhum olhar meu ao seu, nenhuma palavra. O nosso amor está perpetuado, está escrito nas estrelas. Ele chegou até aqui com a mesma força ainda mais reforçada só pra provar que o amor pode ser verdadeiro. É, eu Te amo e não canso de dizer isso, não canso de contar os segundos, de te esperar. Não canso e nunca vou cansar de te amar.

Ei, cara, eu não tô mais disponível!

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Eu acordo e lembro dele. Pego o meu celular ao lado e vejo a foto que eu coloquei ontem só para ficar nos olhando antes de dormir. O sorriso em meu rosto entrega tudo. Minha cara de bobona sorrindo com os olhos brilhantes e cheios de amor. E de repente o mundo pára naquele momento, e nada mais faz sentido... Um cara na rua me olha e eu tenho vontade de gritar " Ei, cara, eu não tô mais disponível, saca? ". Estou amando, então me deixa me deixa em paz com a minha cara de pateta sorrindo, quase alcansando as nuvens. Queria que os meus ex namorados me vissem só pra perceberem em meu rosto que o amor que eu achava que sentia por eles não se compara nem chega aos pés deste que invade e toma conta de mim por completo...


Ainda existe muito de você aqui dentro de mim.

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Sabe um cisco no olho? Uma coisinha pequena, mas que incomoda como se fosse a areia toda da praia. É você em mim. Na sala, no quarto, no banheiro e até na cozinha tem um pedacinho seu, um pedacinho nosso. Já mandei lençóis e fronhas na lavanderia e seu cheiro tá grudado, não sái. Já rasguei diário, cartas, fotos... E até queimei Tonho, aquele ursinho de pelúcia que você me deu no dia dos namorados. Parece até que resolve, né? Passo o dia tentando me ocupar, saindo com as amigas e as vezes até vou no cinema com um carinha que acho legalzinho, mas ele não é você - eu e essa minha mania idiota de colocar defeitos em todas as pessoas novas que vão surgindo. Descobri que, além de ter todos esses pedacinhos seus pela casa, tem um em outro lugar que não dá pra mandar na lavanderia e muito menos queimar ou rasgar. Ainda existe muito de você aqui dentro de mim. Me faça uma surpresa, apareça aqui numa tarde bem chuvosa de domingo e diga que me ama e que não aguentava mais viver sem mim. Fale que me fez esperar esses meses todos por uma questão de orgulho mas que agora é pra sempre... De volta ao mundo real! Me liga só pra ouvir teu silêncio, tua respiração. Isso me bastaria e eu iria dormir pensando em você.

Bem do jeito que você é

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Tenho guardada comigo uma coisa simples, mas forte, que nem que eu queira consigo abandonar. Sim, é essa tal de fé que me faz continuar apesar de tudo. A esperança que não morre nunca, que me faz acreditar num happy end muitas vezes falho e não me deixa parar. Li uma vez uma frase da Martha Medeiros que diz a pura verdade sobre as mulheres: "a gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida". E eu acho que não vale mesmo, por isso que eu ainda não me larguei em qualquer canto dando bandeira branca. Eu não sou de conformismo, não aceito a idéia de que sapo não vira príncipe e vou continuar procurando o meu. Quero sair correndo e não precisar de ninguém, mas aí vejo seus olhos castanhos cheios de alguma coisa boa que não sei o que é, mas que vale a pena. E quer saber? Eu páro de correr. Páro e sinto vontade de voltar. E quero que você esteja ali quando eu sentir necessidade de voltar na maior vontade do mundo de querer ganhar o seu abraço. Eu vejo sua imitação pirata da carinha que o gato de botas do Shreek faz e quero largar tudo que estou fazendo, pensando e sendo. Sento em cima do meu coração esfarrapado e assisto tuas cenas, e rio e beijo com a maior serenidade do mundo. E não tô mais nem aí pra tudo o que passou, para as horas correndo. Crio coragem de sair de manhã, no frio, pra ganhar um sorriso seu de quem jurava que eu não apareceria. E esse seu olhar surpreso me vale por todos os absurdos que eu seria capaz de fazer para tê-lo. Quero não precisar mais atrair um olhar furtivo de um bonitinho na rua pra me sentir bem. Quero que não faça a mínima diferença no meu dia o carinha estiloso que me cede a vez na fila do pão com uma piscadinha e uma voz rouca gostosa de se ouvir. E não precisar de gentilezas de um desconhecido para se tapar o buraco no peito. Que nenhum elogio alheio seja necessário para arrancar um sorriso. "Mas que seja você", rezo baixinho pra Deus escutar, "que seja você quem eu estava esperando". Quero provar pra todo mundo que eu não sou maluca e que sapo pode virar príncipe e que você pode ser meu sapo. Que nós podemos dar certo, eu tenho fé nisso. Que eu só precise dos seus dedos de leve nas minhas mãos, que eu possa encostar em você e escutar as batidas do seu coração me fazendo mais forte, sem medo de parecer piegas. E só isso me baste. Que eu admire você desde a teimosia dos cabelos bagunçados até a teimosia em discordar do que eu falo e fazer aquele tipo de frescura que eu odeio - só para rir da minha cara de desprezo. Que você me faça amar a sua cara de ciumento e as mordidas na bochecha. Que seja você o dono do olhar minucioso e furtivo, que seja a sua voz a mais gostosa de se ouvir. Que seja você o carinha da panificadora, que eu goste da sua piscadinha disfarçada e que você seja a fonte dos elogios que me deixam em pé. Que eu queira morar no seu sorriso de menino faceiro, que eu me apaixone por cada fiozinho de barba do seu rosto. Que eu ame as suas safadezas com a mesma tara que você ama as minhas provocações. Que eu saiba entender que as 'patadas' e tirações de sarro provêm de mais carinho guardado do que todos os melhores beijos que eu já tenha recebido. Que você entenda a minha loucura e ansiedade em querer tudo, e que eu saiba que quando você diz "calma" bem devagarinho é para eu despirar um pouco. Porque encostar a cabeça no seu ombro e ficar respirando o cheiro do seu pescoço depois de um dia cheio foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. Mesmo escutando um "não vá dormir aí, viu? Se você dormir e babar eu saio correndo" que me fez rir por você não saber o quanto eu precisava daquilo. E ganhar caretas, sorrisos e coisas que eu não teria coragem de pedir pra mais ninguém. Dizer a minha fraqueza de gostar de carinho nas costas e sentir receio de dizer que ando com vontade de te ver. Saber que eu sinto vontade de contar pra você coisas como "tô mal hoje" e que você vai entender. Dar um furo na rotina tão cansativa pra te escutar dizendo que se eu me comportar posso até ganhar um beijo no rosto, fazendo gracinha pra tirar minha cabeça desse mundo torto. Querer te ver às onze da noite só pra contar coisas, ou ficar abraçada contigo de um jeito que ninguém mais me fez ter vontade. Brigar com o computador que não me deixa te ver na webcam, e fazer um doce pra você travar uma batalha com a internet pra me mandar um beijo e uma carinha safada mesmo morrendo de sono. Olhar bem nos seus olhos sem dizer nada, e te deixar sem graça. Conferir o celular de dez em dez minutos, receber mensagem da operadora achando que é sua - totalmente desconcertante. "Pra que seja você, pra que dê certo", eu peço. Pra que tenha marra e mãos suficientemente insistentes pra me segurar. Porque tem vezes que eu quero sair correndo de pavor. Quero brigar com você por me fazer me encantar e ficar toda boba, mas só sorrio. E sorrio porque pode ser bonito o que vier, porque você também tem medo de levar outro tombo e porque estamos e viemos da mesma. O mesmo lugar de quem fica porque não tem opção mas quer sair e encontrar alguém. A gente se esbarrou nesse lugar e quem sabe estejamos saindo juntos por essa porta. Tenho medo de te pedir coisas que te assustem, de pedir demais pra compensar a falta que tenho aqui de muito tempo. Só quero ir sendo junto com as coisas, quero mais vezes sua mão quentinha que, por mais que não seja grande, fica enorme perto da minha. E coisas banais que fazem bem, até... até não sei quando! Mas que seja tempo suficiente, pra você e pra mim. Agora fique encarando meus olhos "feios" - como você brinca - pra eu ver você sem graça mais uma vez por hoje, pra eu deixar minha cabeça cair no seu ombro em mais uma risada gostosa.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

À nossa maneira

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Eu já nem acho mais tão trágico, é até engraçado. Sabe aquelas coisas que de tão pisadas e judiadas chegam a dar vontade de rir? Parece mesmo é que pior do que o nosso amor está, não pode ficar. É quase que uma pobre de uma criança pedindo esmola na rua, o coitadinho. Coração acostumado a apanhar. E eu não coloco a culpa toda em você, de jeito nenhum - cada um tem sua parcela nessa situação. Corações mendigos, acostumados a pedir, pedir, pedir - e raramente receber. Esfarrapados, sujos, famintos. Já fui tão mordiscada e tiraram tanto pedaço de mim por aí que quero que você me dê todo o amor que me foi tirado. Quem sabe até seja por isso mesmo que ainda persistimos: estamos na mesma, meu amor. Somos do mesmo tipo de gente careta que ainda acredita no amor verdadeiro, no bem, na pureza do sentimento. O mesmo tipo de gente brega que acha gostar uma coisa bonita, que não se ilude com um corpo bonito rebolando na televisão. O tipo de gente que é out, fora de moda. Quase que feitos um para o outro, se não fôssemos essas crianças sedentas que querem descontar um no outro o mal que mundo já fez pra gente. Eu não quero só o teu olhar carinhoso, tua presença sincera, eu quero devorar sua existência e ter certeza que está aqui 24 horas por dia se eu te precisar. Quero que você precise de mim como se eu fosse seu ar, e que não tenha vergonha de me dizer isso. Quero um sentimento sensato. E se ser brega significa querer andar de mãos dadas, dormir juntinhos na rede, ganhar beijo na testa, andar abraçados na rua, dividir moletom em dia frio, eu quero muito ser brega. Mas muito mesmo! E ter direito à um amor fresco, que dê beijo de esquimó e deixe dormir no colo. Um amor que ache a coisa mais linda do mundo dormir de conchinha e dividir chinelo, que não tenha nojo de dividir escova de dente. Amor que leve pra passear, que permita te abraçar e cheirar seu pescoço na fila do cinema, que deixe mais leve mas que também tenha uma pitada de tara nas horas certas. Que tenha você em cada pensamento bonito do meu dia, que me faça olhar pela janela do quarto vezenquando só para conferir se você está ali. Quero amor bobo que dê motivo pra rir de tudo, que dê vontade de fazer coisas bregas de filme como rolar na grama, que dê vontade de bater na sua porta de madrugada pra ter certeza que não estou sozinha. Sozinha nessa, na vida, no mundo. Quero um amor que me faça ter vontade de cuidar de alguém e ser cuidada, que me faça acreditar de novo. Que faça eu me sentir viva. Que seja como respirar o ar gelado de um dia muito frio, que faz a gente ter certeza que vivemos naquele instante. Esse amor desastrado que nasceu aqui em nós é bonito demais. É egoísta, os dois lados são famintos e querem pedir sempre mais. A culpa não é nossa, porque sempre nos foi tirado então não sabemos como ter e repartir, mas tenho certeza que estamos aprendendo. É até engraçado, duas crianças que não sabem lidar com o amor. Não sabem como pegar no colo, brincar, tocar. Mas escuta, cara: nosso amor é lindo. Isso porque amor não tem vergonha, é cara-de-pau por inteiro. Amor é o que é e fim de papo, sem medo de julgamentos alheios. Simplesmente é, na cara dura. O amor não tem medo de se mostrar na rua, de exibir seus charmes e particularidades. Por isso que me orgulho desse nosso amor torto, meio careta, que ainda não sabe como dar seus passinhos. É coração mendigo, carente de afeto e que precisa de uma mão pra segurar nesses dias tão chatos. Então, sem medo de olhares alheios: vem comigo ser feliz?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Indicação para curar a alma

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Queria que amor se encontrasse na pratileira de um mercado qualquer, e pudesse encomendar o produto ao gosto do cliente com direito até a devolução.
E assim escolher o contéudo: uma xicara de carinho, fidelidade, compreensão e uma colher de sinceridade. Misturar tudo em um único pacote.
Queria também que existissem farmácias especias, daquelas que vendem remédios para alma.
Remédios que curam corações partidos e amores não correspondidos.
Ah como queria chegar nessa farmácia e pedir:
- Ei moço, me ver uma dose de desapego, outra de amor próprio e de garantia umas pílulas que curam mágoas!
Acho que ainda não descobriram que a falta de amor mata mais do que qualquer câncer. Uma palavra que escapa em um momento de raiva dói muito mais que uma surra e joelhos ralados doem menos que corações partidos.
A verdade é que os curativos para a alma estão em falta, não há remédio que cure e nem cicatriza com merthiolate.
Essa é a dura realidade, talvez as pessoas não se deram conta, ou é mas cômodo fingir.
É mais cômodo cuidar do exterior enquanto a dor que se sente lá dentro sufoca a alma lentamente.
E enquanto a mim? Eu sou apenas mas uma dessas garotas sonhadoras, que querem demais..

Ciúme

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Você está lá, perfeitamente enquadrado em meus olhos e de repente - pá! - qualquer indício de alma feminina resvalando amores e cuidados exagerados por ti me revira o estômago. E ai que ânsia de ir lá e dar uma porrada na desgraçada! Chegar diante dela e mostrar que você tá em outra, que é meu - mesmo que não seja meu, mas é um ótimo argumento pra espantar a mulherada do seu pé. Como se eu tivesse direito mesmo. Eu tenho? Me pego em caos total, perco a cabeça, e quero plantar bananeira pra ver se o sangue volta para o cérebro e eu consigo voltar a pensar racionalmente no que eu tô fazendo. Acontece que o sentir não é nem um pouco racional - a gente pode amar tanto um ricaço bonitão quanto um carinha que não tenha aparentemente nada demais, que não chame a atenção na rua mas que a gente sabe que tem um coração enorme. E é justamente desse carinha que você quer horas de conversas bobas, ganhando cafuné deitados na cama. Justamente dese talzinho que se achou no direito de invadir meu espaço quando eu tava afastando qualquer probabilidade de romance não vingativo à quilômetros de mim com pontapés. Aí ele chega, como quem não quer nada. Papo vai, papo vem, me diz que eu sou diferente das outras. E nessa conversinha clichê de repente me vejo pensando em te ligar várias vezes por dia, conferindo a cada cinco minutos o celular pra ver se você lembrou de mim em qualquer atividade rotineira do seu dia. Só por Deus, mesmo. Que anta que eu sou. E essa talzinha no seu pé não facilita em nada a minha vida. Não, não gostei mesmo. Eu sei que você quer ficar comigo, confiei nas vezes que me disse. Mas, mesmo assim, não consigo disfarçar minha compulsão em te olhar bem séria e dizer que tudo bem, que se for o caso eu me afasto, que só quero te ver bem. Aí você dá uma risada enorme, e com carinho me diz o quanto eu tô sendo boba. Até eu começo a rir e penso que tô agindo como uma idiota, e como você me deixa assim meio besta. Fico insegura e me entrego totalmente. Aí já começo a me achar imensamente burra por deixar você saber que sou meio ciumenta, e que automaticamente isso deixa claro que tenho medo de que você vá embora. Eu sei que é tolice, mas não consigo deixar de ficar apavorada com a idéia de te ver indo embora. Você, não, por favor. Todos os outros já me fizeram isso, e em todas as vezes eu virei um trapo rasgado. Não me sobrou nada de mim em mim, e eu tive que aprender a me reconstruir milhares de vezes pra tentar descobrir por que eu ainda insistia no amor. Você aparece e eu penso "é por você. Por isso que eu insistia, porque você iria chegar." Me pego bobinha da silva e me forço a te expulsar da mente e colocar um claríssimo "não-se-apegue-não-tenha-esperança" no coração. Faço bico e cruzo os braços de pura teimosia. Você chega, sorri com o rosto inteiro chegando a fazer aqueles olhos um pouco espremidos que eu amo tanto e, devagar, de leve, arranca essa fita isolante que eu coloquei no meu coração. Tchec! - e acaba a paranóia. Um beijinho na testa e eu já começo a te achar a coisa mais linda do mundo e a mais perfeita que já apareceu na minha vida. Você esquentando minhas mãos geladas no seu bolso e eu já imagino qual seria o tamanho da aliança. E eu achando tudo infinitamente perfeito e lindo, e querendo tudo exatamente do jeito que está. E me achando tão boba por ainda pensar que você poderia ir embora sendo que fica horas comigo no telefone e quer que eu te acompanhe em todos os lugares pra onde você for. Querendo me apresentar para todos os seus amigos, querendo que sua família goste de mim, que a gente viaje junto em breve. Me pego pensando em tudo isso e amando tanto - como fazia tempo que não amava nada tanto assim na minha vida. Me pego te admirando fazer pipoca e adorando sua chatice na cozinha. Te pego me olhando conversar com seus amigos e sorrir disfarçado, e sinto que tenho tudo o que queria. Então você precisa entender o meu pavor em pensar que você pode ir embora. Meu desespero quando você não atende as ligações (e ainda por cima não retorna). Meu orgulho não permite mais nenhuma tentativa de contato, e eu fico horas esperando que você se preocupe comigo. Que ligue, que queira saber se algo está errado, se eu tô bem, que me diga que quer ficar comigo pra valer. Fale que aquela lá não tem nem chance contigo, que sente minha falta e que lembra de mim quando ela te diz coisas apaixonadamente idiotas. Que você me escolheu entre milhares de pessoas sem nexo, sem sentido por aí. Que a gente se encontrou porque se precisava, porque não aguentava mais pensar só na rotina e queria pensar mais um pouco um no outro. Eu não tô acostumada em ser cuidada, então entenda meu ciúme. Mesmo que ela não seja ninguém, não consigo mais entender que me tirem mais nada - principalmente você, que me sorri e me faz querer coisas boas pra todo mundo de uma vez só. Não sei mais como é gostar, me bloqueei desde o último cara, e me prometi ser feliz sozinha. Aí chega você no seu charme grandiosamente devastador e mostra que minha felicidade indivual não chega a um quinto da nossa em conjunto. E pra não perder tudo isso eu preciso não ligar quando quero ouvir tua voz, não dizer que quando eu tava cheia de problemas no trabalho a única coisa que eu mais queria era te contar pra você me falar qualquer coisa atenciosa ou animadora. Preciso segurar meus fogos de artifício internos e não te falar que você é a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. E que, mesmo com a semana cheia, não consigo imaginar nada melhor do que o seu cheirinho depois de um dia lotado de confusões. Eu quero que você chegue, que entre, que pare com as minhas paranóias e me diga pra ficar calma mais uma vez. Que entenda a minha necessidade de te cuidar, de conversar quando tem alguma coisa errada, de querer colo quando as coisas desandam. De achar bonito andar de mãos dadas. Não ria do meu ciúme, porque eu mesma já tô me achando besta por conta própria. Me diga que eu sou tudo o que você precisava, assim como eu acredito - cegamente, encantadoramente, apaixonadamente - que você é mesmo tudo aquilo que me faltava.