Você era sol e eu queria luz. Era chuva e eu precisava de água. Éramos começo, novidade. O primeiro doce do pacote, a primeira mordida de uma boca com fome. E eu era faminta. Saboreava a vida como um tempero exótico. Eu era a cega que voltava a ver, e você era a primeira tonalidade. Enfim, éramos um doce. Um doce problema. Porque o problema de toda novidade é que o novo tem validade. Curta. Não importa o quanto o sentimento seja legítimo: se é novo, uma hora fica velho. Com o tempo, cria artrites, os ossos enfraquecem, e como nas pessoas, o coração falha. Às vezes entope, às vezes corre. Mas tem vezes que pára. Hoje eu quis entender porque é que o meu desacelerou. Se era antes capaz de parar o tempo, decretar a paz e jurar estabilidade, hoje negou a si mesmo. Não porque era superficial, nem porque não aguentou o tranco. Sinceramente, eu nem sei bem o por quê. Só sei que hoje eu quis um pouco mais de mim e um pouco menos de você. Não sei se chamo isso de fracasso, vulnerabilidade ou se é só uma lição pra me fazer te dar valor quando tudo não parecer mais tão seguro. Sou vulnerável às mudanças do tempo e não tenho imunidade contra o desinteresse. Ninguém tem. Ninguém que teve um brinquedo, uma música favorita ou um sentimento extraordinário saberia eternizar o impulso do início. A insatisfação, muitas vezes, é o que faz as coisas andarem. E desta vez, ela me faz andar para um lado contrário ao teu. Por mais que a contraditória aqui seja eu. Ou que as palavras tão firmes de antes hoje pareçam poeira. Se até a dona natureza, que é sábia, tem mudanças de estações, eu - que sei tão pouco de tudo - acho que também posso ter. E posso criar meu próprio tsunami se bem entender. Correndo o risco sim, de parecer volúvel. Mas nunca me entregando à mediocridade que é viver com um coração resignado. Ou de oferecer amor em um tom apagado. Se é vida o que você me propõe, considere a missão cumprida. Quanto mais inexplicável tudo parece, mais eu me sinto viva.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Desapego
Você era sol e eu queria luz. Era chuva e eu precisava de água. Éramos começo, novidade. O primeiro doce do pacote, a primeira mordida de uma boca com fome. E eu era faminta. Saboreava a vida como um tempero exótico. Eu era a cega que voltava a ver, e você era a primeira tonalidade. Enfim, éramos um doce. Um doce problema. Porque o problema de toda novidade é que o novo tem validade. Curta. Não importa o quanto o sentimento seja legítimo: se é novo, uma hora fica velho. Com o tempo, cria artrites, os ossos enfraquecem, e como nas pessoas, o coração falha. Às vezes entope, às vezes corre. Mas tem vezes que pára. Hoje eu quis entender porque é que o meu desacelerou. Se era antes capaz de parar o tempo, decretar a paz e jurar estabilidade, hoje negou a si mesmo. Não porque era superficial, nem porque não aguentou o tranco. Sinceramente, eu nem sei bem o por quê. Só sei que hoje eu quis um pouco mais de mim e um pouco menos de você. Não sei se chamo isso de fracasso, vulnerabilidade ou se é só uma lição pra me fazer te dar valor quando tudo não parecer mais tão seguro. Sou vulnerável às mudanças do tempo e não tenho imunidade contra o desinteresse. Ninguém tem. Ninguém que teve um brinquedo, uma música favorita ou um sentimento extraordinário saberia eternizar o impulso do início. A insatisfação, muitas vezes, é o que faz as coisas andarem. E desta vez, ela me faz andar para um lado contrário ao teu. Por mais que a contraditória aqui seja eu. Ou que as palavras tão firmes de antes hoje pareçam poeira. Se até a dona natureza, que é sábia, tem mudanças de estações, eu - que sei tão pouco de tudo - acho que também posso ter. E posso criar meu próprio tsunami se bem entender. Correndo o risco sim, de parecer volúvel. Mas nunca me entregando à mediocridade que é viver com um coração resignado. Ou de oferecer amor em um tom apagado. Se é vida o que você me propõe, considere a missão cumprida. Quanto mais inexplicável tudo parece, mais eu me sinto viva.
Do homem que busquei
Já parou para pensar que sou menina e sinto falta de carinho de homem ? Do homem que busquei e encontrei em você. Não coloque culpa na essência, pois nem cogito a possibilidade de querer te mudar, pois foi o teu olhar que me encantou, lembra ? Te aceitei e te quis com todos os teus pronomes, sujeitos, artigos e substantivos. E pra mim, só quis um verbo : QUERER. Bom, se você chegou até aqui e não teve vontade de me abraçar para mostrar que também me quer, eu entendo, só não me peça para transformar meu sentimento em um amor de amigo, para ficar por perto, não por enquanto. Se o teu humor não muda ao me imaginar nos braços de outro, se a vontade de me beijar não te faz me querer as vezes do teu lado e se principalmente você não se importa em abrir mão de mim, acho que chegou a hora do tal de meu conformismo chegar. Ainda acredito (ou quero acreditar) que dentro de você, assim como de mim, alguma parte lembra das horas que a gente se contava no telefone, do ciúme disfarçado em piada e dos sábados de saudade misturada com desejo e carinho. Não me deixa desistir, intercepte minha fuga e mostre que me quer também, que vale a pena lutar. Não quero ir, mas remar sozinha cansa. Não consigo simplesmente me sentar no barco de nós dois, esperando a maré do destino levar a gente para algum lugar, quando a única paisagem que importa é o teu rosto olhando para mim e na realidade o que eu vejo é você tentando sair do barco, preso por algo que mesmo agradecendo, não sei o que é, queria tanto descobrir que esse algo é o fundinho do teu coração dizendo que eu mexo com ele. Espero realmente que essa tentativa de salvamento não chegue até você como uma corrente de pressão e sim como uma ponta de esperança que insiste em não apagar e que você perceba que mesmo com intensidades tão opostas, existe um meio do nosso desejo se completar e nos satisfazer. Não desista, não desisto.
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
11:51
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Esse Texto é de
Amigas de Clarice
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Eu nao queria ser assim pra você
Desculpa, eu sei que não faz sentido te escrever agora e já faz tempo desde que esse sentido sumiu. Por minha culpa. Mas é que hoje tem tanta gente aqui e ninguém me vê... Você me viu num momento desses e é do seu olhar que eu sinto falta. Do mundo parando só pra você ser meu. Vem me buscar, me leva pra longe daqui. No caminho de lugar nenhum eu te explico sobre minha fuga e os motivos de eu decidir voltar. Eu desisto de desistir de você. Sei que eu não posso querer você só de vez em quando, nem fazer você esperar eu me apaixonar. Só fica mais um pouco. É da sua companhia que eu preciso pra respirar agora. Não precisa dizer nada. Seu silêncio é meu refúgio e você é minha madrugada fria de outono. Seu sorriso me aquece e nada mais faz sentido sem esses segundos que parecem horas quando estou presa nos seus olhos. Você já não pode ser o que eu quero. Porque você é mais que isso. Você é tudo o que eu queria merecer. Desculpa, eu sei que te incomodo ligando sem parar no seu celular pra dizer nada. Mas sua voz faz a corrida maluca do meu cérebro parar. Cura minhas náuseas da angústia de não saber. E você é tão educado, tão carinhoso. Finge que não atrapalho e pergunta se pode me ligar depois - Pode sim, querido, quantas vezes quiser - Só pra eu dizer "não era nada, dá pra você vir pra cá me ver?" e você, tão sem saber como lidar com dramas femininos, diz que tenta passar depois da academia. Eu não deixo você seguir em frente, não é? Estou sempre no seu caminho fazendo você tropeçar no passado. Esse não era o papel que eu queria, pode ter certeza. Queria fazer valer seus instantes perdidos me observando numa festa cheia e tentando entender meus enigmas. Eu sou uma decepção. Parecia tão interessante, tão cheia de luz. E agora sou essa criança que só quer agarrar você e proibir de brincar com os outros amiguinhos. Só meu, não empresto. Não desiste de mim. Por trás de tanta indecisão tem alguém que precisa de companhia mesmo fingindo que não. Tem alguém que odeia todo mundo num segundo e chora de saudades de todos no segundo seguinte. E de você principalmente. Desculpa. Eu realmente não queria ser assim pra você.
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
23:43
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Esse Texto é de
Verônica Heiss
Chorando se foi quem um dia só me fez chorar
E não pense que ele está saindo da sua vida, ou você está saindo da vida dele, na verdade, é você que está voltando para a sua vida. Não caia no papo dele de que você está perdendo por não saber esquecer o passado. É ele quem perdeu você por não lembrar de você no passado e por esquecer de te incluir no futuro. Também não deseje nada de ruim para o cafajeste, ok? A vida dele já é uma merda, imagina se você ainda pedir para ficar pior? Vai que os céus atendem seu pedido! Deixa estar. É, não tem jeito, só quando a gente perde a gente aprende a dar valor. Amando esse idiota você se perdeu, então, agora, aprenda a se dar valor!
É você, só você
E de uns dias pra cá eu tenho a sensação de que posso ser tudo, que eu posso fazer tudo . E agradeço a você . É, você ! Você quem me dá forças pra acreditar que tudo pode dar certo, que minha vida tem sim um sentido mesmo que eu não consiga achá-lo .. ou melhor, eu achei, achei você . E é você quem faz minha vida ter sentido . Nada mais . Por isso eu te agradeço, por tudo, por ser tudo, por fazer tudo .
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
11:24
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Esse Texto é de
Melissa Gomes
O frango ao gengibre do homem quase perfeito.
Eu gosto de fechar os olhos e pensar em você grelhando um filé de frango. Sabe aquele frango, que você fazia com gengibre? Leve toque de mostarda? Delicioso, picante, nem se via que era frango? Pois é, gosto de fechar os olhos e pensar em você passando ele na chapa, dourando um lado de cada vez, fazendo aquele fumacê sensual na cozinha. É uma visão meiga, me enche de paz e me faz salivar, no melhor e menos metafórico dos sentidos. Acho que percebi que você seria uma coisa estupidamente inesquecível num dia como esses em que se grelham peitos de frango às três da manhã. Lembra? Uma vez foi assim, refeição feliz na madrugada. Você estava sempre com um sorriso no rosto, mesmo com sono. Estava sempre disposto a preparar uma comidinha para alguém mesmo que a matéria prima estivesse congelada. Naquela época, o alguém era eu. Você me fez ser dessas que gostam de homens que preparam coisas. Que amassam frutas para fazer caipirinhas, parafusam buchas para colocar o pendurador de toalha, instalam fios de extensão para o DVD e assam pães de canela, tudo com o mesmo appeal. Hoje fechei os olhos e pensei em você cozinhando com aquela camiseta que eu achava curta e que você amava. Você, de camiseta curta fazendo um franguinho, e eu, disfarçando a vontade de assumir o controle do fogão e sumir com aquele trapo velho que você vestia. Fico feliz de nunca ter feito isso. Imagine, não lembrar disso, que dó? Teve aquele tempo em que a gente ainda não se conhecia. Tempo besta, o mundo era só um lugar abandonado e sem frangos. Ninguém nunca tinha grelhado nada no meio da madrugada para mim. Ainda não havia essas memórias, eu só me lembrava de coisas pouco importantes, como miojo e sucrilhos. Mas um dia, então, você resolveu que adorava o cheiro de baunilha da minha casa e os meus guardanapos desenhados. E você achava que aquele carinho que eu fazia na sua testa, perto das têmporas, era a sobremesa perfeita. Isso, somado à visão de você preparando a caipirinha, grelhando um frango e me ajudando com as buchas e parafusos de casa, foram as coisas que me fizeram crer que talvez nada mais significativo viesse, um dia, a perfumar de gengibre as minhas memórias. Você sabe... Nada como memórias que cheiram a gengibre... Agora, por exemplo, são onze da noite. Você deve estar preparando alguma coisinha para alguém. Penso na sua risada doce e vem de novo aquela certeza de que talvez você fosse o homem quase perfeito. Não fosse aquela camiseta curta e horrorosa, talvez você fosse. No melhor e menos metafórico dos sentidos.
Beijinhos da
Priscilla Estrela
às
10:47
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Esse Texto é de
Cléo Araújo
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Lembranças
As vezes me lembro dele,sem rancor, sem saudade, sem tristeza. sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. nunca mais o vi, depois que foi embora. nunca nos escrevemos. não havia mesmo o que dizer. ou havia? ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas ! é possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. é possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar — e principalmente a fingir. fingir que encontra. acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo.
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