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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ciume Platonico

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Não era fácil pra mim. Ninguém sabia que eu apanhava, exceto ele. E de confidente a amante foram alguns milímetros, quando me deu o primeiro beijo de despedida, meio no rosto, meio nos lábios. Entre um bandido e um mocinho, o que o mocinho tem de excitante é a coragem, contrapondo a covardia de quem bate em mulher. Ele pediu pra que eu largasse tudo, que era o tipo de morena que merecia ser amada e não empurrada na frente de amigos em sábados à noite. Me borrando de medo, troquei armas por rosas.Na primeira noite, além de beber vinho tinto direto da minha boca, ele me comeu com uma raiva de quem esperara doze meses pra que isso rolasse sem riscos. Antes da penetração ele me chupou e eu senti um medo diferente. Perguntei se ele não sentia o nojo que eu imaginava que ele pudesse sentir. Ele disse que quem amava e adorava morcilha não tinha esse tipo de nojo. E me pediu em namoro. Comemorávamos o primeiro beijo, a primeira transa, o primeiro "te amo" e o aniversário de namoro, tudo no mesmo dia. A vida de mulher de PM havia sido subtraída de mim e eu carimbada rumo à felicidade que sempre sonhei.Ele me levava na Marlúcia, minha analista, duas vezes por semana. Sabia da marca do meu iogurte e do meu medo de cebola no prato, gato preto e de ser igual minha mãe. Parei com destilados e o rivotril. Voltei a estudar. Aprendi sobre John Lennon e "On The Road". Comprei dois cachorros e pela primeira vez em cem anos, um vestido curto. Se eu acordava chorando, ele me envolvia, beijava minha testa e não fazia perguntas. Ganhei o perdão de uma velha amiga pelo sumiço. Minha vida podia agora ser contada com um álbum atulhado de fotos nossas em prainhas do litoral catarinense. Eu ainda apanhava vez ou outra, mas de brincadeirinha, pra apimentar.No sexto mês indaguei se ele já me traíra. E não gostei da resposta. Nem com Fernanda, a colega de trabalho? Com Marjorie, a prima? E com Juliana, a amiga de infância? Com Amália, a feia? Sabrina, a paraplégica? Não, não e não. Nunca. Sério? Sim. Jura? Ô. Não contente, passei a repetir o questionário diariamente em busca de uma fagulha que reavivasse minha expectativa. Paguei amigas em comum para que marcassem encontros falsos. Ele não caía, dizia amar sua morena. Criava supostos novos i-meios de conhecidas e enviava alôzinhos na esperança de um aceno carnal da parte dele. Nada, só o trivial. Vasculhava telefones, carteiras, gavetas e nucas de quadros de brick atrás de outra ou outras. Isso nunca aconteceu.Nunca soube bem o que era certo, o que era errado, não existia uma lei, um limite, uma racionalização. Mas eu amava ele demais. E ele era tão bom rapaz e todos gostavam dele tanto quanto eu. Eu não aceitava ter de dividir alguém legal. Minha mãe nunca me dissera merecer um cara bacana. Fosse ele um filhodaputa, aceitaria isso com dor e prazer. A dor que mais dói é a dor da dúvida e eu precisava de certezas muito mais do que compaixão, carinho e sexo com amor. Em pouco tempo, o PM da vida dele era eu. Transformei o sonho dele em viver comigo numa ópera-bufa.Dei de beber. Descobri que o melhor amigo dele não era tão amigo dele quanto pensava. E descobri isso na sala onde eles ensaiavam coisas do Radiohead. Fumei, cheirei, chupei, transei sem camisinha e larguei a Marlúcia de mão. Uma vez ele me pegou pelo braço e disse que eu precisava de ajuda. Mas eu só queria uns chifres que estilhaçassem aquela imagem de moço bom dele, porque se eu merecia algo nessa porra de vida era sofrer feito cadela e não de um príncipe me lambendo feito princesa. Contei tudo, meio que deixando o rosto apto a um tapa libertador ou umas verdades esquecidas.Ele só disse ter pena. Me jogou no chão, com todo cuidado de acertar as almofadas, esfregou as mãos e os braços como quem se desfaz do pó e se mandou, depois de um olhar do tipo "não-foi-isso-que-sonhei-pra-nós", por incontáveis dez segundos. Ele não soube me amar, daquilo que eu aprendi ser o amor.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A felicidade reside no cantinho da tua boca

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Eu falo é de flores. Não rosas, podem ser aquelas pequenininhas e singelas ao lado do portão da minha casa. Conto devagar pra você como foi que nos conhecemos. Falo de tomar café aninhados no chão da minha casa em reforma. Eu te lembro daquele desenho da rosa vermelha e do pedido cuidadoso para me cativar. Te falo "feliz 2011" sussurrado bem baixinho no pé do seu ouvido. Te lembro da cômica situação do chocolate negado e do banho de chuva quase tomado. Te vejo ocupando todos os espaços do meu peito.Eu falo é de mãos que se procuram, e de mãos que se encaixam - você bem sabe que algumas mãos não foram feitas para se encaixar como as nossas são. Falo de pintarmos as paredes da casa e do coração que eu desenhei na sua camisa, das horas do dia que são poucas pra matar tamanha vontade de nos vermos e nos termos mutuamente. Falo das mãos sujas de tinta que marcaram pra sempre o melhor abraço do mundo nas suas costas. Te conto como é imensa a vontade de te fazer bem. Te dou a chave - da porta lá de casa e do coração - e peço devagarzinho para que fique. Eu prometo, prometo cuidar de você. Então peço baixinho para que esses instantes que eu passo contigo também fiquem, fiquem, fiquem. E que Deus me dê a plenitude que é ver seu sorriso refletido por dentro de mim e te dê a certeza da minha felicidade transparecida pelos meus olhos - que te façam ver o quanto esse seu sorriso é precioso para mim. O quanto é gostoso te cuidar. Que é bom e ligeiramente engraçado saber que eu sou a primeira pessoa que você aninhou no seu colo. E que perceber a importância desse gesto te fez sorrir.Seguro forte a sua mão, acaricio seu rosto com a mais leve certeza de que Deus me fez te encontrar no meio das milhares de pessoas daquele lugar. Recito um poema qualquer inventado na hora e que te faça rir numa tarde comum.Roubo as horas do teu dia pra ficar bem perto na grama da pracinha e pra te ver rindo daquelas bobagens que só a gente ri. Repito baixinho pra não sumir da minha vida, te digo como tua alma é bela. Como você ilumina a minha existência. Te observo arrastando os chinelos e tenho vontade de segurar teu rosto só pra dizer como o homem que anda com os chinelos arrastando pela minha casa me faz feliz. Como saber da sua presença no cômodo ao lado me faz fechar os olhos e agradecer sorrindo. Quero mais conversa longa escutando o barulho da chuva, quero mais pedacinhos teus dentro de mim. Quero mais dessa coisa que me faz florescer inteirinha por dentro e chorar por saber como é lindo a gente ter se encontrado. Porque a gente se precisava e se encontrou no meio de tantos desencontros que acontecem por aí todos os dias.Faço cara de boba apaixonada quando vejo seu sorriso mordendo o lábio e virando o rosto para os lados; incrédulo e de olhos vibrantes pelo susto de ser tão feliz no café da manhã de domingo. Cumprimos a promessa de rezar à mãezinha Maria um pelo outro todos os dias, te ensino a cozinhar e espero o beijinho na ponta do nariz que nunca me falta. Deito de barriga por cima das suas costas, te abraço enquanto você lava a louça e quase sorrio sozinha porque você é meu melhor presente e nem imagina a grandiosidade disso. Te dou um pouquinho de paz quando você deita no meu colo pra ganhar cafuné, te espio contando para o meu pai como foi bom me conhecer. Sinto o arrepio percorrendo o corpo inteiro com a sua barba encostada na minha nuca e rio do seu ciúme bobo querendo me proteger de qualquer ameaça alheia que venha a me assolar por aí. Te abraço forte, reparo na sua paciência sorrateira em me esperar no cabelereiro, te deixo entrar aos pouquinhos na minha vida e perco um pouco do meu ar quando te encontro parado na entrada da minha aula. Repetimos o quanto é engraçado lembrar que um dia mal nos conhecíamos até um olhar de compreensão mútua dar espaço à plenitude complexa que é o momento de duas almas compartilhando o melhor de si. Parece que a gente se conhecia muito antes de se encontrar: já nos amávamos e nós é que ainda não sabíamos disso! Seguro sua mão pra nunca mais soltar. Porque você me faz sorrir e me faz sentir uma leveza estranhamente calma como se tivessem borboletas no meu estômago e como se eu fosse explodir de felicidade a qualquer momento. Meu cheiro tá no seu casaco, teus olhos estão gravados no meu peito.Eu quero, quero sim que seja você. Peço pra que você fique, já que tem aquele encanto devastador por crianças, para que um dia saiba como serão as nossas. Obrigada por você existir. Te quero, te curto, te cuido. E te amo.

Seu passado não te condena

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Não vou te adicionar no orkut. Não quero saber quem deixa recados pra você e qual o conteúdo deles. Isso é problema seu. Também não vou fuçar sua página na internet porque não quero achar assuntos que não me pertençam e acabar por interpretá-los mal. O que eu quiser saber da sua vida, vou te perguntar sem rodeios. Também não sou mulher de espionar celular. E-mail. Caixa postal. Nada disso. Não vou perguntar a ninguém sobre seu passado. Seus amores. Sua história. Prefiro que você mesmo me conte o que eu precisar saber. E, aliás, quero saber só o que você quiser me contar.Saber da sua vida pelos outros seria deixar que eles resolvessem por mim. E eu detesto que resolvam qualquer coisa por mim. E muito menos vou deixar seu passado resolver o seu futuro comigo. Taí. Detesto especulações. O que vai ser do meu futuro junto com o seu não tem como eu, nem você, nem outra pessoa qualquer saber. Só pagando pra ver. E a gente paga. Assume os riscos. Calcula o custo-benefício. E, no final, o saldo promete ser positivo.Traiu sua ex-namorada? Fugiu de casa? Jogou a outra da janela? Não me interessa. O que você vai ser comigo nunca vai ser igual ao que você foi com qualquer outra pessoa. Sabe por que? Porque eu não sou igual a qualquer outra pessoa. Por isso não quero saber. Não quero saber da sua vida o que você não quiser me contar. Não quero saber o que os outros têm pra falar de você. Se é do bem ou do mal. Se trabalha ou é vagabundo. Se é fiel ou trai a si mesmo. Deixe que eu tire minhas próprias conclusões a seu respeito. Não gosto que me digam como fazer. Meu passado não é um lençol de cetim branco. O seu não é. E atire a primeira pedra quem não tem uma manchinha negra escondidinha lá no canto.A gente tá começando do zero. Eu sou uma nova pessoa pra você, e você é esse cidadão que eu não sei ainda. E quer saber mais? Eu confio cem por cento nos meus sentimentos. E eu confio em você porque eu confio naquilo que eu senti a primeira vez que te vi. Afinal, não tinha como ser diferente. Eu te olhei e já sabia o final da história (e olha que ela mal começou). Eu te olhei e meu passado, presente e futuro passaram como um flash diante dos meus olhos. Eu não quis saber se sua boca tinha gosto de cigarro ou de chocolate. Eu não quis saber se você era rico ou pobre. Se morava na zona norte ou na zona sul (ou em outra cidade!!!). Eu não quis saber se você andava de carro ou de carruagem. Se era príncipe ou sapo. Eu só quis saber se você me queria. E então, não me faltou mais nada. Seu sorriso te entregou. Aquele cabelo liso caindo na cara e fazendo charme falou por você. E tudo que eu queria estava ali, mesmo antes de eu saber que eu queria. E eu sabia que era você. Eu já te conhecia antes de você me contar da sua vida. Eu li tudinho no fundo dos seus olhos enquanto você falava oi pela primeira vez. Eu te li sem te julgar. Por isso, insisto: eu não quero saber de onde você veio, o que você fez ou quem amou. Quero saber quem você é quando está comigo. Quero saber se quando eu colocar meu coração na sua mão, você vai segurá-lo com a mesma força que você segura minha mão. Quero saber se posso confiar em você como confio em mim mesma. Quero saber da sua vida só hoje. E do amanhã, quero saber só se você estiver comigo. Anda, diz pra mim que você vai estar!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Como amar um homem inseguro

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Alcoolizada, cercada de amigos, cheia de opiniões e feliz da vida, consegui apenas um sorriso seu. Meio sem graça, meio sem entender, ele sabia que se tratava de uma mulher, mas não tinha a menor ideia do que fazer. Eu derrubava o queixo em seu joelho, apoiava alguns dedos em sua nuca, molhava a boca toda tomando o cuidado de devolver os lábios um pouco mais entreabertos. Enfiava o decote no seu nariz. Nada. Ele continuava falando sobre bandas de rock para as quais ninguém dava o devido valor.Gay era uma opção, mas ele insistia em falar comigo, segurar timidamente meu braço, mandar mensagens fofas. Babaca era outra opção, mas o papo, apesar da obsessão por bandas ruins, era bem bom. Mau gosto era a terceira opção. E era exatamente esse o caso: ele gostava de princesinhas. O tipo de garota de unha francesinha que fica corada ao ouvir "oi". Homens inseguros são loucos por esse tipo de mulher, que exala desconhecer uma boa chupada, uma boa trepada, uma boa pegada, uma boa noitada, e uma infinidade de "adas". Essas florzinhas virginais são sopros de esperança em seus ouvidos arcaicos.O correto era desistir do rapaz e torcer para que alguma prima do interior o fizesse feliz. Mas vejam meu problema: o rapaz tinha um perfume de testosterona que percorria toda a sua coluna vertebral e o cheiro já havia estuprado meus poros. Eu precisava comer o rapaz e já estava na fase mais doentia da obsessão.Assim como homens traçam estratégias de acasalamento e inventam os mais diferentes personagens para isso, mulheres também sabem a hora de criar um perfil falso para copular com seus escolhidos. De vestido de bolinhas, sapatilha rosa e olheiras de musa inspiradora de poeta tuberculoso, fui até sua residência em um dia de profunda tristeza e solidão.Na sala de sua casa, tomei o cuidado de sentar travando as coxas. Abaixei os olhos, tentei falar de bandas ruins, me esforçando para parecer bem sem opinião a respeito de tudo. Tremi o timbre da voz e sorri sem mostrar gengivas. Mulher que mostra a gengiva quer dar. E o pior: quer dar sem medo de ser feliz.Ele sentou bem perto. Eu caminhei 2 centímetros para o outro lado. Ele sentou mais perto. Eu mordi nervosa o cantinho da unha. Ele apertou meu braço e eu, no auge de minha interpretação, corei. Eu disse a ele "não posso, eu.. e se eu ficar nervosa.. e se eu não souber e.. não, não..", e foi então que o garoto teve sua maior e mais duradoura ereção.Durante o ato, para que ele seguisse imponente e confiante, simulei dores, cansaços e tremores. Talvez eu tenha chorado, não me lembro agora. Mas certamente agi como se aquela fosse uma decisão tomada por ele. Eu era um presente para o caçador.E assim consegui. No dia seguinte, ele ligou daquele jeito meio por obrigação, querendo fazer graça e se desculpar porque não nos casaríamos em uma cerimônia para 300 talheres de ouro. Tadinhas de nós, moças enganadas.

domingo, 19 de junho de 2011

A primeira vez

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Você sempre me disse que sua maior mágoa era eu nunca ter escrito um texto sobre você. Nem que fosse te xingando, te expondo. Qualquer coisa. Você sempre foi o único homem que me amou. E eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado. Você sempre foi o único amigo que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E o único que sempre entendeu também, depois, eu dormir meio chorando porque é impossível abraçar sequer alguém, o que dirá o mundo. Outro dia eu encontrei um diário meu, de 99, e lá estava escrito “hoje eu larguei meu namorado sentado e dancei com ele no baile de formatura”. Ele, no caso, é você. Dei risada e lembrei que em todos esses anos, mesmo eu nunca tendo escrito nenhum texto para você, eu por diversas vezes larguei vários namorados meus, sentados, e dancei com você. Porque você é meu melhor companheiro de dança, mesmo sendo tímido e desajeitado. Depois encontrei uma foto em que você está com um daqueles óculos escuros espelhados de maconheiro. E eu de calça colorida daquelas “bailarina”. E nessa época você não gostava de mim porque eu era a bobinha da classe. Mas eu gostava de você porque você tinha pintas e eu achava isso super sexy. E eu me achei ridícula na foto mas senti uma coisa linda por dentro do peito. Aí lembrei que alguns anos depois, quando eu já não era mais a bobinha da classe e sim uma estagiária metida a esperta que só namorava figurões (uns babacas na verdade), você viu algum charme nisso e me roubou um beijo. Fingindo que ia desmaiar. Foi ridículo. Mas foi menos ridículo do que aquela vez, ainda na faculdade, que eu invadi seu carro e te agarrei a força. Você saiu cantando pneu e ficou quase dois anos sem falar comigo. Eu não sei porque exatamente você não mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro cd do Vinícius de Morais. Ou quando me deu aquele com historinhas de crianças para eu dormir feliz. Ou mesmo quando, já de saco cheio de eu ficar com você e com mais metade da cidade, você me deu aquele cartão postal da Amazônia com um tigre enrabando uma onça. Também não sei porque eu não escrevi um texto quando você apareceu naquela festa brega, me viu dançando no canto da mesa, e me disse a frase mais linda que eu já ouvi na minha vida “eu sei que você não gosta de mim, mas deixa eu te olhar mesmo assim”. Talvez eu devesse ter escrito um texto para você, quando eu te pedi a única coisa que não se pede a alguém que ama a gente “me faz companhia enquanto meu namorado está viajando?”. E você fez. E você me olhava de canto de olho, se perguntando porque raios fazia isso com você mesmo. Talvez porque mesmo sabendo que eu não amava você, você continuava querendo apenas me olhar. E eu me nutria disso. Me aproveitava. Sugava seu amor para sobreviver um pouco em meio a falta de amor que eu recebia de todas as outras pessoas que diziam estar comigo. Depois você começou a namorar uma menina e deixou, finalmente, de gostar de mim. E eu podia ter escrito um texto para você. Claro que eu senti ciúmes e senti uma falta absurda de você. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso. Depois eu também podia ter escrito sobre aquele dia que você me xingou até desopilar todos os cantos do seu fígado. Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente só odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim. Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invés de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre você. Até hoje. Até essa manhã. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa da sua vida cheia de coisas que não são ela. E que você usa para não sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que você deixou eu te olhar, mesmo você não gostando de mim. E foi por isso, porque você deixou de ser o menino que me amava e passou a ser só mais um que me usa, que você, assim como todos os outros, mereceu um texto meu.

É so o meu jeito

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Você já devia saber que uma garota que já deu uma bolsada na cara de alguém não está pra brincadeira. Já deveria conhecer meu tom seco e sarcástico e minha insuportável mania de falar a verdade sem me importar com o que os outros vão pensar. Sem me importar se vão continuar gostando de mim mesmo assim. E mesmo assim você me quis. Mesmo conhecendo meus defeitos mais ácidos e meu (mau) humor oscilante. Mesmo assim você pagou o preço e apostou todas as suas fichas pra ver no que ia dar. Corajoso você.Nunca precisei fingir que sou uma pessoa boa. Nunca precisei fingir que eu não to nem aí quando eu to mais aí do que aqui. Não faz meu tipo. Me esforço às vezes pra ser romântica, pra acreditar nos planos. Pra acreditar nas pessoas. Nunca chorei pra convencer. Talvez porque não faço questão de convencer. Ou, como você mesmo diz, sou direta. Fria. Seca. É. Nada disso é novidade pra ninguém. É só o meu jeito.Mas o que você não sabe é que eu nunca precisei assistir novela pra construir frases bregas. Nunca li e-mails de auto-ajuda em Power Points coloridos – que piscam, cantam e mostram imagens de santos – e ainda assim sou brega. Nunca precisei ser melosa pra ser romântica. Nunca precisei fazer esforço pra dizer que amo. Só consigo chorar se estiver triste. Não sei fazer cena. Meu personagem é o mais puro retrato de mim. Sem máscaras.Deve ser por isso que sou tão chata. Intolerante. Exigente. Dou 100% de mim e exijo o mesmo em troca. É alto o preço. Mas você – todo orgulhoso – ligou, insistiu, chegou e disse que queria pagar pra ver. E eu – confiante – disse sim, aceito. Aceitei que você ia aceitar minha chatice. Minhas “nóias” (como você diz). Aceitei trocar a boa vida de solteira pelo seu colo macio. Larguei a balada e me prendi a você. Soltei o mundo pra segurar a sua mão.Não é qualquer um que agüenta, eu bem sei. Mas você arrumou um jeito de me dobrar. Fez um origami de mim e agora eu estou na sua mão. Por você, abri uma exceção. Virei minha vida do avesso. Abri minha casa. Meu coração. Por você eu apaguei os nomes do meu celular. Esqueci os abdomens sarados. Apaguei meu passado. Por você, parei de escrever, avacalhei a rima e esqueci os versos. Por você, abandonei os outros alvos. Acertei na escolha. Larguei as festas, os riscos. Larguei a vodca com energético. Misturei amor com você.Não é nada fácil. Mas você é bom nisso. Você me amolece com suas palavras. Me suporta com esse seu jeito doce-azedinho. Você é uma pessoa boa e acha que o mundo é bom. Aprendeu a ver o mundo com seus olhos (me ensina?). E eu sou pura. Pura azedura. Puro teste de paciência com você. Testo seus nervos, sua pele, seu suor. Testo suas noites de sono. Seus sonhos. Misturo os meus com os seus. Me perco em você todo. Agora só falta a gente achar um caminho. Me ensina a falar a sua língua. Me ensina a ver o mundo bom que você quer me mostrar lá fora. A ver o que eu não vejo. Me leva pra você. Some comigo no mundo. Me coloca pra dormir e só deixa eu acordar se for do seu lado. Não me deixa sozinha nunca mais.

A verdadeira balada do amor inabalavel

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De repente, a vodca virou vinho. A festa fechou as portas. A solteira se comprometeu. A cidadã baladeira que não perdia uma festa sequer, perdeu o juízo e se jogou. Perdeu também a paciência com a amiga que fica horas descrevendo a roupa de não sei quantas cifras que ela comprou pra ir àquela super-mega-ultra-power festa do final de semana naquele super-mega-ultra-power lugar que ela já foi zilhões de vezes. A cidadã ouviu o toque de recolher.Acabou a graça de sair pra paquerar carinhas que não vão dar em nada. Acabaram as noites sem dias seguintes, os dias seguintes que ainda eram a balada da noite anterior. A cidadã não tem mais paciência pra festas regadas a saias que exibem o útero, por cabelos que exalam formol, por decotes que disputam o maior silicone, por playboys que também disputam o maior silicone, pelos silicones que disputam o carro mais caro e o cara mais barato. A música alta torrou a paciência, corrompeu os neurônios e estourou os tímpanos. Suas roupas curtas são tão curtas que não caberiam em nenhum outro lugar a não ser em festas com pessoas dopadas pela droga do momento e embaladas por música que repetem o tuntz-tuntz a noite inteira.A cidadã, que nunca teve vícios, se viciou. Se viciou em querer um cidadão só. Um cidadão que agüenta todas suas manias. Um cidadão que criou nela o hábito dele. Que viciou ela nele. E agora o vício dela é repetir ele. O vício dele. Vinte quatro horas dele. Sete dias por semana ele. Acorda, ele. Dorme, ele. Só ele.Ele faz todas as vontades dela, viaja, sua, ri, canta, toca, come, beija. Ela é a cidadã que faz a única vontade dele. Ele compra vinho, ela faz chapinha. Ele toca violão, ela canta música brega. Ele compõe, ela desafina. Ele é sol, ela é de lua. Ele quer envelhecer junto, ela quer morrer antes de envelhecer. Ele planeja o futuro, ela não tem a mínima pista de amanhã cedo. Ele paga previdência privada, ela paga depilação a laser. Ele é tudo que ela sempre quis um dia, antes mesmo de ela saber que queria. Ele quer ela, ela quer ele.A cidadã ex-baladeira-frenética-sem-rumo recolheu suas fichas e foi apostar em outro lugar. Mais seguro. Com menos risco. Mais certezas. E, por incrível que pareça, mais emoção. A cidadã prefere acordar de manhã e saber pra quem ligar do que tentar lembrar o nome da noite anterior. Prefere estar com alguém que conheça seus defeitos, que tolere suas pirraças, que a ame apesar do que ela é. Prefere saber onde está pisando.Como se preferir fosse algo que ela tivesse escolhido. Não foi. Aconteceu enquanto ela planejava um final de semana e outro. Aconteceu enquanto ela não tinha planos para o carnaval e lamentava a maldita época do ano em que os rolos mal enrolados aproveitam pra desenrolar. Aconteceu numa noite de céu estrelado e aviões que ainda voavam baixo lá em cima. Aconteceu sem que ela tivesse o mínimo controle ou pelo menos uma vaga pista do que estava fazendo. Aconteceu e ela ainda não sabe muito bem o que está fazendo. Só que, agora, se ela tiver dúvidas, ela tem pra quem perguntar. E quando ela não tiver certezas, ela ainda vai ter ele.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

AMO.

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Seria muito fácil escrever um texto de dia dos namorados pra você não fosse o fato de que você resolveu escrever um texto pra mim também. Assim não vale. Você faz isso muito melhor do que eu e sabe disso. É o seu dom. É o que você sabe fazer, como você mesmo diz. Agora fudeu. Agora vou ter que procurar palavras bonitas, tentar não rimar cão com chão e evitar exclamação. Coisa de publicitário!Quando eu lia seus textos e tentava entender o que você escrevia, antes mesmo da gente se conhecer, eu já sabia que não ia ser fácil. Quando eu te bloqueava por um mês inteiro no MSN, você nem calculava que eu ia dar muito mais trabalho do que você podia imaginar. É. O começo não foi fácil mesmo. Eu achava que fosse namorar você e continuar solteira. Você de lá e eu de cá. Tudo certo. Achei que dava pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo, afinal não era pra ser nada sério mesmo. Mas isso era só o começo.Isso foi antes de eu descobrir que você organiza as latinhas de refrigerante em linha (!!!) na geladeira. Que você é tão organizado que paga previdência privada e alinha também as almofadas em cima da cama. Que arruma a própria cama. Que arruma tudo que eu bagunço na sua vida. Que você lava as roupas coloridas separadas das brancas e separadas das escuras. Isso foi antes de eu descobrir que eu ia ser só sua. Isso foi antes de eu te conhecer. Isso foi antes de eu me apaixonar. Agora fudeu. Agora eu bagunço sua cama e você não liga. Eu deixo todas as luzes da casa acesa e você vem atrás apagando. Eu faço você assistir Sex and the City comigo – na primeira fila porque eu esqueci os óculos em casa. E você vai. Você faz tudo com o maior prazer. Faz todas as minhas vontades. Me mima. Cuida de mim. Você se preocupa se eu vou arrumar logo um emprego. Você quer me levar ao médico cada vez que eu dou um espirro diferente do normal. Você quer me levar sempre aos melhores lugares. Você faz questão que eu esteja linda. Mais porque sabe que eu me preocupo com a aparência do que por você mesmo. Por você eu poderia acordar e dormir descabelada. Você consegue me achar linda de manhã cedo e fazer eu me sentir a Gisele Bundchen. Você diz que me ama vinte vezes por dia e me faz querer passar o resto dos meus dias com você. Faz eu esquecer que era pra escrever um português bonito, sem palavrões e com tom de poesia.Agora já era. Ta tudo dominado. Você quer confiscar minha calça jeans velha que marca a bunda, estica o olho cada vez que apita uma mensagem no meu celular e liga de dez em dez minutos toda vez que eu saio de casa depois das nove da noite. E ainda reclama que eu tenho ciúme. Reclama dos meus achismos. Reclama do decote. Reclama da saudade. Reclama do tempo. Reclama de tudo só pra exercitar. Exercitar a chatura. A chatura que eu amo.Não acredito em datas comerciais. Pra mim, isso é um desculpa sem contexto pras pessoas gastarem dinheiro. E a gente, que deu pra entender de palavras, gasta texto. Eu aqui virando a noite pra colocar no papel meia dúzia de frases legais e você já no décimo sonho porque em meia hora escreve um texto que eu não escreveria nem se passasse todas as noites da minha vida em claro. Por isso prefiro passá-las com você. Pra ver se eu pego um pouco do seu talento pra mim. Pra colar uma linha de cada página que você escreve. Pra ficar admirando suas palavras. Ou simplesmente pra ficar com você mesmo. Pro resto das minhas noites.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ninguem disse que ia ser facil

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Quando alguém disser pra você que quer só seu lado bom, corra pra bem longe. É muito fácil gostar de alguém “perfeito”. É muito simples querer alguém só pra festa. Muito cômodo estar com alguém só na hora do bem-bom. Mas, na hora que o calo aperta, é que você conhece aquele com quem você faz planos pra vida.Você divide a mesma cama com alguém, traça roteiro de viagem, viaja, torra o dinheiro – que você não tem – indo e vindo, gasta seu tempo, sua juventude, suas forças. Você supera coisas que jamais pensou que fosse suportar. Você finge que não vê outras tantas e, lá pelas tantas, você vê que foi tudo em vão. Como que alguém que só te quer rindo, indo, dançando, bebendo, cantando, beijando, amando pode te amar de verdade? Cadê o “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza” e aquela história toda? Cadê o “até que a morte nos separe”?Na minha cabecinha inocente, duas pessoas que se amam deveriam formar um casal apaixonado. Daqueles que a gente vê em filme. Com direito a corridinha na beira do mar de mãos dadas e tudo mais. Com beijo romântico no pôr-do-sol. Na minha imaginação adolescente, o amor nunca perde o viço. Era só isso que eu pedia pra mim. Flores, frases, vinhos, praias, corações, edredons. Mas quem mandou eu acreditar nos filmes, nos livros, nos textos, nas palavras, nas promessas?Não entendo de morar junto, não entendo de casamento, não entendo de uma vida a dois, muito menos de amor. Mas o amor não deve ser só receber sem se dar. Se fosse, estaria à venda. E não está. Porque o outro lado não precisa de dinheiro pra amar. Só precisa amar de volta com a mesma intensidade. E o amor precisa de intensidade. De intenção. O amor não é querer o fácil só porque lhe convém.Talvez seja por isso que certos tipos de homens apreciam prostitutas. Amor enlatado. Descartável. Pra viagem. Só na hora que convier. Sexo sem tpm. Vapt-vupt. Au revoir. Enquanto o dinheiro der. Sem rachar conta de água, de luz, de telefone, de condomínio, de iptu e de restaurante. Sem dor de cabeça. Até que a próxima noite os separe. Na alegria, sem tristeza. Na saúde, com doença.Se o amor tem um preço, é este: amar vinte quatro horas por dia, sete dias por semana. Amar cem por cento. Amar por inteiro. Infinito. Sem data de validade ou prazo pra expirar. Dar sem garantias de receber nada em troca. Apostar todas as suas fichas. Ser todo. Se o amor tem um preço, um jeito, uma forma, uma fórmula. Se o amor tem jeito. Eu não sei. Eu não sou fácil, não me vendo, não aceito migalhas, não gosto de metades. Sou um império do bem e do mal. Sou erótica, sou neurótica. Sou boa, sou má. Sou biscoito de polvilho. Açúcar, sal, mousse de maracujá. Só não sou um brinquedinho. Que alguém joga no canto do quarto quando não quer mais brincar. Sou um pacote. Uma mala. Sou difícil de carregar.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Procura-se esperança desesperadamente

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Pra onde foi a minha inspiração? Cadê? Uma preguiça de acordar. Uma preguiça de tomar banho, escolher uma roupa, escolher entre bolo de chocolate e suco de laranja. Tudo parece ter o mesmo gosto falso de paliativos. De forte somente a preguiça de contar de tantas preguiças. Da cartilha do sucesso, que manda estudar, amar o que se faz e se relacionar bem, apenas amei. Nem isso faço mais. Sou uma péssima aluna. Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu. Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo. Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados. Nem que seja para fazer falta. Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal? Não existem segredos fatais: todo mundo come todo mundo por caça e infelicidade. Somos animais tristes e não seres loucos e apaixonados. Eu me enganei tanto com o ser humano que ando com preguiça de me entregar. Ninguém tem coragem pra mudar nada, ou apenas é inteligente para saber que a rotina chega de um jeito ou de outro, não adianta se mover. Pra quem faço falta e aonde me encaixo? Aonde sou útil e pra quem sou essencial? Pra onde vou e aonde descanso? Pra quem e por quem vivo? Freud mexeu três vezes no túmulo com a vontade de me dizer que devo viver por mim. Dane-se a psicanálise: é muito mais gostoso ter outrosencantamentos, além do umbigo. Não que esses encantamentos não sejam para agradar meu umbigo. Ok, fiz as pazes com Freud, que deve achar o egoísta um pouco menos doente que o depressivo. Ou não, não fiz as pazes com Freud, que acha tudo farinha do mesmo saco e nem está prestando atenção em mim. Ele é só mais um a não enxergar o alto da montanha, mesmo porque ele está embaixo da terra. Incluo Freud no meu "foda-se o mundo". Que papo é esse? A esperança desesperada por amor e reconhecimento profissional deixou escapar a cansada esperança que se assustou de desespero. Perdi meu deslumbramento, a válvula propulsora da vida que tive até aqui. Cansei de me encantar pelo difícil. Que tal um homem e um salário de verdade pra viver uma vida de verdade? Chega da miséria do sonho. Chega de idealizar uma vida com um fone no ouvido. Eu quero tocar, eu quero cair das nuvenzinhas acima da minha cabeça. Junto com meu deslumbramento, perdi boa parte de quem eu era. Boa parte tão grande que não tenho para onde ir. Sou uma sem-vida. Junto com o meu deslumbramento, perdi o rumo: quem não sonha não sabe aonde quer chegar.O sonho guia, leva longe. Mas de frustrado ele te faz retroceder alguns anos, te transforma em criança assustada. Sei disso quando durmo em posição fetal querendo ser devolvida ao quente da minha proteção primária. Freud volta a ser meu amigo. Minha esperança é que o sonho esteja apenas cansado e depois de uma boa noite retorne colorido, musicado e perfumado. Eu disse a minha esperança? Então eu ainda tenho alguma? Nem tudo está perdido. Estou deslumbrada com a vida, que te devolve à infância quando o mundo adulto atropela e fere. Lá na infância você se enche de sonhos e volta preparada para o mundo adulto, que se ocupa a frustrá-los todos novamente. Eu disse que estou deslumbrada? Não, eu não
disse, eu escrevi. Que papo é esse? Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: ando meio mal mas vou sair dessa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ao Órgão Responsável

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Caro Pênis,Tenho notado você olhando torto para mim. Às vezes, basta eu chegar e você se levanta. Por acaso, você tem algum problema pendente comigo?O fato de nós estarmos em lados opostos não nos faz inimigos. Ao contrário, guardo um espaço especial para você, dentro de mim, e seria ótimo se pudéssemos nos unir em prol de algumas novas conquistas. Os atritos, como em qualquer relação, são normais e bem-vindos.Você me acusa de ser difícil, mas não conheço personalidade mais instável que a sua. Quando eu quero conversar, você se recolhe. Quando canso de tentar, você se anima. Quando finalmente penso entender aonde você quer chegar, você se coloca numa posição diferente.Sei que a vida talvez lhe pareça mais dura, já que é de você que são cobrados rendimento e desempenho. Mas o mundo não gira em torno da sua existência como você pensa. Diria até que, nas horas mais tensas, você sempre dá um jeito de ficar de fora. Até no momento em que sua participação se faz mais necessária, a continuidade da espécie, você se limita a entrar com metade da matéria-prima e deixa o resto para lá.Dizem que eu tenho inveja de você - mas inveja de quê, afinal? Você, desculpe, está longe de ser bonito. Trabalha num ramo de atividade sem o mínimo charme: a remoção de detritos. Mora num lugar abafado, onde o sol nunca bate. Freqüenta locais escusos, de reputação duvidosa, em busca de um tipo de divertimento que já se encontra à mão, em sua própria casa. E aquele seu melhor amigo, convenhamos, é um saco.Mesmo assim, quero frisar, tenho por você imensa consideração e simpatia. Mais que isso - sempre busquei a sua aprovação de alguma forma, atrás de sinais de que estaria lhe agradando. Você, por sua vez, nem sequer disfarça seu completo egocentrismo. Fazendo-se de sonso e sumindo após satisfazer as suas necessidades.Você se diz sensível, porém jamais se preocupa com o que o outro está sentindo. Quer apenas ocupar o seu espaço e atingir as suas mesmas velhas metas de crescimento. Deveria tentar aumentar suas expectativas, ampliar seus horizontes, investir na sua cultura. Qual foi a última vez que você viu um filme decente?Sei que dificilmente vou conseguir abalar sua enorme auto-estima, mas, sob o meu ponto de vista, você não passa de um solitário, perdido em sonhos impossíveis e cercado por uma situação bastante enrolada. Acha-se o máximo, superextrovertido e revela-se um bobo alegre com pinta de seboso. Um cabisbaixo baixinho carente, o tempo todo em busca de qualquercarinho.Disponho-me a ajudá-lo, colega, caso você reconheça seus defeitos e fraquezas. Posso até te indicar um bom analista. Somente recuso-me a continuar a ser cúmplice na perpetuação de um equívoco.Você não é melhor que ninguém, temos o mesmo tamanho nesta história - de fato, se você cabe em mim, sou necessariamente maior do que você.

Mais um dia daqueles

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O peso da mão do meu namorado acordou diferente naquele dia. O que era aquilo que ele estava fazendo em mim? Carinho? Sai, me larga, não tá vendo que você está ensebando toda a minha escova e desarranjando o meu cabelo? Justo o meu cabelo. Você sabe quanto tempo leva para a franja lateral ficar do jeito que eu gosto? Você sabe o trabalho que dá ter um corte de cabelo com franja lateral? Ou você toma todo o cuidado do mundo ou acorda a cara do Chitãozinho. Que beijo no pescoço o quê? Fica aquele cheiro de cuspe depois, um horror. Ele levanta da cama bufando. Muito mais difícil do que comer uma mulher difícil é comer uma mulher num dia difícil. Os meus seios ficam lindos quando estou para menstruar, mas dessa vez ele toma um banho frio para espantar outro tipo de desejo, o de me espancar. É incontrolável te odiar hoje, meu amor, dá para entender, querido? É incontrolável não ser irônica hoje, chuchu. Na academia reparo em todas as bundas duras e fico tentando adivinhar o QI das vacas. De tanto olhar para as bundas alheias perco completamente a seqüência dos exercícios, me olho no espelho e vejo uma pata perdida no meio de bundas duras e perfeitas. Concentração, coordenação e amor-próprio inexistem nesses dias. Só há espaço para neuroses, como bundas duras e cabelos lisos. E essa professora maluca, por que fica gritando AULAAA de cinco em cinco minutos? Nós já não estamos aqui, fazendo a porra da aula? Se é para incentivar ela deveria gritar HOMENS, que é o que vamos conseguir com bundas duras. Ou então DINHEIROO, que também anima e é mais fácil conseguir com uma bunda dura. Esqueci os chinelos. Sua puta esquecida de bunda mole, como você pode esquecer o chinelo? Agora vou ter de pisar nesse chão cheio de cabelos, aiaiaiai. Agora você escolhe: ou pisa nesse chão, ou vai trabalhar sem tomar banho. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Sei lá o que fazer, assim como a memória, decisão inexiste nesses dias. Tomo banho odiando o chão que piso, sabendo que assim vou permanecer por mais três dias. No caminho ao trabalho sou tomada por uma intensa ansiedade exagerada, típica desses dias, e tenho a real impressão de que estou parada no mesmo lugar há três horas. Sentindo escorrer pela nuca um suor assassino começo a procurar o culpado pelo trânsito. Quem foi o filho-da-puta que sofreu um acidente e parou com a porra da avenida? Onde está a perua kombi clandestina que quebrou? Tomara que seja apreendida. Cadê o culpado, cadê? Motoqueiros, taxistas, playboys e tias barbeiras, qualquer um pode ser o culpado, todos são culpados. O mundo é culpado. Quero gritar, aumento o rádio. Ah, não, Djavan hoje não vai dar, vou jogar esse CD pela janela. Romance, amor, melação, só tem corno nesse mundo mesmo! Chego ao trabalho. Já entro sem dar bom-dia que é para que todos saibam que hoje não é um bom dia para mexer comigo. Já entro curvada e esbaforida que é para que vejam que estou cansada, não me venham com muito trabalho. Já entro com cara de choro que é para que me papariquem. A carência nesses dias é tão grande que cada célula do seu corpo parece estar vazia, cada ombro ganha cara de muro das lamentações e cada pessoa sentada parece ser um colo gigante para você deitar. Não vai me dar bom-dia estagiária? Não, seu idiota, não vou te dar nada, muito menos bom-dia, desista, cresça, bata uma punheta. Olho os e-mails, sempre a mesma merda: textos utópicos e babacas que acompanham imagens felizes e insuportáveis do image bank, correntes de oração pela paz que não existe e nunca existiu, ex-namorados com saudade (lê-se vontade de dar uma sem grandes investimentos) charges horrorosas da seleção, feia pra cacete, do Brasil, amigas chatas reclamando que estão se sentindo sozinhas depois que acabou a faculdade (elas que são chatas e a culpa é que acabou a faculdade), e nenhum, nenhum e-mail daquele filho-da-puta, o único e-mail que você queria receber, ele que se foda também. Mesa cheia de trabalho, cheia de contas para pagar, nada disso importa, uma espinha imensa nasceu no meio da sua testa, bem no meio, não dá nem para disfarçar com a franja lateral. O celular toca, é ele, ou melhor, é uma proposta de emprego com tudo a que se tem direito, inclusive sexo casual com o mais inteligente e charmoso da agência. Nada disso, é só a minha mãe com todo o seu amor incondicionalmente materno, aquele que é impossível de corresponder, ainda mais nesses dias. Claro que sou grossa com ela, claro que me odeio por isso depois. Almoço cercada de cigarro, as únicas pessoas que combinam com a minha alma nesses dias são as fumantes, reclamonas, estressadas, ansiosas e a um passo da morte. Elas me aturam sem notar que acabaram de exercer a tarefa mais difícil do dia. Volto pra casa chorando, claro que arrumei briga com alguém, não lembro quem foi, mas ele me paga. Claro que fui injustiçada, não lembro por quem, mas tem volta. Claro que ele não me olhou, eu não estava olhando pra ver, mas tenho quase certeza de que fui ignorada. No final do dia um alívio, consigo dormir um pouco mais em paz. Não , não foi a menstruação que chegou, foi o Thirso que saiu, foi eliminado do Big Brother Brasil , agora só falta me livrar da Cida.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O que nao tinha alma de sim

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Só quem tem o poder de te fazer sentir viva, pode fazer você se sentir morta. Só quem arrepia cada centímetro do seu corpo e faz você sentir o sangue bombear num ritmo charmoso, é capaz de estragar o mundo quando parte. Só quem tem o poder de tornar o mundo leve e fazê-la flutuar, também pode afundar sua noite e fazer com que seu corpo se arraste pelos restos que sobraram da festa. Aonde está a força de negar um desejo se enquanto ele não é saciado continua existindo? Desejos nascem, ocupam lugares interessantes do seu corpo, e não morrem antes de um formigamento exausto de prazer, uma manhã suja de arrependimentos, hálitos estragados de amargura e clicks que a vida nos dá, também chamados de momentos de verdade, que em muito se parecem com toques de mágica para você sair do estado encantado e falso da imaginação. O tempo não se encarrega de matar desejos, apenas de substituir os personagens. Você pensa que é forte sendo moralista, respirando fundo, contando até mil, sumindo da festa, rezando, desviando sua atenção, mas ele está lá, num bar com amigos, te olhando de longe. E ele continua lá mesmo depois que o táxi o levou, meio embreagado, para casa. Ele está no vazio que deixou, na dúvida de como poderia ter sido, na esperança do próximo encontro, na consciência leve pela negação e pesada pela cobrança de um tesão ainda latente. Pecados existem, não os julgados por Deus, não as pecuinhas julgadas pelos humanos. Pecados existem dentro dos corações traidores. Mas se antes meu coração ardeu e se assustou de pecados, agora ele chora de saudade, de covardia e de aceitação. Ele está puro e nem por isso tranqüilo. Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta. Você só coloca um ponto final nele se for até o fim. E o fim pode ser um simples enjôo ou, na pior das hipóteses, a morte.
Mas você viveu. Para matar um desejo é preciso viver, nem que depois você morra junto com ele. Indo embora para casa, segurei o peito, que parecia solto, e abafei uma lágrima. Como eu queria agora estar com ele. Por aquelas três horas pagas de delícias e mais meia de arrependimento na hora de se vestir. Por aqueles segundos de esquecimento, mais meses de lembrança. Por algumas palavras idiotas, mais muitas contidas para não parecer idiota. O desejo me acompanhou até em casa. Muito , muito mais forte que minha nobreza em ter dito não. Ele está lá. No seu coração, na sua mente, no cheiro que você carrega junto com seu passado. Ele está em cada batimento
cardíaco contraído da sua vagina, em cada torção contraída do seu estômado, em cada momento descontraído de seus hormônios. Você está aqui. Em cada linha que eu escrevo tentando ser boa redatora, em cada momento correto que eu me agarro para não deixar você errar, em cada provocação estratégica para você nunca desistir de insistir em errar.
Você está aonde eu quero chegar, em tudo que eu quero negar, muito presente. Não quero uma só uma escapadinha, não quero uma vida ao seu lado. Não quero nunca mais te ver. Queria ter dez minutos com você, o bastante para não mudar minha vida em nada. Quero outra vida. Não estou nem aí pra você. Só penso em você. Você é meu amigo, você é um conhecido, você foi a melhor noite da minha vida. Mais do que qualquer certeza, confusão é paixão. Quis demais que você fosse embora, quis demais que você ficasse pra sempre, quis não pensar, me agarrei numa lógica fria que berrou no meu ouvido que toda ação tem sua reação. Toda traidora tem seu dia de enganada. Toda vontade negada tem seu dia de câncer. Todo silêncio tem seu dia de grito
desesperado. Entenda cada som, de cada letra, de cada palavra, de cada frase, de cada sentença, de cada idéia carregada de desejo, como um grito de cada parte do meu corpo que ficou lacônica quando sua presença física abandonou a festa. O desejo era tanto, que travei.
Tive medo que você tirasse meus grampos e minha maquiagem, a roupa que vesti para seduzí-lo. Tive medo da hora de ir embora, a maior solidão de uma mulher é não poder dormir nos abraços do seu amado, pois ele é sua apenas por três horas. Tive medo da sua pressa, que sempre me ofende tanto. Tive medo da sua fidelidade. Você sempre me comeu muito bem, mas nunca me emprestou sem ombro, seu colo, sua mão, seu olhar carinhoso, seu suspiro, seu sono, sua fragilidade. Tive medo de ser só desejo, porque para mim sempre foi mais. Prefiro ser perseguida pelo meu desejo, que não tem dia para acabar, do que ser abandonada mais uma vez pelo seu, que dura no máximo três horas.

Soltar a mão

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Se só de escutar tua voz me falando no telefone eu choro baixinho pra você não perceber, diz como é que a gente vai ficar longe. Se eu respondo que "sim, tô meio gripada" porque o choro enrouquece a voz, diz como é que a saudade não vai sufocar cada pedacinho do que sobrou de nós. Se eu adormeço todas as noites rezando com a fé que você me ensinou a ter e com aquele seu primeiro presente entre meus dedos, me conta como é que eu vou conseguir daqui pra frente sem você. Se eu sinto frio na barriga ao fazer as coisas que a gente costumava fazer juntos, diz como é que eu faço pra não paralisar a minha vida. Se dá vontade até mesmo de deixar a louça suja na pia pra não lembrar da gente lavando juntos, conta como é que eu vou fazer as coisas daqui pra frente. Se eu não me lembro mais como era tudo antes de você, me diz como é que eu vou voltar a achar tudo bonito novamente. Se eu não escrevo mais pra não doer, se eu não sinto mais vontade de ficar na minha casa pra não sorrir sozinha por lembranças suas em cada cantinho inimaginável daqui, me conta como é eu faço pra não sentir mais vontade de sentar e chorar uma perda de um pedaço do que eu sou. Se você ir embora arranca alguma coisa vital escondida dentro de mim, fala como vai ser viver sem o que me faz sentir maravilhosamente viva. Se eu descobri como é infinitamente melhor viver dividindo o colchão e o prato de comida, conta como vai ser ver o espaço vazio ao meu lado.Se eu sinto dor no estômago por medo de te perder, me conta como é que eu vou me sentir forte daqui pra frente. Se nem filminho happy end a noite inteira faz eu me esquecer de eu sorrindo ao ver você pegando no sono no sofá da sala, me conta como é que eu não vou olhar pras almofadas vermelhas sozinhas e não me sentir inteiramente sozinha também. Se eu não consigo me desfazer nem mesmo de um bilhete rabiscado em caneta vermelha no final do meu caderno, me conta como é que se perde a memória pra aprender a ser sozinha novamente. Se eu não vejo mais graça em festa nenhuma em que eu saiba que você não estará, me conta como não afundar no travesseiro cedo da noite pra tentar esquecer. Se até no meu sonho você aparece voltando para a minha casa, me conta como é que se esquece dos seus passos sobre as pedrinhas da frente da minha casa. Se a única pessoa que pediu o seu colo até hoje fui eu, me conta em que aconchego reclinar a cabeça quando parece que tudo vai explodir. Se eu imaginei como seriam nossos filhos, me conta agora quem é que vai ser pai dos gêmeos mais lindos do mundo. Se eu não consigo arrancar de dentro de mim tudo o que é seu, me conta quem mais vai conseguir fazer isso por mim. Se eu rezo cinco vezes mais que o normal, me explica como é que se pede a Deus para não me sentir esmagada em um ponte de vidro.Se eu sinto meu coração inchar e arder, me conta como se faz pra eu não me agachar no chuveiro chorando um choro que vem de dentro da alma. Se eu tenho medo de nunca saber amar, me conta como não invejar os casais felizes que dão beijo na ponta do nariz como a gente fazia. Se eu não sinto vontade de conhecer nenhum outro cara, conta como é que eu vou fazer pra continuar inteira mesmo sem você ao meu lado. Se não tem mais você na saída da aula, conta como é que se vai dormir me sentindo a mais sortuda do mundo. Se eu sinto um nó na garganta por saber que você não vem, me diz como não calar e parecer uma estranha dentro da minha própria casa.Diz quem é que vai me preparar uma xícara de café com leite quando eu me atraso de manhã e quem é que vai deixar a minha escova de dentes com pasta em cima da pia do banheiro. Diz quem é que vai escrever "eu te amo" de pasta de dentes no espelho pela manhã e renovar os votos de namoro com os olhos cheios de lágrimas e brilhantes todos os meses do ano. Diz quem é que vai andar de mãos dadas comigo na rua e quem vai ter um abraço tão bom quanto o seu. Diz quem vai tirar as angústias do meu peito e aturar o meu mau humor repentino. Diz quem é que vai cantar pra mim e quem vai me dar segurança só de saber que está no outro cômodo da casa. Diz quem é que vai pintar um coração na sua camisa como contrato de amor até o fim da vida. Diz quem é que vai amar as minhas idiotices como você costumava fazer sempre. Diz pra quem é que eu vou contar todas aquelas bobeiras que faziam a gente rir. Diz pra quem é que eu não vou ter vergonha de fazer as nossas brincadeiras. Diz quem é que vai me acordar de manhã e dormir comigo até tarde. Diz quem é que vai merecer massagem nas costas doloridas e cafuné "para achar cabelos brancos". Diz como é que eu vou ficar sem sentir o cheiro da tua pele. Diz em qual peito mais eu vou deitar, em quais braços além dos seus eu vou me sentir à salvo. Conta qual mão mais vai se encaixar perfeitamente na minha como a sua sempre se encaixou. Diz com quem mais eu posso planejar meu futuro sem ter medo de tentar. Fala como é que se ama tanto sem sentir náuseas por não caber mais dentro de mim mesma. Fala como querer bem a você pode ser maior do que cuidar de mim. Me diz qual voz mais no mundo vai me dar um pouco de chão quando tudo vai mal. Me conta quem mais no mundo vai ter essa confiança plena que você sente por mim. Me conta pra quem mais eu vou entregar tudo o que eu tenho de mais bonito por dentro. Diz quem mais no mundo vai se conhecer da maneira como a gente se conheceu, me conta quem mais vai aceitar correr o risco que aceitamos correr. Me conta quem vai saber identificar tanto a felicidade em meio à simplicidade como nós soubemos. Conta quem mais vai se doar tanto como a gente fez. Diz quem é que vai merecer ocupar o lugar no meu peito que ainda é seu. Me conta como apagar o teu nome da minha pele, como esquecer do sorriso mais bonito do mundo. Conta como é que eu vou imaginar meus filhos sem teu nariz singular e sem os seus olhos de azul nítido. Diz como substituir o sentimento mais lindo que eu já tive por alguém por meia dúzia de palavras que cortam pela raiz o que é pra durar a vida toda. Diz como é que eu faço pra desatravancar o coração. Me conta o segredo pra eu parar de me sentir tão sua, porque nem eu consigo mais me orientar para outro caminho a não ser aonde você está. Me diz como me fazer desistir e ir embora, me conta como se faz pra fingir que não dói. Diz quem mais vai escutar "eu te amo" da minha boca, e quem mais vai chorar depois de escutar. Diz quem é que vai merecer o tamanho desse amor que eu tenho por você. Me diz como matar o choro entalado na garganta, como não ter vontade de te trazer para a minha casa e cuidar de você. Me conta como fazer um amor de verdade sobreviver em meio à falsidade toda desse mundo. Diz por que é que eu não consigo mais me sentir inteira em nada que eu faço. Me conta o que fazer com o que era teu. As coisas mais lindas dentro de mim são as tuas, os melhores sorrisos foi você quem me arrancou. Espero tua compreensão ao afirmar que a tua ausência deixa um buraco irreparável por aqui, e que tudo dói e fere quando eu estou sem você. Se te trouxer algum conforto, saiba que continuo rezando com uma fé enorme por você e por tudo o que ainda somos. Saiba que apesar dos pesares, eu continuo de pé. Fique bem, meu amor, e faça isso por mim.

Vale a pena ler isso

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Um dia, alguém vai aparecer na sua vida e tirar tudo do lugar. Mudar os seus hábitos, algumas opiniões, a sua cor preferida, os seus passeios de sexta, o seu programa de tv. Vai mudar também o primeiro pensamento ao acordar, e os sonhos de todas as noites, vai fazer você se superar a cada dia, e aprender a essência verdadeira do amor. Essa mesma pessoa vai fazer o seu pesadelo de infância mudar, e o que era o bicho papão do armário agora é o medo de vê-la partir algum dia. Essa pessoa vai também ser a razão para você estar aqui. Vai fazer você ter vontade de apresentá-la a todos, ter vontade de mostrar suas manias, levá-la aos seus lugares prediletos, vai fazer crescer em ti algo muito belo e especial, algo que você jamais sentiu. Vai fazer você sonhar acordada a viagem do ônibus do parque até a sua casa, durante o banho. Vai fazer você ficar suspirando de minuto em minuto, vai fazer você sentir paz apenas ao olhar para ela. Essa pessoa vai pegar seu mundo e virar do avesso, mas você não vai ligar, apenas vai achar tudo muito lindo, como tudo o que ela faz. Vai fazer você pensar em futuro, em construir uma família. Vai fazer você desejar sempre ser o seu melhor só para agradá-la, vai querer fazer você em pleno sábado assistir um filme reprisado na tv, apenas porque a companhia ao seu lado será ela. Essa pessoa vai te fazer crescer, te fazer vibrar a cada sorriso, e sempre vai estar ali para abraçar você caso haja quedas. Essa pessoa será seu porto seguro, aquela que você sempre esperou. Essa pessoa é o amor da vida toda.

domingo, 5 de junho de 2011

Fora do comum

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Queria que algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou o equilíbrio. Eu queria que existisse um canto do mundo que nunca me dissesse "hey, tati, você se expõe demais" e que me deixasse ser assim e apenas me deixasse ficar quietinha e quente quando o mundo resolvesse me magoar, porque eu sou briguenta, mas sou mais sensível que maria-mole na frigideira. Eu queria ir para um planeta onde não existisse tempo de beijar e tempo de pirar. E eu pudesse ir agora no seu mundo e te beijar até enjoar de você. E eu pudesse, de repente, gritar bem alto, porque me irrita esses milhares de sons tecnológicos que você faz. Para mostrar que meio mundo te procura enquanto eu não posso te procurar porque a cartilha da vovó que casou dizia que a mulher nunca pode procurar o homem se não quiser ser usada por ele. Eu queria mandar para aquele lugar a cartilha da vovó. E queria tirar essa voz do meu pai da minha cabeça, dizendo "minha filha, homem não gosta dessas coisas". Eu sei que sou exatamente o que 98% dos homens não gosta ou não sabe gostar (apesar de eles nunca me deixarem em paz). Eu falo o que penso, abro as portas da minha casa, da minha vida, da minha alma, dos meus medos. Basta eu ver um sinal de luz recíproca no final do túnel que mando minhas zilhões de luzes e cego todo o mundo. Sou demais. Ninguém entende nada. E eles adoram uma sonsa. Adoram. Mas dane-se. Um dia um louco, direto do planeta dos 2% de homens, vai aparecer. E que se dane a natureza gritando no meu ouvido que não posso ser assim. Que a boa fêmea sabe esperar nove meses, portanto deve saber esperar uma ligação ou um sinal de "pode avançar no joguinho". Eu não sei esperar nada. E a natureza gritando no meu ouvido que então, já que sou birrenta, vou ficar sem nada mesmo. Porque é preciso saber viver. Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente um monte de coisa desordenada, nosso cérebro pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa ser superequilibrada para ganhar alguma coisa da vida. Como se só por estar aqui, aturando tanta maluquice, a gente já não devesse ganhar aí um desconto para também ser louco de vez em quando. Quem é essa natureza maluca, quem é esse mundo maluco? Quem são esses doidos que exigem tanta certeza e tanta "finesse" e tanta postura da gente? E eu queria te beijar até enjoar. Porque eu só sei curar uma vontade de me entorpecer de alguém quando sugo a pessoa até a última gota. O problema é que, nesse mundo sem graça com celulares que apitam e mensagens no Messenger que apitam e policiais mentais que apitam "hey, tati, segura a onda, não deixe ele perceber que pode comandar seu coração mole", ninguém mais sabe nem sugar e nem ser sugado até a última gota. Fica uma droga de um joguinho superficial de trocas superficiais. E ai de quem resolva sair disso. Vai ser tachado de louco de pedra. Maluco. E as meninas sonsas se dando bem, e eu dormindo abraçada com o travesseiro sem dono da cama de casal. Queria que ao menos algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou o equilíbrio. E repetir e repetir e repetir o erro. E jurar que da próxima vez eu serei normal. E jurar que da próxima vez eu obedecerei a natureza, meu pai, a cartilha da vovó ou as meninas sonsas. E virar a rainha dos 98% de homens que não sabem o que fazer com uma pessoa que nem eu. E depois chutar todos eles, porque no fundo tô pouco me lixando pra essa maioria idiota. Pode até ser meio solitário correr contra a maré, mas como é gostoso olhar a multidão do outro lado e enxergar todo mundo pequenininho.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Enfim,Nos.E a Claudinha

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Foram quatro horas e cinqüenta minutos ao meu lado. E ele vai embora feliz da vida achando que conheceu alguém legal. Foram menos de cinco horas e me dá certa pena pensar nos próximos dias, meses. Talvez anos, se ele for algum tipo de corajoso, algum tipo de masoquista. Eu consegui, por hoje deu tudo certo. Fui inteligente e carinhosa durante o cinema. Depois fui engraçada e um pouco mais carinhosa durante o jantar. Na minha casa eu segui conseguindo, conseguindo ser alguém com quem se quer passar um feriado em Buenos Aires. Mas tenho certa pena do dia de hoje, tenho certa pena de como esse dia corretinho, linear e brilhante pode ser corroído pelas chuvas, calores e sujeiras. E acabar como algo disforme, fosco e fraco. Eu queria que você soubesse, meu amor, que sou dessas loucas. Dessas loucas que vai te chamar de meu amor, mesmo você estando na minha vida há apenas uma semana. Dessas loucas que vai querer te matar só de pensar que, talvez, daqui cinco anos, você me troque pela Claudinha, uma menina mais nova e sem as minhas manias insuportáveis que você ainda não conhece. E aí, mesmo eu te conhecendo há apenas uma semana, vou te odiar pelo que vou sofrer daqui a cinco anos. E vou te odiar, sobretudo, porque daqui uma semana, quando você se apaixonar pelas minhas manias insuportáveis, eu vou acreditar que você nunca vai enjoar delas. Eu sou dessas malas sem alça que vai ter ciúme dos seus amigos, dessas pessoas maravilhosas que te conhecem há muito mais tempo que eu. Essas pessoas maravilhosas que serão as primeiras a saber, daqui cinco anos, que você está comendo a vaca da Claudinha. Aliás, eles que vão te apresentar a vaca da Claudinha.Só de pensar nessa puta da Claudinha, sabe o que eu fiz assim que você saiu da minha casa ontem? Eu liguei para o Pedro. Depois para o Ricardo. Depois para o Fábio. E deixei todos de sobreaviso: ando super carinhosa, gatos. No fundo, no fundo, não tenho a menor vontade de ser carinhosa com nenhum deles. Mas sou dessas idiotas covardes que quando percebem que estão gostando de alguém, resolvem gostar de vários. Só para banalizar o sentimento. Só para descentralizar a renda. Olha eu, fazendo piadinha meio de esquerda... olha eu, escrevendo meio parecido com você e dando nomes para personagens. Eu sei que gosto de alguém quando esqueço de não gostar tanto de mim. E eu gosto de você, mesmo sabendo que você gosta de mim por pouco tempo. Ai amor, amorzinho, amoreco, moreco. Eu odeio esses carinhos, odeio. Mas falo todos eles baixinho antes de dormir, para o espaço ao lado da cama que ninguém ocupa. E eu sou um pouco mais estranha do que ser estranha permite. Sou estranha além do charme de ser estranha. Eu sou daquele tipo bizarro, que eu nem sei direito se existe, que vai te acordar, daqui a algumas semanas, chorando como se tivesse te perdido para sempre, ainda que você nem saiba direito se fez bem ou não em dormir, logo assim de cara, na minha casa. Eu sou sempre cinco anos na frente, eu já começo sofrendo com o fim, eu já tiro a roupa com o gosto meio vazio de resgatar as peças pelos cantos depois. Eu vivo o luto de tudo, antes mesmo de comprar uma roupa colorida pra curtir que você foi embora ontem, lá de casa, querendo voltar. Eu sei que você quer voltar. E eu sei que serei muito feliz por cinco anos, até a puta da Claudinha aparecer. Aquela vaca.Pensa bem, meu amor, pensa bem. Eu sou daquele tipinho baixo de mulher. Daquele tipinho que rouba o seu celular enquanto você faz seu xixi feliz da vida, achando que conheceu alguém legal. Eu sou daquele tipinho raso, que vai xeretar seu orkut, tentando descobrir o que sua ex tinha que te fez demorar tanto para aparecer na minha vida. E vou odiar toda a sua história, e vou odiar que seus amigos sejam amigos da sua ex, e vou odiar que seus amigos vão adorar contar suas histórias do passado. E vou ficar quietinha, perdida, no canto da mesa. Querendo ligar pro Ricardo, pro Fábio e pro Pedro. Não que eles sejam melhores do que você, porque não são. Mas eu preciso fugir de você ser tão legal. Porque você é definitivamente muito legal, tão legal que não vai agüentar e me largar daqui cinco anos. Inebriado pela mente menos complexa, pelo peito menos angustiado e pela bunda mais dura. Da Claudinha, claro. Sempre ela. Ainda dá tempo. Ainda dá tempo de você se libertar do meu cheiro de manga, que você gosta tanto. Ainda dá tempo de se libertar da minha neura de contar as coisas e de não encontrar razão para haver um pão pullman na fruteira. Agora tem graça, mas imagina esse mesmo cheiro de manga e essa mesma conta que soma o mundo sem nunca subtrair nenhuma tristeza daqui cinco anos? Cai fora, irmão. Cai fora. Não demora muito para eu começar a competir com você. E querer ser melhor que você. E querer isso justamente para que você nunca deixe de me admirar. Mas eu, mais uma vez, sem ter medida de nada, vou te sufocar com meu saquinho furado. Meu saquinho onde todo e qualquer amor ainda é pouco. Porque meu vazio é imenso.Já imaginou só? Já imaginou quando algum amigo seu apontar e falar: quem é aquela louca ali, berrando no meio da festa e pegando um táxi? E você vai ter de voltar sem graça, e explicar: ela se irritou porque eu peguei a última água com gás sem perguntar se ela queria. É isso o que você quer para a sua vida? É isso? Uma mulher que bebe refrigerante quente em pleno verão do Nordeste receosa pela procedência do gelo? Uma mulher que tem mais medo de vomitar do que de paraglider? Uma namoradinha meiga que a qualquer momento pode soltar 345 palavrões no seu ouvido só porque você tem mais coisa pra fazer da vida do que me idolatrar? Combinado, então? Você vai ler agora esse texto, ficar meio tristinho, afinal de contas não é todo dia que se perde uma mulher como eu, mas vai ser forte e terminar tudo. Terminar tudo e ir logo de uma vez conhecer a puta da Claudinha. Essa vaca. E aí, daqui uns cinco anos, quando você descobrir que mulher é tudo a mesma coisa, quando você estiver enjoado das manias insuportáveis da Claudinha, quem sabe algum amigo seu não me apresente a você. E quem sabe a gente não é feliz pra sempre?

Ele

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Não é a acusação infame dos meus dias de mau-humor chutando baldes adoidada. É a mão que se aproxima terna e amigável devagarinho por cima da minha durante o almoço de domingo. Não é o medo de um pesadelo que me faça quase implorar pra me acompanhar até o banheiro escuro para fazer xixi de madrugada. É o aceitar de dividir uma mesma cama no inverno mesmo correndo o risco de ter de deixar o cobertor quentinho para realizar o pequeno ato heróico de me proteger dos espíritos do filme de terror. Não é a impaciência pra esperar minha preguiça dar uma brecha e me dar coragem pra levantar de manhã. É o beijinho de "bom dia" risonho e a pergunta do "quer que eu te faça um café?" mesmo após eu ter acabado com as suas chances de uma futura esposa pró-ativa logo pela manhã. Não são as olheiras diárias por acompanhar comigo meus horários de dormir-tarde-acordar-cedo. É a demonstração irrevogalmente sincera da alegria que é presenciar minha rotina.Não é o quase acúmulo de mofo por perder um domingo inteiro tomando bebidas quentes deitados por boa parte do tempo com a chuva pendente da semana inteira caindo lá fora. É ganhar o dia todinho por dividir as sobras do jantar inesquecível da noite anterior e transformar a simplicidade em banquete - puramente por acreditar que divisão é matéria de nobreza. Não é o dia terrível que me faz resfriar e ser tomada por uma fonte inesgotável de lenços de papel por todo canto. É você me comprando remédio e fazendo compras para minha casa mesmo no frio do cão que é esta cidade desde os primeiros dias de inverno. Não é o egoísmo de nunca querer sair debaixo da água quentinha do chuveiro. É te ver cuidando do meu resfriado como um pai de primeira viagem, mesmo estando doente também. E aí eu já consigo te ver daqui a uns dez anos cuidando dos nossos filhos com a maior corujice já registrada no mundo. Te vejo embrulhando a menina na toalha depois do banho e fazendo o pão do café da manhã que o menino vai tomar antes da aula. E você ensinando a jogar futebol e a torcer para o Atlético como a glória maior passada de geração em geração. Te vejo desajeitado arrumando o cabelinho cacheado da menina que é o xodózinho do pai. E por toda essa visão do futuro já vale a pena tentar ser cada dia mais para você.Não é o atraso que nos força a sair correndo para os compromissos. São os tão preciosos cinco minutinhos a mais olhando bem dentro dos seus olhos e não desejando mais nada além disso no mundo. Não é o seu medo de alguma coisa dar errado. É a dedicação em me preparar pequenas surpresas para me conquistar todos os dias como na primeira vez. Não é o susto que eu passo a cada vez que te sinto estranho por um ciúme bobo. É amar a cada vez que eu encontro minha escova de dentes já preparada com a pasta me esperando em cima da pia. E por certas vezes também uma mensagem de pasta de dente no espelhinho do banheiro, que me lembra sempre o quanto é bom te ter na minha vida. Não é o tempo apertado, não são as tarefas domésticas que sufocam o dia. É ver o seu esforço em me ajudar em tudo pra gente poder se curtir sem permitir que o tempo passe quando chegar à noitinha. Não é por causa do vazamento do registro da torneira que me tira a calma. É a sua paciência de encontrar a peça substituta pra deixar tudo perfeito para mim. Não é o café servido no copo ao invés da caneca. É a divisão do vinho que você comprou ao meu gosto para me deixar feliz. Não é a mania de vidrar na frente de um jogo de homens disputando uma bola e um gol. É o costume de olhar pro céu noturno e sempre me falar para lembrar de enxergar a lua bonita que sorri para nós às onze da noite quando o cansaço toma corpo. Não é a teimosia de sair mal agasalhado em dias frios. É o cuidado em me cobrir de noite para que eu não sinta frio. Não é a mania de esquecer a aliança na beirada da janela depois de mexer com água. É a renovação sempre inesperada e linda quase semanal do pedido de namoro de que você tanto gosta. Não é o sono que te faz dormir no sofá. É o companheirismo de, mesmo caindo de sono, esperar meu esmalte secar para ir dormir depois.É o toque sutil e quentinho das suas mãos, é confiar nas minhas mãos para fazer a sua barba, é a delícia de se deixar descançar com a cabeça deitada enclinada no meu peito depois de um dia inteiro. São as frutas picadinhas de manhã, é a divisão de um mesmo prato, e a risada divertida ao me ver almoçando de colher. É o amor pelos meus amigos, é a acolhida na sua casa, é me dar seus chinelos e ficar sem para eu não andar descalça. É me querer por inteira, mesmo preguiçosa, meio sincera demais e por vezes meio mesquinha também. É o me amar mais do que cabe no seu peito, o me abraçar como se não me visse há uma semana e o gostar do meu cabelo mesmo quando está embolado. É o carinho de segurar minha mão, de correr atrás de mim na rua como se voltássemos à infância e o se esconder atrás da árvore fingindo que já entrou em casa e me deixou para trás. É me carregar nas costas e me pegar no colo quando eu estou ruim. É elogiar a maneira como eu me visto, me acompanhar nas compras e fingir que ainda não cansou de andar pelas lojas até eu cansar também. É fazer café para mim e armar pegadinhas pra minha irmã. É considerar minha família como sua e ficar feliz de me ouvir pedindo no pé do ouvido pra morar comigo. É sentir o coração pular e se emocionar por ler um texto meu. É estar comigo mesmo que fisicamente se torne impossível. É escrever meu nome na janela embaçada só para se ver surpreso quando encontrar as letras outro dia, quando olhe pra ela de bobeira. É ser louco, apaixonado e prometer uma vida doce. É pensar a dois e não deixar que ninguém imponha solidão nisso. É amar a conversa, o formato da boca, os olhos, o rosto, o sorriso, o tamanho das mãos e a cor do esmalte da semana. É me amar infinitamente todos os dias deixando farelos de perdão e compreensão pelo caminho. É ser incrivelmente doce mesmo que a vida lhe imponha o amargo. Só você sabe como ser você, só você mexe fundo dentro de mim. Só você sabe como fazer eu me apaixonar e ter a certeza de desejar um único homem todos os dias da minha vida.