Queria que amor se encontrasse na pratileira de um mercado qualquer, e pudesse encomendar o produto ao gosto do cliente com direito até a devolução. E assim escolher o contéudo: uma xicara de carinho, fidelidade, compreensão e uma colher de sinceridade. Misturar tudo em um único pacote. Queria também que existissem farmácias especias, daquelas que vendem remédios para alma. Remédios que curam corações partidos e amores não correspondidos. Ah como queria chegar nessa farmácia e pedir: - Ei moço, me ver uma dose de desapego, outra de amor próprio e de garantia umas pílulas que curam mágoas! Acho que ainda não descobriram que a falta de amor mata mais do que qualquer câncer. Uma palavra que escapa em um momento de raiva dói muito mais que uma surra e joelhos ralados doem menos que corações partidos. A verdade é que os curativos para a alma estão em falta, não há remédio que cure e nem cicatriza com merthiolate. Essa é a dura realidade, talvez as pessoas não se deram conta, ou é mas cômodo fingir. É mais cômodo cuidar do exterior enquanto a dor que se sente lá dentro sufoca a alma lentamente. E enquanto a mim? Eu sou apenas mas uma dessas garotas sonhadoras, que querem demais..
Você está lá, perfeitamente enquadrado em meus olhos e de repente - pá! - qualquer indício de alma feminina resvalando amores e cuidados exagerados por ti me revira o estômago. E ai que ânsia de ir lá e dar uma porrada na desgraçada! Chegar diante dela e mostrar que você tá em outra, que é meu - mesmo que não seja meu, mas é um ótimo argumento pra espantar a mulherada do seu pé. Como se eu tivesse direito mesmo. Eu tenho? Me pego em caos total, perco a cabeça, e quero plantar bananeira pra ver se o sangue volta para o cérebro e eu consigo voltar a pensar racionalmente no que eu tô fazendo. Acontece que o sentir não é nem um pouco racional - a gente pode amar tanto um ricaço bonitão quanto um carinha que não tenha aparentemente nada demais, que não chame a atenção na rua mas que a gente sabe que tem um coração enorme. E é justamente desse carinha que você quer horas de conversas bobas, ganhando cafuné deitados na cama. Justamente dese talzinho que se achou no direito de invadir meu espaço quando eu tava afastando qualquer probabilidade de romance não vingativo à quilômetros de mim com pontapés. Aí ele chega, como quem não quer nada. Papo vai, papo vem, me diz que eu sou diferente das outras. E nessa conversinha clichê de repente me vejo pensando em te ligar várias vezes por dia, conferindo a cada cinco minutos o celular pra ver se você lembrou de mim em qualquer atividade rotineira do seu dia. Só por Deus, mesmo. Que anta que eu sou. E essa talzinha no seu pé não facilita em nada a minha vida. Não, não gostei mesmo. Eu sei que você quer ficar comigo, confiei nas vezes que me disse. Mas, mesmo assim, não consigo disfarçar minha compulsão em te olhar bem séria e dizer que tudo bem, que se for o caso eu me afasto, que só quero te ver bem. Aí você dá uma risada enorme, e com carinho me diz o quanto eu tô sendo boba. Até eu começo a rir e penso que tô agindo como uma idiota, e como você me deixa assim meio besta. Fico insegura e me entrego totalmente. Aí já começo a me achar imensamente burra por deixar você saber que sou meio ciumenta, e que automaticamente isso deixa claro que tenho medo de que você vá embora. Eu sei que é tolice, mas não consigo deixar de ficar apavorada com a idéia de te ver indo embora. Você, não, por favor. Todos os outros já me fizeram isso, e em todas as vezes eu virei um trapo rasgado. Não me sobrou nada de mim em mim, e eu tive que aprender a me reconstruir milhares de vezes pra tentar descobrir por que eu ainda insistia no amor. Você aparece e eu penso "é por você. Por isso que eu insistia, porque você iria chegar." Me pego bobinha da silva e me forço a te expulsar da mente e colocar um claríssimo "não-se-apegue-não-tenha-esperança" no coração. Faço bico e cruzo os braços de pura teimosia. Você chega, sorri com o rosto inteiro chegando a fazer aqueles olhos um pouco espremidos que eu amo tanto e, devagar, de leve, arranca essa fita isolante que eu coloquei no meu coração. Tchec! - e acaba a paranóia. Um beijinho na testa e eu já começo a te achar a coisa mais linda do mundo e a mais perfeita que já apareceu na minha vida. Você esquentando minhas mãos geladas no seu bolso e eu já imagino qual seria o tamanho da aliança. E eu achando tudo infinitamente perfeito e lindo, e querendo tudo exatamente do jeito que está. E me achando tão boba por ainda pensar que você poderia ir embora sendo que fica horas comigo no telefone e quer que eu te acompanhe em todos os lugares pra onde você for. Querendo me apresentar para todos os seus amigos, querendo que sua família goste de mim, que a gente viaje junto em breve. Me pego pensando em tudo isso e amando tanto - como fazia tempo que não amava nada tanto assim na minha vida. Me pego te admirando fazer pipoca e adorando sua chatice na cozinha. Te pego me olhando conversar com seus amigos e sorrir disfarçado, e sinto que tenho tudo o que queria. Então você precisa entender o meu pavor em pensar que você pode ir embora. Meu desespero quando você não atende as ligações (e ainda por cima não retorna). Meu orgulho não permite mais nenhuma tentativa de contato, e eu fico horas esperando que você se preocupe comigo. Que ligue, que queira saber se algo está errado, se eu tô bem, que me diga que quer ficar comigo pra valer. Fale que aquela lá não tem nem chance contigo, que sente minha falta e que lembra de mim quando ela te diz coisas apaixonadamente idiotas. Que você me escolheu entre milhares de pessoas sem nexo, sem sentido por aí. Que a gente se encontrou porque se precisava, porque não aguentava mais pensar só na rotina e queria pensar mais um pouco um no outro. Eu não tô acostumada em ser cuidada, então entenda meu ciúme. Mesmo que ela não seja ninguém, não consigo mais entender que me tirem mais nada - principalmente você, que me sorri e me faz querer coisas boas pra todo mundo de uma vez só. Não sei mais como é gostar, me bloqueei desde o último cara, e me prometi ser feliz sozinha. Aí chega você no seu charme grandiosamente devastador e mostra que minha felicidade indivual não chega a um quinto da nossa em conjunto. E pra não perder tudo isso eu preciso não ligar quando quero ouvir tua voz, não dizer que quando eu tava cheia de problemas no trabalho a única coisa que eu mais queria era te contar pra você me falar qualquer coisa atenciosa ou animadora. Preciso segurar meus fogos de artifício internos e não te falar que você é a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. E que, mesmo com a semana cheia, não consigo imaginar nada melhor do que o seu cheirinho depois de um dia lotado de confusões. Eu quero que você chegue, que entre, que pare com as minhas paranóias e me diga pra ficar calma mais uma vez. Que entenda a minha necessidade de te cuidar, de conversar quando tem alguma coisa errada, de querer colo quando as coisas desandam. De achar bonito andar de mãos dadas. Não ria do meu ciúme, porque eu mesma já tô me achando besta por conta própria. Me diga que eu sou tudo o que você precisava, assim como eu acredito - cegamente, encantadoramente, apaixonadamente - que você é mesmo tudo aquilo que me faltava.
A sensação de cuidar de alguém é mesmo muito esquisita: querer tanto bem a essa pessoa que às vezes deixamos de lado a nós mesmos. E eu preciso tanto cuidar de você - porque você não se cuida. Tá sempre tão ocupado com a segurança, felicidade, tranqüilidade, paz, dos amigos. Com a minha. E eu? Faço força pra aprender a cuidar de alguém. Dedico meu tempo livre a pensar em como foi seu dia, se está cansado, se pensou em mim. Às vezes até mesmo dentro do ônibus que eu pego todos os dias, encosto um pouco a cabeça e mando meus pensamentos encontrarem os seus. Nos primeiros raios de sol, nas primeiras gotas de chuva do dia, e nas últimas também. Penso tanto em você e em como você se sente e o que você sente. Me preocupo se está sendo muito pressionado, se anda dormindo bem e se me deseja tão bem quanto eu te desejo. E nos últimos dias, tem sido esta umas das minhas principais ocupações. Não, não me leve a mal. É um dos melhores sentimentos que eu pûde ter ultimamente. Acho que não poderia gastar minhas horas de folga com coisa melhor do que esta: te cuidar até o último minuto. Até você se sentir melhor. Até você rir despreocupado. Até você querer me segurar no colo no caminho até a cozinha. Até você ficar me olhando te olhar nos olhos da vista de cima do seu peito. Até você enjoar de mim. Até você pensar que o mundo tá um lugar um pouquinho melhor de se viver porque me fez rir com uma comparação idiota sobre qualquer coisa. Até você se preocupar se eu tô feliz apesar dos nossos pesares. Mas olha, eu juro que tô aprendendo direitinho. Tô aprendendo a lidar com seu jeito de esperar que eu te ligue, de ter receio à respeito de tudo, de fingir que não liga quando eu sou a única pessoa que não sái da sua cabeça. E aprendi que você amassou seu amor feito bolinha de papel só pra parecer um pouco menor e não me assustar tanto com a sua necessidade de alguém que te olhe enquanto você atravessa a rua. Pra eu não querer sair correndo com o tamanho do buraco que cresceu no seu peito. Mas você não sabe, não. Não sabe que viemos do mesmo lugar, e que meu buraco talvez seja incrivelmente do tamanho do seu. E do mesmo jeito eu sinto minha necessidade imensamente maior que a tua. E essa mania de querer diminuir o coração pra não dar medo nos outros é minha, viu? Quanto mais você me olha, mais eu quero ser olhada. E quanto mais você me cuida, sinto mais forte que preciso te cuidar - pra me sentir bem, pra te sentir bem. E quanto mais piadas idiotas você faz, mais eu quero rir delas. Quanto mais você ri dos seus pensamentos secretos, daquela sua maneira de gargalhar espremendo os olhos, mais eu quero te descobrir. E quanto mais você prefere que eu tome cuidado pra você não me machucar - por descuido, por falta de tempo, pelo seu jeito fingindo não ligar - mais eu quero acreditar na gente. Porque eu acredito em você, acredito nos seus sonhos e acredito que você me faz querer ser melhor. Porque quando você ri descuidado, sem perceber o quanto eu admiro tua risada, eu pinto estrelinhas por todas as paredes do quarto e da alma. E quando você entrelaça seus dedos nos meus me dá vontade de grudar com super bonder pra garantir que você nunca vai me largar. Porque faltando cinco minutos pra gente se despedir, o coração já se aperta de uma saudade besta antecipada. Sempre. E quando você me aperta junto de você, eu sinto teu coração tão judiado querendo acompanhar o ritmo do meu, querendo saber me acompanhar. E te cuido, te olho, te beijo. E sinto saudade sem te ver por dias, mas contando cada dia como um a menos para te ver, e não como um a mais sem te ver. Sou ansiosa, maluca, pirada, preocupada, e você adora meu jeito de levar a vida. Eu quero tanto, mas tanto cuidar de você. Quero muito te fazer rir no meio da tarde chata de domingo, escutar como foi seu dia e aquela prova em que você não sabia nada. Sobre os trabalhos atrasados e em como queria me ver ao invés de estar entre tantos papéis na frente do computador. Quero saber que o seu cuidar consiste mais em se preocupar do que em telefonar, procurar. Eu sei disso. É um cuidar de longe, sem querer se intrometer. E te dizer que te admiro pra caramba, admiro teu jeito protetor comigo e com quem você ama, e por isso cuido de você. Porque às vezes você cuida tanto dos outros que falta um pouquinho de tempo pra você. Então eu encosto sua cabeça no meu colo, te faço cafuné. Te dou um pouquinnho mais de chão te ligando pra você ouvir minha voz. Abro espaço dentro de mim, tiro a poeira do coração pra receber você e seu coração que já foi tão surrado nessa vida. E te prometo cuidar dele. Mas prometa que não vai desistir. De nós. Do que nós somos. Do nosso amor um pelo outro que é o que mais me alegra nessa vida. E é como diria Caio F: "eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar de remar também.". Então que você não desista de ser o dono das minhas preces carinhosas no travesseiro antes de dormir. Amém!
Exatamente como você fala nos textos, a festa estava cheia de meninas em série, saltitantes, ignorantes, garotas como todas as garotas. Aí alguém disse meio por alto que você viria, uma menina perguntou se era mesmo a escritora do site e da revista, responderam que era. Lembrei das noites em claro que você me iluminou e estalei os dedos. Você chegou estufando o peito, coisa de mulher insegura, e ao invés de eu perceber seus maravilhosos seios (coisa que por sorte percebi depois) fiquei apenas me perguntando como uma mulher como você poderia ser insegura. Você não me engana, falando alto, pisando firme, sorrindo certa e tendo respostas para tudo, você não me engana quando seus olhos se perdem ao longe e você deseja mais do que tudo ser outra e não sentir mais essa dor. Me apaixonei, perdidamente, não pelo seu decote e nem pelas suas piadas confiantes e enturmadas, me apaixonei exatamente pelo seu olhar de dor. Aquele que você lançou, quando ninguém percebia e tampouco esperava, para o chão, e estralou de leve o pescoço, e esfregou os olhos. A gigante dor que você carrega, mesmo num corpo tão magro e numa alma tão divertida, é o que fez de você a melhor mulher daquela festa. Você é humana e diferente dessa gente robô programada para não sofrer. Tati Bernadi não bebeu a noite toda, ensaiou uma dança debochada e não suportou muito aquele ambiente cheio de gente idiota e comum. Bocejou quando eu lhe ofereci minha bebida e sorriu, com um pouco de pena de si própria e de mim, como se dissesse “respeita a minha dor, não me faça ter que ser simpática” Ainda que o seu perfume seja a coisa mais maravilhosa que já senti em vida, pude também experimentar o gosto amargo e podre do seu coração. Sim, era possível desmontar aquela grande mulher que escrevia coisas incríveis, era possível fazer dela uma menininha com medos. Quis ser esse cara, quis que você estivesse sofrendo por mim. Depois não mais, depois só quis sentar num canto, quieto, perplexo, encantado, e olhar você se despedindo de todos, um a um. Por fim reparei que você tem a cintura mais perfeita que um ser humano pode ter e sua bunda não tem nada do que você diz nos seus textos. Acho que você não faz idéia do quanto é linda, perfeita e única, e isso a torna mais maravilhosa ainda, a torna alguém a ser preenchida. Ainda que fechada, você é um convite para ser amada. E então não senti mais inveja do homem por quem você sofre, senti pena, nojo, senti nada. E passei a desejar ser apenas o homem que você ama, aquele que você, certamente com esse perfil de escritora, já desenhou em seus sonhos. Será que nele cabem o meu nariz grande e a minha mania de berrar quando espirro? Tati pegou sua bolsa molenga e estranha, de uma cor que eu não sei o nome, e quando estava prestes a me abandonar triunfante, deixou cair tudo. A bolsa estava furada. Eu só consegui pensar que você é tão perfeita que seus defeitos nem estão em você, mas nas suas coisas. Desde sábado que eu acordo e durmo dando replay na sua bolsa furada, na sua dança debochada, no seu momento de dor, no seu sorriso que luta para não se entregar, no seu decote, na sua chegada, na sua ida, no seu perfume, no seu sorriso quase arrogante, na sua autosuficiência quase pedindo para ser salva. Antes você era minha escritora predileta, agora virou a minha melhor atriz.M.F. tem 32 anos, é taurino, escritor, roteirista, cinéfilo, fotógrafo de amigos e tem o nariz mais sexy do mundo
Deus escreve certo por linhas tortas, e foi ele que te colocou no meu caminho.
Vim te encontrar porque era preciso. Porque preciso da tua força, do teu sorriso sincero e tuas broncas. De você com todas as qualidades e defeitos insuportáveis que aprendi a aceitar.Te preciso inteira aqui do meu lado, para rir e fofocar,chorar no teu ombro e acalmar minhas dores.Afinal só você sabe como é dificil levar tudo isso sozinha , uma mala de problemas e um coração cansado. Mas o peso diminui quando divido com você. Eu sempre vou estar aqui , pode brigar, reclamar e mentir que não gosta de mim, não adianta. Digo quantas vezes for necessário:eu estou aqui,mesmo que finja não está, mesmo fingindo não sentir tua falta,eu sempre estou com você . Não precisa me dizer nada, os olhos são espelhos da alma, qualquer palavra é inferior ao que um olhar é capaz de expressar.Então deixa eu te olhar, admirar esse teu sorriso lindo no rosto, que me enche de alegria só pelo fato de você existir. Pode ser longe, perto, amanhã ou daqui á uns 10 anos. Tanto faz, você está aqui agora é isso que importa.
A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto. Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.
Coloque a camisa para dentro da calça. Isso. Prepare o café da manhã enquanto eu durmo um pouquinho mais. Tá legal, pode segurar minha mão enquanto andamos e pode ficar me abraçando o tempo todo. Assim mesmo: compre chocolate para mim, me dê buquê de rosas e escreva uma carta de amor junto. Me ligue todos os dias, mande mensagem quando eu estiver pensando em você. Pague um pau pra mim. Só assim eu vou detestar estar perto de você. Assuma que me ama, me prepare surpresas românticas e me diga o que eu quero ouvir. Mande frases bonitas, escolha uma música pra gente, e alimente meus momentos em que faço doce. Me elogie a todo momento, me chame pra sair sexta, sábado e domingo, se preocupe se eu estou cansada e me peça com olhar terno pra não desistir. Pra ficar. Porque aí, eu vou enjoar de você. E quem sabe, se você for certo e previsível, se me deixar segura das tuas atitudes, eu corra pra longe de todo esse mel amoroso. Vou enjoar, cuspir fora e dizer que não quero mais. Então, pra que eu pare de sofrer e de gostar de você, basta fazer tudo certinho, tim-tim por tim-tim. Mas não, não é esse o nosso jeito. E eu só gosto de você porque me surpreende a cada segundo. Porque você é imprevisível e isso me magoa ou me faz te amar, ou os dois ao mesmo tempo. Porque não me dá atenção quando eu espero, mas me pede desculpas se sentindo mal a tarde inteira por alguma atitude sua que eu nem lembrava mais. E eu fico olhando o telefone a cada segundo, mas você não me liga. De saudade não aguento, disco seu número só pra ouvir tua voz. Aguardo tamborilando os dedos um recado, um sinal de fumaça, um lembrei-de-você, e nada. Nessa agonia, começo a pensar no teu sorriso. Morrendo de medo de te perder, fico pensando por que diabos temos tanta intimidade pra falar sobre tudo que eu nunca falei com mais nenhum cara. Você não demonstra afeto; não é dessas coisas. Não fala nada, mas é ridiculamente lindo o jeito como me manda corações a todo momento. É um 'ei, eu te amo' de uma maneira puramente irritante. E linda, tão linda. Tão sua. Não tem nem dó da minha rotina desgastante - ao invés disso procura competir quem anda mais atordoado com as tarefas diárias. Me deixa esperando por um espaço de tempo na sua agenda tão superlotada, me me faz roer as unhas de nervosismo e ansiedade. Me irrita com aquelas manias chatas de reclamar de tudo, de não saber esperar por nada, de estar sempre em movimento, de falar bobeira por ter medo dos meus olhos azuis te analisando calmamente. E é tão chato que não me deixa me intrometer enquanto você cozinha. Tem gosto seletivo: é sim ou não. É super-sincero quando eu quero uma mentirinha que me deixe feliz. Me elogia quando eu nem estou com cabeça pra admirar alguma coisa em mim. Me acha forte e persistente, e diz admirar tal feito. Não me liga - ou liga raramente - embora sem motivo aparente pra não telefonar. Esconde os sentimentos atormentado, mas bem sei que é um poço de sensibilidade. Disfarça o gostar por mim, finge não ligar. E sempre quando eu não espero, faz um comentário mais romântico ou tem uma atitude mais carinhosa que me faz largar a idéia de desistir. Eu gosto de você porque você é imperfeito. Não gosto de quem elogia a todo momento, deixa claro o que sente e é totalmente previsível. Não gosto de quem é fácil de amar por ter somente qualidades almejáveis na alma. Te amo porque você esquece datas, porque me deixa nervosa, porque me faz sentir saudades e quase sempre ficar na dúvida entre ligar ou não ligar, querer ou não querer. Porque eu fico maluca de raiva toda vez que se desculpa mil vezes por qualquer coisinha, morrendo de remorso. Porque não enche minha bola me adornando em elogios, e porque, e sabendo imperfeito, tem medo de me perder. E amo seu sorriso, infinitamente mais bonito do que qualquer outro. E aquela risada espontânea, e o querer me irritar porque me acha bonita quando fico nervosa. Se for pra eu parar de te querer, faça tudo certo, simplesmente isso. Ligue, procure, fale coisas lindas, diga tudo o que sente. Deixe na cara que tem medo que eu vá embora, não hesite em planejar nosso futuro com casa de cerquinha branca e mostre o quanto me ama. Faça tudo perfeitamente bem, tome cuidado pra não se atrapalhar em nada. Aí sim, eu vou enjoar de você. Não vou atender ligações, vou odiar tanta melação. Porque é maravilhosa a maneira que eu descubro de reviver a cada vez que fazemos as pazes depois de alguma discussão. Porque renova o espírito descobrir sem querer que nos gostamos da mesma maneira, na mesma medida, e que não queremos que isso acabe - só aumente. Que queremos nos ceder casa, quarto, cama, carinho, cuidado e espaço no coração e pensamento. E isso me faz não querer desistir. Me dá medo de sofrer de novo, como nas últimas vezes, mas aí me lembro de você rindo por ter me provocado até eu virar uma fera, e depois falar "você fica tão bonitinha quando tá brava", e me fazer rir. Esquece o fazer tudo certo, tá? Faça tudo errado, imprevisível, torto, e continue me fazendo acreditar na gente. E me fazendo te querer, sabendo que vai valer a pena te esperar.